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terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

AGORA, SERPA

Prossegue a caminhada. O próximo ponto de paragem é Serpa. Uma coisa é certa: fala-se de Duarte Darmas e do seu trabalho. E esse era/é o grande objetivo de tudo isto. Popularizar a investigação e tornar o Património mais próximo e palpável.

Dia 10 lá estarei, para uma visita guiada. Regresso à margem esquerda, à minha "heimat".

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

TENHO BARCOS, TENHO REMOS


A paixão por esta moda é antiga. Em 1983 ou 1984 comprei um "
single", em segunda mão, numa loja da Rua da Prata que se dedicava a esse tipo de vendas. Era uma gravação do Grupo Coral da Casa do Povo de Serpa.

Ouvi-a, fora disso, muito poucas vezes. E sempre na Feira do Vinho da Amareleja. Em 10 de dezembro de 2011 cantada pelo Grupo Coral da Recreativa. Cinco anos volvidos (10.12.2016, precisamente), num momento especialmente emotivo, o Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento teve a extraordinária simpatia de me dedicar a moda, interpretando-a de seguida de forma absolutamente magnífica. Depois fui-me um bocadinho abaixo, mas ainda bem que ninguém reparou.


Tenho barcos, tenho remos

Quem embarca, quem embarca?
Quem vem p'ró mar, quem vem?
Quem embarca, quem embarc'olé, minin'ólé?
Quem vem p'ró mar, quem vem?

Quem embarca nos teus olhos,
que linda maré que tem.
Quem embarca nos teus ólé, menin'ólé,
que linda maré que tem!

Tenho barcos, tenho remos,
tenho navios no mar!
Tenh'um amor tão catit'ólé, menin'ólé,
não mo dexõ namorar.

Não mo dexõ namorar,
Não mo dexõ compar'cer!
Se eu com ele não casar, olé, menin'ólé
com outro não há-de ser!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

JÚPITER CONTRA DUARTE DARMAS

Há coisas que fazem lembrar a linha do horizonte. Um trabalho em curso faz-me andar, literalmente, às voltas. Desta vez, foi Serpa. À saída de Mértola, o dia estava limpo e o céu de um tom azul cobalto. À chegada a Serpa, nem por isso. Não exatamente brumoso, mas só se podia fotografar em direção nascente. Para poente, nem pensar. O azul passava a cinza. Em todo o caso o “sam francysco” ainda está no mesmo local, o portal gótico também.

Espero que Júpiter seja mais clemente, agora que o projeto se aproxima do fim... E que, como no poema de Pessoa, a nuvem passe alta.










VAI ALTA A NUVEM QUE PASSA.


Vai alta a nuvem que passa,
Branca, desfaz-se a passar,
Até que parece no ar
Sombra branca que esvoaça.

Assim no pensamento
Alta vai a intuição,
Mas desfaz-se em sonho vão
Ou em vago sentimento.

E se quero recordar
O que foi, nuvem ou sentido
Só vejo alma ou céu despido
Do que se desfez no ar.

15/06/1933

sexta-feira, 10 de maio de 2019

QUINTA COLUNA Nº. 3: CIDADE DAS ROSAS

Em 2011, o Presidente da Câmara de Serpa, João Rocha, pediu-me um parecer quanto à viabilidade de se proceder à escavação e valorização de um sítio arqueológico, no concelho de Serpa. Não se procurava um local à toa, mas sim O sítio. Ponderados vários fatores – acessos, potencial científico, interesse paisagístico -, indiquei a Cidade das Rosas como sendo o local de maior interesse. E o mais fácil de abordar, num horizonte temporal curto.

O que é a Cidade das Rosas e onde fica? O nome é bonito e esse é o primeiro dado que joga em seu favor. Tem o código nacional de sítio 24 e começou a ser escavada por José Olívio Caeiro (1949-2009). As campanhas foram-se, ao longo de décadas, sem que um projeto de raíz tenha sido construído. José Caeiro publicou, sobre o sítio, breves notas: em 1978, em 1987 e em 1995, nas atas de um congresso e em publicações periódicas. Maria da Conceição Lopes integraria, mais tarde, esta estação, e as que lhe estão associadas em dois estudos que continuam a ser as obras de referência para este território: Arqueologia do Concelho de Serpa (1997) e A Cidade Romana de Beja. Percursos e debates acerca da "civitas" de Pax Ivlia (2003). Em 2006, José Norton, João Luís Cardoso e A. Barros e Carvalhosa publicaram ânforas provenientes do local. A Cidade das Rosas é uma villa romana (habitação de uma grande propriedade), que teve ocupação continuada até ao período califal. Não se pode falar em modelo ou em padrão, mas é uma realidade que constatamos noutros sítios arqueológicos do sul. Ou seja, muitas grandes propriedades não foram abandonadas na Alta Idade Média. Já bem dentro do período islâmico, sítios como Milreu, Cerro da Vila, Alto do Cidreira, Cidade das Rosas etc. continuam a ser habitados.

Alguns materiais islâmicos desta última foram publicados por Manuel Retuerce no Congresso de Cerâmica de Toledo, em 1981. As deambulações feitas por uma peça cerâmica e por um cabo de faca em osso dariam pano para mangas. Não é, contudo, esse o tema do presente texto.

A Cidade das Rosas fica bem perto de Serpa, à distância de uma légua e à vista de que passa na estrada. Mesmo em frente está o Lagar da Herdade Maria da Guarda. Em março de 2012, manifestei a João Rocha o interesse em, em conjunto com Maria da Conceição Lopes, iniciar um projeto de investigação sobre a Cidade das Rosas. A intenção foi recebida com agrado tanto pelo autarca com por João Cortez de Lobão, proprietário do local. O mandato autárquico 2013/2017 interrompeu este processo.

No início de 2018, foi anunciado, pela Câmara de Serpa, o iminente arranque de um projeto para a Cidade das Rosas. Foi uma boa notícia. O sítio tem uma belíssima localização e o proprietário é uma pessoa que tem sensibilidade para estes temas. O potencial é enorme e um dia terá de ser concretizado. Não só através da continuação dos trabalhos iniciados, há já 40 anos!, por José Caeiro, como pelo alargamento da escavação a outros sítios, que potenciem uma explicação global da Cidade das Rosas. É coisa para uns bons 20 anos.

Aguardo, aguardamos todos, com interesse, expetativa e entusiasmo, o arranque das escavações, uma vez que em 2018 nada aconteceu. Provavelmente será em 2019 que se vai dar o primeiro passo. Virão, depois, o evoluir dos trabalhos, as publicações e o programa de divulgação do sítio.

Crónica publicada hoje, no "Diário do Alentejo"

quinta-feira, 10 de maio de 2018

POR TERRAS DE SERPA

O colóquio foi há umas semanas. Encontrei agora registo dele no boletim municipal de Serpa. Companheiros de mesa: Pedro Barbosa (arguente da minha tese de mestrado) e Joaquim Boiça, colega e amigo das lides de Mértola. Tenho várias histórias que, na minha carreira, estão sempre quase: uma certa biblioteca municipal, um certo sítio arqueológico...

Regressarei a Serpa, seguramente.

sábado, 26 de março de 2016

KEITH HARING EM SERPA

Quinta à tarde foi dia de ir a Serpa, à inauguração do novo museu arqueológico. E de dar um abraço de parabéns ao meu colega e camarada Tomé Pires e aos colegas da vereação. É uma intervenção que vem dar nova vida à alcáçova, dez anos depois do espaço ter sido encerrado ao público. Uma intervenção interessante e que enquadra bem a história do concelho. Foi uma tarde de surpresas. Permitiu-me conhecer pessoalmente o arq. Alberto de Souza Oliveira (cuja obra admiro - v. aqui). Soube, depois de uma breve conversa com ele, que elaborou um nunca concretizado projeto para Moura, nos anos 70. Prometeu que me enviaria alguns desenhos, para uma exposição que o meu amigo João Catarrunas tem em preparação. Deparei, em pleno museu, com mais uma peça, que julgava desaparecida, referente à Ecclesia Santa Maria Lacantensia, o sítio religioso que explica o nome de Moura na Alta Idade Média (v. aqui). Fui celebrar condigna e intimamente o facto, noite dentro, Salúquia fora, com dois amigos de longa data.

Punch-line: no pátio da alcáçova, um cimácio da Antiguidade Tardia apresentava caprichosos, e algo toscos, desenhos vegetalistas, sugerindo folhas. Na realidade, a primeira evocação foi a de Keith Haring, o que não é uma coisa inédita, uma vez que já antes o "referenciara" na Amareleja (v. aqui)