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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

PORTUGAL DE TODO O MUNDO

Por ordem alfabética, aqui vão os nomes e a origem, mais próxima ou mais distante, de alguns medalhados em Jogos Olímpicos, em Mundiais e em Europeus nos últimos 25 anos:

Agate Sousa São Tomé e Príncipe 

Auriol Dongmo Camarões 

Carla Sacramento São Tomé e Príncipe

Francis Obikwelu Nigéria 

Jorge Fonseca São Tomé e Príncipe

Isaac Nader Marrocos

Naide Gomes  São Tomé e Príncipe

Nélson Évora Cabo Verde

Nuno Delgado Cabo Verde 

Patrícia Mamona Angola

Pedro Pablo Pichardo Cuba

Rochelle Nunes Brasil

Tsanko Arnaudov Bulgária 

Fico feliz com esta diversidade. Somos de onde queremos ser e onde queremos estar.

A minha família terá, segundo um genealogista, vindo de Marrocos (século XIX?). Tenho também ascendentes andaluzes. Será que algum imbecil me vai dizer "vai para a tua terra!"?



quarta-feira, 10 de setembro de 2025

MARATONA

Diálogo desportivo na Festa do Avante! com um amigo de Moura:

eu: - Vais estar em Moura no dia xis?

ele: - Não, vou estar em Maratona!

eu: - Turismo?

ele: - Não, vou a correr de Maratona para Atenas.

eu: - Eh pá, não é preciso; no século V a.C. não havia autocarros, mas agora já há; e o bilhete não deve ser caro.

Depois de alguns momentos de boa disposição lá me esclareceu que é a NONA prova da maratona que vai fazer. Minhanossassenhora...

Para quem estiver interessa, aqui ficam os horários do autocarro. Do local da batalha (que teve lugar há precisamente 2515 anos) até à acrópole são 35 quilómetros em linha reta. Terá sido esse o percurso feito pelo mítico Filpíades para anunciar a vitória.










quarta-feira, 6 de agosto de 2025

GALWAY MARXISTA

Galway é o grande centro irlandês de corridas de cavalos. Foi uma estreia divertida, mas sem grande sucesso financeiro. Melhor dizendo, sem nenhum sucesso financeiro. As apostas falharam, mas o ambiente era de grande animação, com bancadas barulhentas e agitadas. Irlanda e barulho são pleonasmos.

Ah, e não apostem num cavalo chamado Trusty Tycoon. É falhanço garantido. Também, com chances de 1 para 250...

terça-feira, 5 de agosto de 2025

ATLETAS NEUTRAIS? MAS QUE PALHAÇADA É ESTA?

Estava a ver os campeonatos de natação e dei com uma equipa NAB. À primeira não percebi. Depois é que... "espera lá! são os russos!". Se não os queriam deixar participar como Rússia, podiam ter arranjado uma designação menos imbecil.

Israel participou como Israel. Mainada!



segunda-feira, 12 de agosto de 2024

CARLOS LOPES - 1984

Tinha regressado na antevéspera de Montemor-o-Novo, onde tinha ido participar nas escavações arqueológicas. Daí a dias, partiria para Mértola. Estava prestes a iniciar o último ano da licenciatura, no meio de um mar de incertezas.

Naquela noite, decidi-me a ficar a ver a maratona, prova derradeira dos Jogos Olímpicos. Carlos Lopes não era o grande favorito. Esse lugar estava reservado ao australiano Robert de Castella e ao norte-americano Alberto Salazar. Que eram filmados uma vez e outra durante o aquecimento, porque a transmissão televisiva era uma coisa mais simples e menos "apresentação do concurso das misses" dos tempos recentes. Bom, lá mostraram Carlos Lopes uma vez, fugidiamente.

Eu também não acreditava que Carlos Lopes fosse ganhar e pensei "fico a ver enquanto ele aguentar; quando descolar, desligo a televisão e vou para a cama". Começa a prova, passam os quilómetros, 5, 10, 20, 25 e Lopes sempre no pelotão da frente. "Entre os 30 e os 35 é que vai ser a grande prova". E nada. Lopes continuava, e à frente havia cada vez menos. E, de repente, a pouco mais de uma légua da meta, aí vai ele. Começo num nervoso miudinho que nunca antes tinha sentido. Só me lembro dele cruzar a meta e eu desatar ao saltos na sala. Bom, aquilo era um terceiro andar e o quarto do vizinho ficava por baixo. Eu parecia o Nijinski (salvo seja) dando saltos. Ficava "suspenso" no ar, para cair de mansinho...

Acredito firmemente que Carlos Lopes potenciou os sucessos que vieram a seguir. Não só pelos sucessos em si, como pelo facto de ter "arrumado" (terem, que Rosa Mota também foi aí crucial) aquela ideia do portuguesito desgraçadinho e inferior e fadado à derrota.

Viva Carlos Lopes, 40 anos volvidos. Continua, ainda hoje, a ser o mais velho vencedor de uma maratona olímpica, tinha 37 anos e meio.


E TAMBÉM DIANA TAURASI

É certo que a modalidade é coletiva, mas não deixa de ser menos relevante que a norte-americana Diana Taurasi tenha conquistas a medalha de ouro em seis Olímpiadas sucessivas (2004, 2008, 2012, 2016, 2020 e 2024). Só de olhar para o currículo ficamos cansados...

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

MIJAÍN LÓPEZ

É cubano e ganhou, pela quinta vez consecutiva, a medalha de ouro em luta greco-romana. O feito, único na história dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, mereceu uma discretíssima atenção dos órgãos de propaganda do capitalismo (aka comunicação social).

Em 2020, Mijaín López dedicou a sua vitória a Fidel Castro. Será essa a explicação?

quinta-feira, 25 de julho de 2024

VOLTA À PORTUGAL

Já lá vai o tempo, muito distante, em que seguia, com afinco, as reportagens de Carlos Miranda ("A Bola") nas Voltas: a de França e de Portugal. Não percebo nada, mas nada mesmo, de ciclismo, mas a forma como ele escrevia fazia daquelas provas a coisa mais fascinante do mundo. "A Bola" tinha então pequenas caixas nas reportagens - não sei se ainda tem - intituladas "hoje jogo eu" ou "hoje corro eu", preenchidas com deliciosas notas do quotidiano (a da pernoita no bordel, a da pescada cozida, a do stripper negro etc. etc.), que me ensinaram a tentar escrever de forma sintética ou a contar as coisas de forma curta.

Começa a Volta 2024. Acho o traçado um pouco estranho, ou desconexo. Razões haverá. E, como digo, não gosto de falar do que desconheço.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

OS IMIGRANTES

Três medalhas nos Europeus de Atletismo.

Uma cidadã portuguesa (Liliana Cá), filha de imigrantes.

Um imigrante (Pedro Pichardo), que se naturalizou português.

Uma jovem imigrante (Agate de Sousa), que se naturalizou portuguesa..

Lemos, no "Público", acerca de Agate de Sousa:

Em 2021, Agate de Sousa não podia sair de Portugal para competir no estrangeiro porque, depois, não a deixariam entrar. Estava há dois anos no país, a estudar economia e a fazer atletismo, mas tinha a sua mobilidade limitada porque não tinha nacionalidade portuguesa. Para ela, que nasceu em São Tomé e Príncipe, as coisas andaram devagar.


segunda-feira, 1 de abril de 2024

JUDOCAS PORTUGUESES

No outro dia, um parolo facho declarava, solenemente, no twitter, "um africano não é um português". Jorge Fonseca nasceu em São Tomé e Príncipe. Presumo que a família de Tais Pina tenha raízes em África. São portugueses, de origem africana. Isto deve ser complicado de explicar ao parolo facho.



quarta-feira, 11 de agosto de 2021

MARATONA - 1896

Quando me falam em dificuldades, tenho sempre a tentação de mostrar esta fotografia, identificada como de um treino para as Olimpíadas de 1896. Quase custa a crer que os atletas se treinassem vestidos desta forma. Só falta o casaco...

A maratona é hoje dominada por atletas da África Oriental. Cabe aqui recordar a figura extraordinária de Onni Niskanen (1910–1984), o sueco que se tornou etíope e que ajudou a criar os fundistas africanos.


domingo, 8 de agosto de 2021

PORTUGAL MAIOR: 7 + 1

Num País vidrado em futebol (a paranóia recomeçou agora), e sem uma promoção da prática desportiva digna desse nome, houve resultados nos dias recentes. Os meus heróis pessoas foram dois não medalhados: Liliana Cá e João Vieira. A primeira com uma história de vida que faz o seu 5º lugar parecer ouro, o segundo pela persistência e abnegação.

E houve gente extraordinária (senhoras primeiro, sff), como:
Auriol Dongmo
Patrícia Mamona
Fernando Pimenta
Jorge Fonseca
Pedro Pichardo

E, bem entendido, Neemias Queta. 




ELIUD KIPCHOGE X 4

Chama-se Eliud Kipchoge e nasceu no Quénia, em novembro de 1984.

Fez o que nem Bikila nem Cierpinski conseguiram: juntar ao duplo título olímpico na maratona (2016 e 2020) duas medalhas nos 5.000 metros: prata em Pequim e bronze em Atenas. Um herói imortal, se tivesse nascido no Ocidente. A imprensa online internacional quase o ignora. A fotografia que reproduzo foi obtida no site do Hindustan Times.

Vi a maratona até ao fim e fiquei impressionado com o ar descontraído de Eliud Kipchoge, depois de correr 42 quilómetros. E também gostei da camisa com que foi receber a medalha.



terça-feira, 25 de maio de 2021

BREAKDANCE NOS JOGOS OLÍMPICOS: O GLORIOSO REGRESSO DE GRANDMASTER FLASH

Era um dos meus nomes "de referência" nos tempos da Faculdade. Uma das minhas múltiplas heterodoxias, com pouco eco e ainda menos simpatia na cave de Letras, onde, a partir do outono de 1983, assentei arraiais. 

Joseph Saddler (n. 1958) é o verdadeiro nome de Grandmaster Flash. Aposto que nunca lhe passou pela cabeça que o seu hip hop seria, um dia, fonte de inspiração para uma modalidade olímpica. O breakdance como modalidade olímpica faz tanto sentido como o jogo da pata. Snoop Dogg ainda vai a presidente do C.O.I., querem apostar?




domingo, 7 de março de 2021

PORTUGAL MAIOR

De uma assentada, três medalhas. Portugal ficou maior, em todos os sentidos, ao acolher Auriol Dogmo e Pedro Pablo Pichardo. Eles, tal como Patricia Mamona, são portugueses de bem.









sábado, 16 de novembro de 2019

POULIDOR

O que é ser segundo? O que quer dizer não ganhar? Muitas vezes me fiz esta pergunta. Muitas vezes me lembrei de Poulidor, desaparecido há dias. Poulidor não só não ganhou a Volta a França, como nunca vestiu a camisola amarela. Foi três vezes segundo no Tour e cinco vezes terceiro. Mas tinha uma imensa popularidade. Vencedores do Tour como Lucien Aimar ou Roger Pingeon estão a léguas do patamar de Raymond Poulidor. Muitas vezes me lembrei de Poulidor a propósito de uma célebre tirada do produtor cinematográfico Louis Mayer, que citava o filme Ninotchka, como tendo ganho os prémios, enquanto os filmes de Andy Hardy é que tinham sucesso. Porque estes ganhavam o coração do público. Decididamente, Poulidor, sempre segundo, era o Andy Hardy e não a Ninotchka das bicicletas.

Anquetil (à esquerda) e Poulidor (à direita)

domingo, 13 de outubro de 2019

domingo, 29 de setembro de 2019

JOÃO VIEIRA - A IMPROVÁVEL CONSAGRAÇÃO

Aos 43 anos, João Vieira ganhou a medalha de prata nos 50 quilómetros marcha, nos Mundiais de Doha. Ou seja, foi de Moura a Beja em pouco mais de quatro horas...

O que mais me impressiona em carreiras como a dele é o facto de nunca perderem o norte e permanecerem sempre focados. Treinos rigorosos, uma vida disciplinada, uma existência austera e sem tréguas.

O palmarés impressiona:
12 vezes campeão nacional de 20 km. marcha
3 vezes campeão nacional de 50 km. marcha
3º lugar no Campeonato da Europa / 2006 (20 km marcha)
2º lugar no Campeonato da Europa / 2010 (20 km marcha)
3º lugar no Campeonato do Mundo / 2013 (20 km marcha)
2º lugar no Campeonato do Mundo / 2019 (50 km marcha)

segunda-feira, 15 de julho de 2019

59 ANOS MAIS TARDE...

Dei-me ao ocioso trabalho de ver quando é Portugal tinha conquistado o último título mundial de hóquei em patins em terras de Espanha. Foi em maio de 1960 (!), em Madrid. A modalidade tinha então uma imensa popularidade em Portugal. Muito longe da relativa indiferença que hoje desperta.

O jogo de ontem não parou o País. Mas foi bonito ver esta conquista. Foi o 16º. título em 44 edições.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

QUANDO O RACISMO É SUBLIMINAR...

Há um jovem português a brilhar no basquetebol universitário americano. Os pais são guineenses. Ele chama-se Neemias Esdras Barbosa Queta. Nas primeiras notícias apareceu mencionado como Neemias Queta. Que é o nome dele e é o que surge no twitter onde se anuncia a sua contratação. Ora bem, Queta não soa a "português". Nem soa a branco. Resultado? Agora o jovem é apresentado como Neemias Barbosa...

Quantas faces tem o racismo?