Um mar de gente e um mar de juventude na Avenida da Liberdade.
O 25 de abril, o dos cravos vermelhos está vivo. Valha-nos a juventude. E mais o entusiasmo deles.
Isto poderá dar muitas voltas. Ao ponto de partida já não volta.
Um mar de gente e um mar de juventude na Avenida da Liberdade.
O 25 de abril, o dos cravos vermelhos está vivo. Valha-nos a juventude. E mais o entusiasmo deles.
Isto poderá dar muitas voltas. Ao ponto de partida já não volta.
“Quanto mais o tempo passa, mais cresce a minha admiração por Fidel Castro. Pela coragem, pela capacidade de resistência, pelo desafio, pela tentativa de criação de um modelo alternativo, por ter criado em tantos de nós a ideia de que a utopia era possível. E quanto mais vejo tantos políticos de pantufas, acomodados e sem uma chispa de entusiasmo ou de imaginação, mais essa admiração cresce”. Escrevi isto em dezembro de 2024. Mais o escreveria agora.
No dia 8 de janeiro de 1959, Fidel Castro entrou em Havana. Triunfava um dos mais improváveis sonhos do século XX. Há uma célebre fotografia do desfile triunfal, onde estão Che Guevara, Fidel Castro e Camilo Cienfuegos. Cienfuegos morreu poucos meses mais tarde, Che faleceu em 1967, Fidel em 2016. A revolução perdeu a sua aura romântica? Sim. Teve momentos e atos com não concordo? Sim, sem dúvida. Mas nunca deixará de nos fazer sonhar. E veio mostrar que a vontade dos povos deve ser mais forte que o imperialismo.
Poucos meses depois desse desfile, em abril de 1959, Castro foi visitar os Estados Unidos. Eisenhower não lhe passou cartão (“esnobou” dizem os brasileiros, e a palavra é fantástica) e foi jogar golfe. O resto da História é conhecida, porque essa viagem se revelaria decisiva. Pico, plagio, copio, sem vergonha e com orgulho, dois excertos de um magnífico texto publicado por Miguel Urbano Rodrigues no “Avante!” e no “Granma”, em 2006. Um texto sem rugas e pleno de verdade:
“A Revolução Cubana configura um desafio à lógica da História. Assim aconteceu com Moncada, com a aventura do Granma, a luta na Sierra, e o choque posterior com o imperialismo norte-americano. A decisão de resistir e a coragem do povo cubano no combate que confirmou ser possível a resistência serão recordadas pelo tempo adiante como acontecimentos épicos da História da humanidade.
Não há calúnia mediática que resista à prova da vida. Definir como ditador um dirigente amado por um povo que governa há quase meio século é um absurdo maldoso. O consenso entre o governante e a sua gente ridiculariza a diatribe forjada pelos seus inimigos”.
O que Cuba fez, ao longo de décadas, foi um combate extraordinário de David contra Golias. O rejeitar a ilha-paraíso-bordel dos vizinhos do lado e o tentar construir uma realidade alternativa. O percurso não foi isento de contradições, nem de erros.
Depois de seis décadas de um bloqueio ilegal (e isso que importa, para quem é a justiça a oeste de Pecos?), o sufoco torna-se quase total. Algo irá mudar, nos próximos tempos. Não será nada de decente… Ter estudado História é, neste caso e assim suponho, uma vantagem. Porque nos remete para o passado e nos dá uma leitura mais abrangente das coisas. E a história recente da América Latina é um longo estendal de ingerências americanas e uma longa luta entre liberdade e opressão. E onde há fome e não há educação nem cuidados de saúde, não há democracia e não há liberdade. Há, em tudo isto, um sim e um não.
É por isso que estou com Lula da Silva e com João Goulart e não com Jair Bolsonaro ou com Costa e Silva. Sim, mil vezes sim, com Chávez e jamais com Pérez Jiménez (cujos esbirros acabaram como acabaram...) ou com Andrés Pérez. Sim com Salvador Allende e nunca com Augusto Pinochet. Sempre com Juan José Torres e com Evo Morales e nunca com Hugo Banzer. Sempre com Rafael Correa e nunca com Lenin Moreno. Sim a Velasco Alvarado e não a Morales-Bermúdez.
Quanto a Fidel Castro, a sua luta perdurará. Sabiamente disse, há quase 73 anos, “a História me absolverá”. Não só já o absolveu, como reconhecerá muito mais que isso.
Crónica em "A Planície"
Sem nenhuma vontade de rir, nem de sorrir, recordo o final de um filme de Stanley Kubrick.
As bojardas racistas da criatura têm um histórico. Desta vez, contudo, "esmerou-se"... Não há palavras que cheguem para condenar a ordinarice, a javardice e a violência do que se passou.
Ofensivo é também o silêncio dos líderes mundiais. Quam cala consente...
António Araújo escreveu uma crónica sobre um espião. Até aí, nada de novo. Mas depois resolveu inovar. E disse que o espião foi preso antes de ir para o outro lado da Cortina de Ferro. Cortina de Ferro? Em 1994??? Bois Yeltsin era o Presidente da Rússia. Ver muitos filmes do 007 dá nisto...
Aldrich Hazen Ames (1941-2026), a morte de um traidor
A detenção teve lugar na manhã de segunda-feira de 21 de Fevereiro de 1994, quando Ames se preparava para sair de casa rumo ao trabalho. No dia seguinte, estava previsto que viajasse até Moscovo, onde iria participar numa conferência, pelo que o FBI, não querendo correr o risco de que ele se escapulisse em definitivo para o outro lado da Cortina de Ferro, antecipou a sua prisão.
https://www.publico.pt/2026/01/18/mundo/noticia/aldrich-hazen-ames-19412026-morte-traidor-2160956
Lembram-se disto?
Eu lembro-me. Disputavam-se as eleições presidenciais de 2002, em França. Lionel Jospin tentava, pela segunda vez, chegar ao Eliseu. Falhou, de forma clamorosa. No dia 21 de abril de 2002, passavam à segunda volta Chirac e Le Pen. Foi esta a primeira página do Libération:
A final da CAN é amanhã e o Congo está fora de prova desde os oitavos de final. O título de 1974 (enquanto Zaire) já lá vai há muito.
Mas o que verdadeiramente me impressionou nesta campanha foi a extraordinária performance de um homem Michel Nkuka Mboladinga. Ele foi Lumumba. Como se lê no site da BBC:
He stood on a pedestal with his right arm raised - just like Lumumba's famous statue in DR Congo's capital, Kinshasa - as fans around him cheered.Michel Nkuka Mboladinga has supported the Democratic Republic of Congo by dressing up as the country's revered first leader Patrice Lumumba and remaining stock-still throughout every match.
He stood on a pedestal with his right arm raised - just like Lumumba's famous statue in DR Congo's capital, Kinshasa - as fans around him cheered.
Patrice Lumumba (1925-1961) foi um patriota congolês chacinado pelo imperialismo (Bélgica, Reino Unido, Estados Unidos, oh sim a democracia 😍 e os direitos humanos...), faz hoje 65 anos.
A sua memória permanece viva. Felizmente.
Quando me perguntaram se estava disponível para ser mandatário do António Filipe a minha resposta foi curta e rápida “obviamente que sim”.
E porquê uma resposta tão pronta? Conheço-o há 40 anos. Isso só por si não justifica nada, claro. Mas conheço do António Filipe [e isso sim é importante] a sua atitude de grande seriedade e de grande decência, na vida política. Nos dias que correm, e em que a política parece muitas vezes um circo, isso não é coisa pouca. Mas há mais coisas que me levam a estar com o António Filipe nesta sua candidatura à Presidência da República. A sua reconhecida competência técnica. A sua preparação e domínio dos dossiês. A sua atitude responsável.
Hoje em dia, está muito na moda, dizer-se que políticos como o António Filipe estão ultrapassados. Que o que ele diz – e outras pessoas da sua [e da nossa] área política – está fora de moda. Que são coisas que já não interessam.
A minha discordância com essas perspetivas é completa.
E a minha concordância com os temas que o António Filipe tem trazido ao debate político é total. Quando o nosso candidato traz para o debate as questões em torno do trabalho, repito do trabalho, dificilmente poderemos dizer que é um tema ultrapassado.
Trazer para a primeira linha do debate político o tema da Saúde – como o António Filipe tem feito – não é falar de coisas fora de moda, pois não? Ao contrário, é falar-se de uma questão decisiva para todos nós. Tal como é essencial defender o Serviço Nacional de Saúde. Defendendo a responsabilidade do Estado no bem-estar das populações.
O António Filipe tem insistido muito no tema da habitação. Não me vão dizer / não nos vão dizer que isto também está fora de moda e que estamos ultrapassados. Cito o nosso candidato: “são questões socias fundamentais que não podem ficar de fora de nenhum debate político”.
O que o António Filipe tem feito com esta candidatura é elevar o nível do debate. O que ele tem feito é chamar a atenção para o mau estado em que estamos. E para a necessidade de se construírem novas e melhores soluções.
A candidatura do António Filipe tem sido uma verdadeira jornada cívica. Tem corrido todo o País, contactando os mais diferentes setores da Sociedade. Tem falado com empresas, com associações, com trabalhadores, com a Igreja, com os nossos emigrantes. Um exemplo de como as coisas devem ser feitas. Ouvindo, escutando, falando, explicando.
Um Presidente da República não é um provedor de justiça. Mas tem responsabilidades políticas e cívicas a que deve responder. Daí que, pessoalmente, valorize muito este método de trabalho que o António Filipe tem posto em prática. É preciso sair dos gabinetes e ir ao encontro das pessoas.
Daqui até dia 18 é uma viagem rápida. Como disse um conhecido jogador de futebol: “prognósticos só no fim do jogo”. Vamos em frente, com determinação, com entusiasmo, com determinação e sem cedências nas questões que são essenciais. Estou contigo, António Filipe. Estou eu. Estamos nós. E estarão muitos mais, para cumprir Abril.
O 51º aniversário do 25 de abril foi uma torrente popular.
O 50º aniversário da outra data foi uma praça vazia.
Está aí a diferença.
Pantanas é a palavra certa para definir o que se vive na Saúde. Algo vai muito mal num País em que as urgências são tema recorrente nas notícias. Cada dia há um coelho tirado da cartola: inteligência artificial, telecoisas, reformas e mais reformas, reprogramações, novidades no INEM, ambulâncias entregues aos privados, etc.
Soluções e progressos é que nem por isso... Valha-nos Claude Serre (1938-1998), que era genial.
A conversa teve lugar há dias.
A senhora com quem falava manifestava o seu desapontamento. Não se revia em nenhum dos candidatos à Presidência da República. Embora, com o correr da conversa, tenha ficado com a ideia que ela tinha claras simpatias por um deles.
Disse-lhe, e acho mesmo!, que um deles tem perfil para ser Presidente. E que sou mandatário, no distrito de Beja, de um candidato. Olhou-me e perguntou "qual? Cotrim de Figueiredo?". Fiquei intrigado. Não tenho ar de "tio", não uso mocassins com berloques e o meu accent não é mesmo nada upper class. Desfiz o equívoco, explicando que é mesmo o António Filipe.
Esta obra de Kiluanji Kia Henda (n. 1979) data de 2007. Retomo-a na altura em que o tema Museu dos Descobrimentos volta a emergir. Mas não irá avançar, decerto. Nós, aqui na Lusitânia somos ótimos palrar e a debater mas muito menos ótimos a decidir...
A pichagem da GREVE GERAL, fotografada às 18:01 de dia 4 de dezembro, remete para as letras do cartaz da primeira greve geral, a de 12.2.1982 (foi no meu primeiro ano de faculdade e lembro-me bem do impacto que teve...).
Vivam os direitos dos trabalhadores.
Olhei para a fotografia pensando "isto faz-me lembrar qualquer coisa... mas o quê?". Ao fim de um minutos, as sinapses estalaram os dedos e lembraram-se de uma capa de um disco de 1977...
Os cartazes de rua do candidato fazem lembrar uma versão loja-dos-300 de um velho disco de Bryan Ferry.
O que muitos deles queriam mesmo, mesmo, era o Dia da Raça. Isso é que era... Mas, por muitas voltas que o mundial dê, isso já não volta!
Este sítio foi, há dias, tema de conversa.
A inauguração, na Amareleja, teve lugar há 10 anos, precisamente. Um dia inesquecível. As centenas de pessoas que encheram o pavilhão deram-me ânimo para continuar com um ritmo de trabalho que era/foi intenso.
Tal como intensa tem sido a utilização do sítio.
Na fotografia, da esquerda para a direita: José Pós-de-Mina (Presidente da Câmara 1997-2013), eu, Manuel Ramalho (Presidente da Junta 2001-2009) e Victor Mestre (autor do projeto).
Uma década volvida tenho a certeza que, ao avançar, tomámos a decisão certa. E continuo com a convicção que o projeto deveria ter prosseguido e sido concluído.