segunda-feira, 5 de outubro de 2026
TAPEÇARIAS
SÃO BENEDITO E UM BOLERO
São Benedito, o mouro, viveu na Sicília entre 1526 e 1589. Foi canonizado em 1807. É celebrado no Brasil no dia 5 de outubro (hoje mesmo).
Esta escultura, que está no Museu Santos Rocha, na Figueira da Foz, "desmente" um pouco a letra de um célebre bolero, imortalizado por António Machín.
Pintor nacido en mi tierra
Con el pincel extranjero
Pintor que sigues el rumbo
De tantos pintores viejos
Aunque la virgen sea blanca
Píntame angelitos negros
Que también se van al cielo
Todos los negritos buenos
Pintor, si pintas con amor
Por que, desprecias su color
Si sabes que en el cielo
También los quiere Dios
Pintor de santos y alcobas
Si tienes alma en el cuerpo
Porque al pintar esos cuadros
Te olvidaste de los negros
Siempre que pintas iglesias
Pintas angelitos bellos
Pero nunca te acordaste
De pintar un ángel negro
Pintor de santos y alcobas
Si tienes alma en el cuerpo
Porque al pintar esos cuadros
Te olvidaste de los negros
Siempre que pintas iglesias
Pintas angelitos bellos
Pero nunca te acordaste
De pintar un ángel negro
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
CONTOS DA LOUCURA NORMAL: CONIMBRIGA
Ouvido ontem, na cafetaria das ruínas de Conímbriga:
Pessoa 1 - Não vamos ver as ruínas de Conímbriga?
Pessoa 2 - Onde é que isso fica?
Pessoa 1 - Em Conímbriga.
Pessoa 2 - Vamos lá num dia mais fresco, que hoje está muito calor.
Cai o pano.
A cafetaria está virada para as ruínas, que distam do local da "ação" 150 metros.
Duas teses num só momento:
A realidade é sempre melhor que a ficção.
O melhor humor é sempre involuntário.
domingo, 20 de setembro de 2026
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
AZULEJOS
O Palácio dos Condes da Calheta, em Lisboa, acolhe a partir de dia 15 de agosto o projeto Open Azulejo, organizado pelo Museu Nacional do Azulejo no âmbito de uma parceria entre a Museus e Monumentos de Portugal e a Universidade de Lisboa.
O Museu Nacional do Azulejo, atualmente encerrado para obras de requalificação, propõe uma nova forma de fruição do património azulejar, convidando o público a descobrir conjuntos conservados in situ.
A iniciativa pretende criar uma rede de locais com património azulejar representativo, proporcionando ao público a oportunidade de conhecer e apreciar o azulejo em espaços que habitualmente se encontram encerrados ou têm acesso condicionado.
Informações úteis:
Palácio da Calheta, Lisboa | Rua General João de Almeida | Jardim Botânico Tropical
A partir de 15 de agosto até final do ano | 10:00–17:00
Terça a domingo
sexta-feira, 3 de abril de 2026
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
JOSÉ VELOSO DE CASTRO
O primeiro "embate" deu-se, há meses, numa cerimónia na Direção de História e Cultura Militar. Estavam expostas algumas fantásticas imagens de alguém que desconhecia. Fiquei, sem razão, quase envergonhado por nunca ter ouvido falar de José Veloso de Castro (1869-1945). Um militar que foi um extraordinário fotógrafo, agora resgatado ao esquecimento pelo trabalho de investigação de Carlos Pedro Reigadas. Um verdadeiro acontecimento.
Um registo de dezenas de fotografias, que ainda pode ser visto, até final do mês, no Museu Militar de Lisboa.
terça-feira, 16 de dezembro de 2025
A DESCOBERTA
Esta obra de Kiluanji Kia Henda (n. 1979) data de 2007. Retomo-a na altura em que o tema Museu dos Descobrimentos volta a emergir. Mas não irá avançar, decerto. Nós, aqui na Lusitânia somos ótimos palrar e a debater mas muito menos ótimos a decidir...
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
OS BERBERES DO LAOS E CLÁUDIO TORRES
Uma peça do Laos, do princípio do século XX. Está na Casa da Ásia - Coleeçao Francisco Capelo. O entramado geométrico faz lembrar o padrão das cerâmicas berberes e as mantas da região de Mértola. O meu amigo Cláudio Torres dava-nos, nas aulas (1983... 1984...) uma interessante perspetiva teórica sobre os modos de produção e o seu reflexo nas artes tradicionais. Infelizmente, nunca passou à escrita essas estimulantes ideias.
terça-feira, 18 de novembro de 2025
FICHAS TÉCNICAS
Podia ser pior...
É uma das minhas manias inofensivas: fotografar as fichas técnicas das exposições e dos museus. Ante o olhar sempre um pouco desconfiado dos meus alunos, explico sempre que é uma das formas de recolher informações: quem faz, quem são os técnicos, quais são as empresas, quem trata disto e daquilo. Ainda na semana passada repeti o gesto. Mais uma vez recolhi dados de interesse.
domingo, 16 de novembro de 2025
UM ROUBO EM GUIMARÃES - 16.11.1975
Faz hoje 50 anos. Até hoje permanece o mistério. Ninguém foi preso.
Transcrevo de https://www.guimaraesdigital.pt/index.php/informacao/cultura/42799-66090:
O audacioso assalto ao Museu de Alberto Sampaio registado a 16 de Novembro de 1975 continua a inquietar a memória dos vimaranenses. E se os culpados que foram julgados e condenados não chegaram a ser encarcerados e a pagar as indemnizações, os seus actos não foram esquecidos pelo crime hediondo de 'lesa-Pátria'. Foram roubadas peças e jóias de incalculável valor, num "golpe protagonizado por um casal que teve a colaboração de outro na fuga que empreenderam de automóvel".
O crime desse domingo de outono é descrito pelo jornal O Comércio de Guimarães, na sua edição de 22 de Novembro de 1975. "Na hora de encerramento o principal funcionário Fernando Cunha foi violentamente agredido e manietado, enquanto os assaltantes roubavam as peças e jóias valiosíssimas que constituíam grande riqueza do tesouro de Nossa Senhora da Oliveira".
"O golpe obedeceu a um plano devidamente estudado, com estratagemas e foi posto em prática a hora que os assaltantes julgaram a mais propícia, como realmente era. Foram roubados os seguintes valores: - Coroa de Nossa Senhora da Oliveira, de ouro e pedras preciosas, do século XVIII; peitoral em prata dourada e peças preciosas, também do século XVIII; meada de ouro puro, com 32 metros; do século XVIII; passador de prata, século XIV; rosário de ouro, também do século XIV, cordão de ouro também do século XVII; orilhão de ouro, século XVII; cruz de ouro (indiana) do século XVII; e outra peça de prata do século XIV".
Os autores do crime pertenciam a um comando do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), movimento de resistência à crescente influência do Partido Comunista Português e dos vários grupos de Extrema-Esquerda, criado após o 11 de Março de 1975 e extinto a seguir ao 25 de Novembro desse ano, em que a frágil democracia enfrentou o denominado «Verão quente».
O casal composto pelo ex-primeiro-tenente fuzileiro José Maria da Silva Horta, desertor das Forças Armadas após a falhada intentona do 11 de Março, e por Maria Alice da Silva Marques, antiga Secretária de um dirigente do chamado Partido do Progresso.
Houve quem qualificasse o assalto como um "crime de lesa-Pátria". Os autores nunca foram encarcerados. O ex-tenente Silva Horta desapareceu sem deixar rasto, embora tivessem circulado informações de que teria sido identificado no Brasil, e Maria Alice chegou a ser detida em Cascais, mas conseguiu fugir do Hospital Miguel Bombarda, onde estava internada sob prisão. Ambos foram julgados e condenados à revelia, em 1987, a 20 e 15 anos de prisão e ao pagamento de um milhão de contos.
As jóias nunca foram recuperadas, havendo versões de que teriam sido vendidas ao desbarato em diversos lugares. Oxalá, tal não tenha acontecido e que o tesouro continue algures intacto.
segunda-feira, 20 de outubro de 2025
SEM RASTO
Também temos exemplos disto, ainda que num registo diferente:
1975 - o nunca resolvido roubo do Museu Alberto Sampaio.
2002 - o desaparecimento das jóias da coroa portuguesa, ocorrido em Haia.
terça-feira, 14 de outubro de 2025
MUSEU VIRTUAL DE OBJETOS ROUBADOS
E esta é uma grande ideia. A UNESCO criou um museu virtual para mostra objetos roubados. Aí podemos saber mais sobre objetos desaparecidos. A esperança é que possam ser localizados e que sirvam todos os podermos apreciar. As fichas são um detalhadas e com a qualidade que se poderia esperar. Ora esguardae...
quarta-feira, 24 de setembro de 2025
ONTEM, NO MACAM
Ontem, foi dia de ir ao Museu da Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM) assistir à entrega do Prémio Gulbenkian Património.
A assombrosa recuperação do estado de ruína em que estava o Palácio do Conde da Ribeira Grande é, desde logo, uma iniciativa de assinalar. Devia o Estado seguir-lhe o exemplo.
E depois há a fantástica coleção que Armando Martins reuniu e a que agora Adelaide Ginga dá vida.
Não resisto a deixar aqui uma imagem da intervenção visual de Carlos Aires (n. 1974), um Cristo Negro detrás do qual passam, em loop, vídeos nada neutros.
domingo, 21 de setembro de 2025
O POVO EM CORUCHE
quarta-feira, 17 de setembro de 2025
PRÉMIO VILALVA 2025 PARA O MACAM
O Prémio Vilalva deste ano foi atribuído ao MACAM - Museud e Arte Contemporânea Armando Martins. O MACAM é um projeto invulgar no nosso meio.
Cito, da nota difundida pela Fundação Caloutse Gulbenkian:
O júri, presidido por António Lamas, referiu na ata que se trata de “uma das mais importantes edificações palacianas lisboetas de meados do século XVIII, época de grande dinamismo construtivo e de revalorização da Rua da Junqueira como eixo entre a cidade e o Palácio Real, instalado, depois do terramoto de 1755, na Real Barraca da Ajuda. Ao longo do século XX, o vasto edifício foi, na quase totalidade da sua área, ocupado por instituições escolares, a mais duradoura das quais, a Escola Secundária Rainha Dona Amélia.”
O palácio foi intervencionado pela Metro Urbe, dirigida pelos arquitetos João Pedras e Hélder da Silva Cordeiro, que criaram, ainda segundo o júri, um equilíbrio cativante entre a salvaguarda e restauro patrimoniais e as exigências estruturais, funcionais e estéticas dos novos equipamentos.
Veja-se a nota completa em:
https://gulbenkian.pt/
sexta-feira, 12 de setembro de 2025
PINTURA CAIROTA
"Guardas à porta do túmulo" é uma pintura orientalista que está na National Gallery of Ireland. O seu autor é Jean-Léon Gérôme (1824-1904) que conheceu bem o Levante Mediterrânico. Ao ver o quadro não pude deixar de me lembrar de um belo filme de Sérgio Tréfaut, "A cidade dos mortos". E não pude deixar de me interrogar sobre o início do uso habitacional dos jazigos no Cairo.
sábado, 6 de setembro de 2025
MÁSCARA N°. 29: DUBLIN
Um prato em bronze do século II, que terá vindo de Kildare, 50 quilómetros a sudoeste de Dublin.
A peça está no fantástico Museu de Arqueologia e olha-nos assim.
quarta-feira, 20 de agosto de 2025
GAILEARAÍ NÁISIÚNTA
Gailearaí Náisiúnta é o nome, em gaélico, da galeria nacional de Arte da Irlanda. Um excelente museu e uma viagem importante pela arte europeia. Parte da coleção foi construída já no século XX, quando a Irlanda não navegava propriamente num mar de prosperidade. Em Portugal não fizemos nada disso. Tivémos Salazar, nada mais. E a palavra cosmopolitismo passou a ser proibida despois de 1926.
Chamou-me a atenção este quadro de telhados na Checoslováquia, pintado no início da década de 20 por Mary Swanzy (1882-1978). O expressionismo, que curoiosamente não vi associado ao nome da pintora, mostrava-se. Antes de ler a legenda pensei que fosse um trabalho de um artista alemão...
terça-feira, 12 de agosto de 2025
KILMAINHAM GAOL
Quando uma visita é mais que uma visita.
A ida a Kilmainham Gaol (uma antiga prisão com longo e importante papel na libertação da Irlanda) é uma lição de História e de Cidadania. Toda a tirania inglesa, toda a imperial crueldade, está ali detalhadamente explicada. Os guias nao sao só guias: são empenhados nacionalistas que, tendo de fazer aqueles percursos várias vezes por dia o fazem (pelo menos no que nos calhou) com afinco e profissionalismo.
Conseguir bilhetes não é fácil, pelo que convém reservar com (muita) antecedência.
Ver: https://heritageireland.ie/places-to-visit/kilmainham-gaol/