segunda-feira, 13 de abril de 2026
TODD WEBB
quinta-feira, 26 de março de 2026
PERGUNTAS DE UM OPERÁRIO LETRADO
Ao escrever hoje um texto, Bertolt Brecht (1898-1956) foi imagem recorrente. Uma vez e outra. Quem constrói as coisas, é o que me pergunto?... E quem tem direito aos nomes? E para quê? Josef Koudelka (n. 1938) e as suas ruínas vieram em meu auxílio.
Nos livros vem o nome dos reis,
mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
foram os seus pedreiros? A grande Roma
está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
só tinha palácios
para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
na noite em que o mar a engoliu
viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas.
sábado, 7 de março de 2026
AMÁLIA POR THURSTON HOPKINS
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
JOSÉ VELOSO DE CASTRO
O primeiro "embate" deu-se, há meses, numa cerimónia na Direção de História e Cultura Militar. Estavam expostas algumas fantásticas imagens de alguém que desconhecia. Fiquei, sem razão, quase envergonhado por nunca ter ouvido falar de José Veloso de Castro (1869-1945). Um militar que foi um extraordinário fotógrafo, agora resgatado ao esquecimento pelo trabalho de investigação de Carlos Pedro Reigadas. Um verdadeiro acontecimento.
Um registo de dezenas de fotografias, que ainda pode ser visto, até final do mês, no Museu Militar de Lisboa.
domingo, 7 de dezembro de 2025
MARTIN PARR (1952-2025)
Martin Parr faleceu ontem. Sem disso saber, escolhi uma das suas fotografias para ilustrar um texto meu.
Volto a Parr, ao seu maravilhoso sentido da cor e ao seu olhar sardónico sobre os britânicos.
terça-feira, 28 de outubro de 2025
O PESCADOR ACIDENTAL
Post dedicado a dois jovens amigos. Andaram à pesca algures no Oceano Índico. Dizem eles... Que pescaram peixes grandes e tal. Pois, pois...
Esta fotografia foi feita num sítio um pouco distante do local da pescaria dos meus amigos. Trabalho da extraordinária - não encontro outra palavra mais discreta - Mirella Ricciardi (n. 1931).
sábado, 18 de outubro de 2025
UM POLAROIDE NOS BARRANQUINHOS
Foi na passada semana. À entrada dos Barranquinhos, na Amareleja (o nome oficial é Rua Cap. Joaquim Maximiano), uma jovem fez questão de nos fotografar - a Jorge Pós-de-Mina, ao José Maria e a mim - com uma pequena máquina em plástico. Nunca tinha visto um aparelho assim. Algo semelhante às antigas polaróides, mas que funciona com um rolo de papel térmico. O entusiasmo da miúda era evidente. Não pude deixar de pensar "é assim que se começa...".
domingo, 17 de agosto de 2025
AUGUSTO ALVES DA SILVA
Nunca tinha publicado uma fotografia de Augusto Alves da Silva, agora desaparecido.
E tinha ideia de o fazer, depois de ver vários trabalhos seus, em especial este, do início do século. Há aqui um toque kubrickiano, a remeter para as cores de The shining. Está em exposição no MACAM (Museu de Arte Contemporânea Armando Martins). Foi lá que o vi, há algumas semanas.
Na calha está a compra do livro de AAS sobre o Instituto Superior Técnico.
sexta-feira, 25 de julho de 2025
THE HUMAN FAMILY
Agora já está disponível a versão em inglês. "The Human Family" é um trabalho de Jorge Calado para a Camara Municipal de Vila Franca de Xira. A minha fotografia é a da esquerda. Uma imagem de Palmyra (Síria), no já distante outono de 2003.
quinta-feira, 24 de julho de 2025
EXPOSITION 1937
Ouvi falar deste catálogo há meses. Consegui localizar um exemplar numa livraria na Rue Bonaparte, em Paris. O registo da exposição universal de Paris de 1937 conta com seis dezenas de trabalhos de um Pierre Verger (1902-1996) que se iniciara na fotografia poucos anos antes.
A recriação de outros mundos deu lugar, em Paris, a recantos como este (a "Tunísia" junto ao Sena). A outros exotismos se dedicaria depois Verger.
O livro já está em Mértola.
terça-feira, 15 de julho de 2025
SIM, MAS...
Jorge Calado, num recente artigo, no "Expresso", diz que a exposição fotográfica "Venham mais cinco" é a mais importante realizada nas últimas cinco décadas, em Portugal. Fala quem sabe, mas Jorge Calado "esquece" a exposição que ele próprio organizou para o CCB, em 1998, e onde havia uma coleção de centenas de fotografias, com a água em todos os seus estados. Uma seleção assombrosa, que revelava conhecimento profundo do que tinha sido produzido por esse mundo fora. Podia também juntar-se-lhe "Ofertório", a antológica de José Manuel Rodrigues, em 1999, na Culturgest. Três momentos marcantes, sem dúvida.
Socorro-me da informação presente em: https://fasciniodafotografia.com/2018/08/01/jorge-calado-a-prova-de-agua-waterproof-1999-2/ para completar este texto.
A exposição ocupou todo o piso superior do Centro Cultural de Belém entre 27 de fevereiro e 31 de maio de 1998, no âmbito da programação paralela da EXPO'98.
domingo, 6 de julho de 2025
VENHAM MAIS CINCO
Uma exposição poderosa, em todos os sentidos. "Venham mais cinco", organizada por Sérgio Tréfaut (um magnífico trabalho de recolha e de ordeanemtno de materiais), mostra Portugal na visão dos fotógrafos estrangeiros, nos meses que mudaram um País. Uma autentica parada de estrelas da reportagem. Muitos na altura ainda não o eram, mas tiraram todo o partido de situações únicas. Algumas delas de tom pícaro.
Olhamos as imagens e ouvimos os sons e o rumor da multidão. Sobretudo, sentimos uma esperança que, 50 anos volvidos, de alguma forma se esfumou. Mas aquele País, felizmente, já não volta,
Até dia 24 de agosto, em Almada: https://www.cm-almada.pt/exposicao-venham-mais-cinco
Veja-se esta imagem, plena de ingenuidade, de Jean-Paul Miroglio:
segunda-feira, 23 de junho de 2025
FOI BONITA A FESTA, PÁ!
Só me ofereceram o livro, para já. A ida a Almada será dentro de dias. O projeto do Sérgio Tréfaut foi bem delineado e melhor concretizado. Ainda dei uma minúscula "ajudinha" por fora, pondo-o em contacto com o Fausto Giaccone.
São imagens extraordinárias de um País em festa (veja-se a fotografia da capa!), completamente à solta depois de décadas de repressão. Como é que os repórteres estrangeiros viram esses 19 irredutíveis meses? É disso que trata o projeto. Muitos dos autores não eram ainda consagrados à altura. Tenho a certeza que este ambiente de Liberdade lhes foi decisivo.
segunda-feira, 16 de junho de 2025
ARTE TUMULAR
sexta-feira, 6 de junho de 2025
ARCO 25
quinta-feira, 5 de junho de 2025
EDUARDO GAGEIRO (1935-2025)
Não é a melhor, nem a mais celebrada fotografia de Eduardo Gageiro. Mas é aquela que mais me toca. Vem ao blogue pela terceira (e última vez).
Era, seguramente, uma das mais belas curvas do mundo. Tenho disso a mais completa certeza. Ficava em Mértola e era assim, tal como Eduardo Gageiro a fotografou, em 1985. Aquela curva fez-me companhia intermitente, entre o verão de 1983 e a primavera de 1987. A brancura da curva desapareceu, em meados da década de 90. Uma obra disparatada. Uma pena, sem retorno nem remissão. Felizmente temos esta imagem.
domingo, 1 de junho de 2025
IL SIGNORE FAUSTO GIACCONE
Não tenho o hábito de “pedir amizade” no
facebook a pessoas que não conheço. A exceção foi, há já uns bons 10 anos, um
fotógrafo italiano chamado Fausto Giaccone. A razão era simples: tinha/tenho
por ele uma enorme admiração, tanto pelo trabalho fotográfico, como pela
atitude cívica.
Os tempos passaram, até um dia me solicitarem
uma iniciativa a desenvolver no Panteão Nacional, para comemorar os 50 anos do
25 de abril. A primeira ideia foi celebrar o Povo e a sua presença no Panteão.
Houvera um antecedente – com os trabalhos de Artur Pastor – e este era o
momento de repetir a ideia, noutro registo. Fausto Giaccone fotografara o
processo de ocupações de terras no Couço, em agosto de 1975. Uma reportagem
única, a todos os títulos. Entrei em contacto com o fotógrafo através das redes
sociais. Resposta rápida e positiva, e o começo de um enorme desassossego. Da
exposição – primeiro só a preto e branco, depois também com imagens a cores –
se passou para a produção de um catálogo. Escolha de imagens, idas e vindas ao
atelier Black Box. Depois não há dinheiro e é preciso procurar soluções… Só o
apoio financeiro do Instituto Italiano de Cultura, da Câmara de Coruche e da
Junta do Couço permitiu que o livro chegasse ao fim. E ainda, e sempre, o
empenho do editor italiano Claudio Corrivetti e da POSTCART, que produziram um
catálogo magnificamente impresso.
Na primeira vinda a Lisboa ficou desfeito
o “mistério” da rápida aceitação do pedido de amizade. O Fausto pensava que eu
era presidente da câmara de MORA, terra onde ele estivera em 1975, e não de
MOURA. Bendito equívoco.
A exposição já lá vai (esteve patente
entre 7 de maio e 25 de agosto de 2024). O lançamento do catálogo foi em julho,
houve uma conversa-debate em setembro na livraria STET e a exposição está neste
momento em Coruche. Isto ficou por aqui? Nem por sombras. Há meses telefonou-me
um cineasta com ligações a Moura (não a Mora…), chamado Sérgio Tréffaut. Queria
pôr-se em contacto com o Fausto, porque estava a organizar uma exposição sobre
imagens de fotógrafos estrangeiros em Portugal durante os tempos da Revolução.
Assim se fez. “Venham mais cinco” pode ser vista em Almada, e as fotografias do
Fausto estão lá.
Este novo projeto foi a oportunidade para
reencontrar um homem excecional. Que manteve, ao longo de 40 anos, com os
amigos do Couço uma relação fraterna e próxima. Constatei isso no reencontro de
julho de 2024. Celebrámos este percurso há dias, num restaurante nas avenidas novas que lhe causou
impressão muito favorável, no ano passado. É um sítio de comida tradicional,
ambiente familiar e clientes 100% portugueses. Suspirou na altura “non abbiamo
più questo a Roma” (já não temos disto em Roma)
Do alto dos seus 81 anos continuou a falar com entusiasmo dos projetos futuros, da esperança no futuro, na convicção que o fim da História não será “este” dos tempos que vivemos. No final disparou-me um “sei sempre combattivo” (és sempre lutador), uma frase que não é coisa pouca, vinda de quem vem. Soube-me a condecoração.
sexta-feira, 16 de maio de 2025
MÁSCARA N°. 26: MINAS DO LOUSAL
Um cara fantasmagórica, quase ameaçadora, no Centro de Ciência Viva das Minas do Lousal. Uma visita proveitosa, ainda que rápida, a um sítio pouco conhecido, e que fica apenas a 100 quilómetros de Lisboa.
segunda-feira, 7 de abril de 2025
PIRÂMIDES
Sob o signo do sol. O deus RA é o deus do sol e, assim se lê, a mais importante divindade do panteão egípcio. Foi RA a inspirar Rui Toscano, que nos mostra luz e as pirâmides na exposição na galeria Cristina Guerra. O que me leva a evocar outra fotografia - literalmente inesquecível - de Paulo Nozolino.
https://www.cristinaguerra.com
quarta-feira, 26 de março de 2025
MACAM
MACAM x 2.
Escolhi duas peças da extraordinária coleção reunida por Armando Martins e que está no novíssimo museu lisboeta.
Uma vanitas, de John Baldessari (1931-2020), que espero poder levar um dia ao Panteão Nacional, e uma marinha, de João Vaz (1859-1931), que nunca tinha visto e que é excecional, foram as minhas escolhas do dia.
Ver: https://macam.pt/pt