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domingo, 1 de março de 2026

O TURISMO E OS OUTROS, QUE SOMOS NÓS

“Olha para isto! Olha para isto!”, acotovelava-me Cláudio Torres. Andávamos algures entre a cidade antiga de Tânger e a zona nova. Era perto da hora do almoço e uma multidão de gaiatos saia da escola. Uma torrente de juventude e de alegria varria as ruas da cidade marroquina. “Já viste? Isto lá já acabou. São estes é que nos vão salvar”. Vivia-se o verão de 1999 e tanta juventude (só veria algo semelhante, anos mais tarde, na Guiné-Bissau) começava a rarear por cá. Aquela frase “são estes é que nos vão salvar” só anos mais tarde me faria total sentido, mas o Cláudio sempre teve aquela particularidade de ver muito longe.

 

Nos tempos de juventude, gostava de vagabundear, solitariamente, horas a fio, pelos bairros antigos de Lisboa. Corri, muitas vezes, as ruas de Alfama. Ao ali regressar, em 2021, para me fixar no meu local de trabalho (no limite entre Alfama e a Graça) constatei, com consternação que a cidade antiga quase morrera. Crianças não há, os velhos são poucos, os portugueses uma raridade. Há alojamento local, há turistas, há edifícios em obras. Os operários são, maioritariamente, imigrantes. As coletividades definham, as velhas tabernas desapareceram para dar lugar a tretas de “wine and food”. O génio do lugar desapareceu e não voltará.

 

Ao passar, há dias pela Rua de S. João da Praça, entrei no túnel do tempo. Recuei 30 anos. Conduzia um grupo de amigos franceses, mais velhos, pelas ruas de Alfama. Ao acaso, ainda não havia lojas para turistas e eram poucos os “restaurantes típicos”. Em plena rua estava um grelhador com sardinhas. O cozinheiro não estava à vista. E ei-lo que sai, quase em passo de corrida, do seu estabelecimento, de tesoura ainda em punho, para, num golpe rápido, mandar uns borrifos de água para o grelhador e virar as sardinhas. Era o barbeiro que, no meio do atendimento, preparava o almoço. Depois regressou, para dentro da barbearia, no mesmo passo rápido.

 

Os amigos franceses ficaram extasiados, como os grupos de excursionistas sempre ficam, quando desembarcam em sítios longínquos e exóticos e veem coisas que, nos países civilizados, fazem parte dos livros de histórias.

 

Não podemos, seguramente, desejar um mundo congelado no tempo. Muito menos podemos pensar que seria conveniente que não houvesse turistas. Era só o que faltava. Mas a verdade é que esta avalanche, sem a contrapartida juvenil que África ainda tem, levou tudo à frente. Por aquelas bandas ficámos sem os sítios que são o espelho de nós próprios. E que são a nossa identidade. Como a taberna com colunas de ferro forjado onde acabei por almoçar com o grupo gaulês, perto do Chafariz d'el-Rei. Passei por lá há semanas. O sítio tinha vestido um ar sofisticado. Não entrei. Fui afogar as mágoas prandiais do “Pitéu da Graça”, onde os turistas ainda não chegaram em avalanches. Não servem pizzas, nem lasanha, nem hambúrgueres, nem tacos, nem sushi. Só coisas decentes, como vitela no tacho, filetes de peixe galo, petingas fritas, bacalhau com todos...

 

Fico sempre a pensar quanto tempo mais teremos sítios assim. E quando é que, à força do turismo, passaremos, de vez, a ser apenas os outros.


Crónica em "A Planície"







terça-feira, 30 de dezembro de 2025

A MAIS COMPLETA INCOMPETÊNCIA

Ante públicas denúncias sobre o estado de ruína do Convento do Carmo, já começou a choradeira sobre as culpas do Poder Central (e esperem que ainda vai sobrar para a CDU e para 2017 e para mim e para sabe-se lá mais o quê...) e sobre a tristeza e a amargura etc.

Muito claramente, sobre esta matéria, recordo o que já escrevi e reafirmo:

Desde outubro de 2017, com o PS à frente da Câmara, o processo do Convento do Carmo tem sido um desvarioFoi desenvolvido um projeto para um hotel de cinco estrelas, que previa a construção de anexos e obras profundas no subsolo. Ao tomar conhecimento do projeto, pensei “isto vai dar problemas”. Porquê? Porque espaços ligados a conventos têm sempre cemitérios, normalmente com muitas centenas de corpos. Estes trabalhos arqueológicos são, por norma, demorados e caros. Antes de se avançar para um projeto desta dimensão conviria olhar o terreno, estudar as suas condições específicas, consultar os técnicos e só depois decidir. Fez-se o contrário.

A culpa não é da arqueologia nem dos arqueólogos. A culpa é de um executivo camarário (presidente e vereadores PS) sem preparação nem conhecimentos. A impreparação custa cara.


Depois de tantos anos envolvido na reabilitação urbana de Moura, tudo isto me causa uma pena imensa. Ainda por cima, com a convicção que com outra equipa à frente da Câmara teria havido trabalho e resultados. Tal como aconteceu no passado. Com menos folclore, menos Domingão, mas mais concretizações.


Portanto:

A culpa não é dos arqueólogos;

A culpa não é dos técnicos;

A culpa não é do Departamento Técnico;

A culpa não é do(s) governo(s);

A responsabilidade total deste imbróglio é da mais absoluta incompetência das equipas autárquicas do PS que, desde 2017, estão à frente do nosso concelho.


Um certeza. Com uma Câmara CDU (fosse o presidente o André, o José ou o Santiago) isto não aconteceria. Tenho provas do que digo. Ponto.



segunda-feira, 25 de agosto de 2025

MOURA NA "BUSINESS INSIDER"

Moura é motivo de destaque na "Business Insider". Qual a razão?

O jardim, o castelo (visitável desde 2004, obra de uma gestão CDU) e a Mouraria (obra de recuperação de uma gestão CDU) são os pontos de referência: "I absolutely love walking along the tight network of narrow streets lined with low-slung, white-washed houses, many ornamented with colorful flower pots".

Uma pequena história sobre os vasos de flores: em 2016, um destacado membro do Partido Socialista de Moura veio propor (quase reivindicar), numa reunião tida no meu gabinete, que, por razões de segurança, fossem removidos os vasos de um dos lados da rua. Explicou-me, pedagógico e sapiente, que se uma ambulância tivesse de passar, os vasos seriam uma obstrução à circulação e, inclusivamente, poderiam ser destruídos.

Ou seja, ante a popularidade de uma iniciativa que tivéramos, vinham sugerir que fossemos nós a acabar com ela...

Quem me conhece minimamente sabe da pouca pachorra que tenho para este tipo de tretas. A minha resposta foi, ante algum embaraço dos presentes, curta e grossa:

"Não há problema. Se houver uma emergência, podem partir o que for preciso. Os vasos todos, se necessário. No dia seguinte, colocamos lá outros"

A reunião terá durado uns 5 minutos, não mais.

Ver:

https://www.businessinsider.com/best-region-to-visit-portugal-alentejo-nature-beaches-food-2025-8?utm_medium=social&utm_campaign=business-sf&utm_source=facebook&fbclid=IwY2xjawMZBwZleHRuA2FlbQIxMQABHl-1yd5adoCji6FZETBxrrDC8iH6EInygsGOerX3mZRi5EeTUvXXovUAHRiC_aem_hRhiYEHsbbHod52Ge06-HA#moura-is-a-small-city-that-features-charming-narrow-streets-of-white-washed-homes-2



quinta-feira, 19 de junho de 2025

GIBRALEÓN

De repente, deu-me para ir à procura das coisas antigas de Gibraleón, a Jabal Uyun das fontes escritas árabes. Arrastei até lá uma pequena comitiva. Uma manhã inexplicável.

A visita teve detalhes pícaros - como o de um funcionário do ayuntamiento a fotocopiar um folheto turístico tirado de uma caixa onde haveria umas boas dezenas de exemplares - e outros insólitos:

Iglesia del Carmen - cerrada.

Iglesia de San Juan - cerrada.

Convento de Ntra. Sra. del Vado - cerrado.

Iglesia de Santiago - cerrada.

Castillo - cerrado, por supuesto.

Balanço da manhã: compra de um maço de cigarros (não para mim) e de uma garrafa de água. Turismo tabágico-aquífero.


quarta-feira, 21 de agosto de 2024

NA TRAVESSA DO MEIO

Almoço, com frequência, num pequeno restaurante na Rua do Paraíso. Fica a 150 metros de Panteão. O percurso é feito sempre pela Travessa do Meio. As casas são antigas, mas a vizinhança do bairro é cada vez em menor número, empurrada pelo "alojamento local". Tenho reparado que os estendais que resistem são, quase sempre, nos pisos superiores... Não será por muito tempo mais, suspeito. Em Alfama não há crianças e, em breve, não haverá velhos.

A fotografia foi feita às 13:30 de ontem. Há três anúncios de vendas de casas, num curtíssimo troço de rua. Segundo o site idealista há quase 12.000 casas à venda em Lisboa. Resta saber para quem...


quinta-feira, 15 de agosto de 2024

DAS DUAS, UMA...

Ou a notícia não é verdadeira 

Ou há aqui uma algarvização intensiva de um território... E logo onde!



quarta-feira, 26 de junho de 2024

A ÁGUA DE OURO DOS RESTAURANTES ALGARVIOS

Aconteceu-me recentemente, em dois restaurantes da região algarvia. Pedi uma garrafa de água de 75 cl. Serviram-me água em garrafa de vidro "descaracterizadas". Era água da torneira. Na hora de pagar a conta; 2,70 €. Ou seja, naqueles restaurantes, um na Galé, outro nas Sesmarias (Albufeira). Continhas feitas, água a 3.600 euros o metro cúbico. O Turismo no Algarve tem disto...

Ao menos podiam servir a água em cristal da Boémia. Mas não.

quinta-feira, 23 de maio de 2024

LXVI - CRÓNICAS OLISIPONENSES: O SOM E A FÚRIA

Turismo matinal na Calçada do Forte: TRRRRRRRRRRRRR...TRRRRRRRRRRRRR...TRRRRRRRRRRRRR...TRRRRRRRRRRRRR...TRRRRRRRRRRRRR...TRRRRRRRRRRRRR...TRRRRRRRRRRRRR...TRRRRRRRRRRRRR...TRRRRRRRRRRRRR...

Um verdadeito concerto móvel a caminho de Santa Apolónia.

Em Dubrovnik terão feito o que prometeram?

sábado, 20 de abril de 2024

NÃO FOSSEM OS MANDATOS DA CDU...

E não teria havido:

* A obra da Mouraria;

* A casa dos poços;

* O Museu Gordillo;

* A reabilitação da Torre de Menagem;

* O jardim das oliveiras;

Ou seja, os jornalistas da "Visão" viriam a Moura ter visões.

Nos últimos sete anos, o que se criou, a este nível, em termos de reabilitação urbana? ZERO.


sábado, 24 de fevereiro de 2024

O RETIRO DO ERNESTO - LUXLIFE X 2

Um restaurante de/em Moura foi distinguido pela LuxLife. Não é a primeira vez.
Em 2023 - Best Hidden Gem Restaurant of the Year
Em 2024 - Best Cultural Gastronomy Experience 2024 – Alentejo
Já lá mandei familiares várias vezes. Correu sempre muito bem. Só consegui vaga uma vez. Isso é bom sinal, afinal de contas.
Parabéns!


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

TURISMO EM MAIS QUE QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Numa das minhas recentes passagens por Moura um velho amigo ofereceu-me um folheto turístico da terra. Constatei, divertido, que o que há para ver é fruto das intervenções realizadas durante a gestão da CDU. É isso que é mostrado dentro e fora de portas. Fico contente, sinceramente, por ter feito parte de equipas que remoçaram a imagem da terra.

Por isso digo que o turismo está em mais que quarta-feira de cinzas. Nada de relevante e de novo foi feito. Não é que não queiram fazer. Lá querer, querem. Só que, infelizmente, não sabem nem são capazes. É pena.


segunda-feira, 31 de julho de 2023

A PARTIR DE AMANHÃ

As Jornadas começam amanhã. Hoje de manhã havia menos gente no metro (linha azul). Mas há pessoas envolvidas nas jornadas por toda a parte.

Naquele sítio que se vê no lado direito do vídeo promocional estamos preparados. E na expetativa...


quinta-feira, 11 de maio de 2023

FORTALEZAS DE FRONTEIRA

É hoje, entre as 10 e as 12. É sempre um prazer colaborar com o Turismo de Portugal. E esta é uma mias uma oportunidade para falar do projeto Duarte Darmas.

Para assistir:


quinta-feira, 4 de maio de 2023

VÊM AÍ OS TURISTAS! VÊM AÍ OS TURISTAS!

Restaurantezinhos popular, aqui perto do local de trabalho (não digo o nome).

Entra um casal nórdico (suecos, noruegueses, algo assim, pelo linguajar) bcbg. Começaram por se portar bem: uma dose de sardinhas assadas para cada um. Assim à homem, mainada. Depois a coisa descambou. Pediram água das pedras. Na mesa ao lado estava um trabalhador de umas obras ali perto, habitué do sítio, despachando uma travessa de dobrada com meio litro de tinto. Olharam para ele com curiosidade zoológica. Para mim nem tanto, ninguém liga a pré-velhotes. Ainda eu estava com alguma esperança no universo quando o dono lhes apareceu com um galheteiro com azeite. Esbracejaram muito horrorizados, que não!, que não! Então não querem ver que aquelas almas comeram as sardinhas assim peladas, sem tempero?

Comentei o facto com o dono do restaurante. O melhor foi a resposta dele. Olhou para mim e disse: lá na cozinha eu já tinha posto um pouco de azeite. Chama-se a isso sapiência, digo eu.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

TURISMO: QUANDO O FUTURO TEM UM LINDO E PROMISSOR PASSADO

O texto data de 2007. Reproduzo-o, abstendo-me de comentários:

"No passado dia 6 de Agosto pelas 20,30 horas no Auditório Municipal de Reguengos, o Conselho de Administração da SAIP (Sociedade Alentejana de Investimentos e Participações SA) apresentou publicamente o projecto Parque Alqueva, numa sessão organizada pela Câmara Municipal de Reguengos, aberta ao público e presenciada por cerca de uma centena e meia de pessoas.

Na sessão estiveram presentes, Victor Martelo Presidente da Câmara Municipal de Reguengos, José Roquette, presidente do Conselho de Administração da SAIP, Luís Correia da Silva, presidente da Comissão Administrativa da SAIP e Maria Leal Monteiro, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, entre outras individualidades.

O Parque Alqueva é um empreendimento turístico considerado de Potencial Interesse Nacional (PIN) pelo governo e vai ser construído no concelho de Reguengos de Monsaraz, num investimento próximo de mil milhões de euros.

O Parque Alqueva, empreendimento turístico que vai criar cerca de dois mil postos de trabalho directo e que deverá iniciar a sua construção nos próximos meses, pretende desenvolver-se em três herdades no concelho de Reguengos de Monsaraz, apresentando conceitos diferentes em cada uma delas. Cultura e sofisticação na Herdade do Roncão, vivência bucólica na Herdade das Areias e vivência activa na Herdade do Postoro. Nestas comunidades, serão construídos sete hotéis, quatro campos de golfe, aldeamentos turísticos com villas, townhouses e apartamentos, clube de golfe com Health & Fitness, Spa, salão de jogos, restaurante, bar, salas para reuniões e espaço social, centro equestre, campo de férias, praia fluvial, porto de recreio, comércio e serviços. Para além destas infra-estruturas, o Parque Alqueva terá ainda agricultura biológica, quinta pedagógica, observatório de avifauna e percursos de observação da natureza, um centro desportivo com ginásio, campo multiusos, anfiteatro, duas piscinas (interior e exterior), parque de actividades ao ar livre, trails e a possibilidade de praticar desportos náuticos, ténis, ciclismo, hipismo e tiro com arco, entre outros. Parque Alqueva cativa empresários locais Entretanto, numa atitude inédita no nosso concelho, o promotor do empreendimento, efectuou no dia 12 de Agosto, pelas 10:30 horas, no Auditório do Pavilhão Multiusos, durante a Exporeg, uma reunião de apresentação do Parque Alqueva aos agentes económicos, explicando a calendarização prevista para a sua implementação no terreno e as oportunidades de negócio que a economia do concelho e os empresários podem esperar do projecto turístico.

Alguns empresários confirmaram à nossa redacção que classificam esta atitude como muito positiva e que consideram que este exemplo deve ser seguido por outros promotores por forma a que os grandes investimentos turísticos previstos para a região não sejam desaproveitados pela economia local."

TURISMO: EM ODEMIRA, JÁ SE VENDEM PRAIAS...

A venda em si não é ilegal. Mas temos, em Portugal, legislação que não permite a privatização da costa (noutros países não é assim e por cá já tem havido algumas tentações). O chamado direito público hídrico não impede, contudo, que se vendem praias. Como é o caso desta, com anúncio numa conhecida imobiliária. Às vezes, o futuro não me parece lá grande coisa.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

HOTÉIS E ARQUEOLOGIA

É possível desenvolver projetos turísticos e arqueologia?

É.

É possível construir hotéis em sítios arqueológicos?

Sim.

Basta que se saiba o que se está a fazer. Na Turquia, na Holanda, em Portugal (em Lisboa e em Mértola) valorizou-se o Património e fizeram-se hotéis. É tudo, repito, uma questão de conhecimento e de planeamento. Fazer as coisas de qualquer maneira nunca dá bom resultado.





sexta-feira, 1 de julho de 2022

O CONVENTO DO CARMO, ARQUEOLOGIA E INVESTIMENTO

Conheço muito bem o processo de recuperação do Convento do Carmo.

Foi no dia 10 de julho de 2017, já lá vão cinco anos, que se assinou o protocolo que permitia integrar o convento num programa de apoio e de recuperação, colocando o imóvel ao serviço do turismo.


Eu era presidente da câmara na altura e tive o prazer de ouvir a Secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho (hoje ministra) dizer que Moura foi o primeiro município no País a ter um imóvel incluído no REVIVE. Até então só os edifícios do Poder Central integravam este programa.


Cinco anos já lá vão. Surgiu, entretanto, um investidor. Até aqui nada a dizer. O pior veio depois. Foi desenvolvido um projeto para um hotel de cinco estrelas, que previa a construção de anexos e obras profundas no subsolo. Ao tomar conhecimento do projeto, pensei “isto vai dar problemas”. Porquê? Porque espaços ligados a conventos têm sempre cemitérios, normalmente com muitas centenas de corpos. Estes trabalhos arqueológicos são, por norma, demorados e caros.


Ante uma escavação já longa e dispendiosa, resolveu o investidor recentemente suspender os trabalhos e procurar uma nova solução. O que se passou e o que deveria ter sido feito?

Uma coisa muito simples: evitar movimentos de terras mais complexos em zonas com este grau de sensibilidade. Tenho vários exemplos de projetos em que participei e em que este aspeto foi ultrapassado, cumprindo escrupulosamente a legislação e fazendo com que a arqueologia contribuísse de forma positiva para a valorização de edifícios e de sítios.


O problema não está nos competentes arqueólogos que participaram nas escavações no Carmo. Mas sim na impreparação técnica de decisores políticos que primeiro disparam e depois perguntam. Ou seja, antes de se avançar para um projeto desta dimensão conviria olhar o terreno, estudar as suas condições específicas, consultar os técnicos e só depois decidir. Isto, muito claramente, antes de iniciar qualquer escavação arqueológica. Falando claro, as vereações socialistas tomaram, desde 2018, DECISÕES ERRADAS neste processo. E isso teve /está a ter um custo pesado.


É possível a recuperação de imóveis? Sim.

É desejável que sejam colocados ao serviço do turismo? Sim.

É importante contar com a participação de investidores, do Turismo de Portugal e da autarquia? Claro que sim.


Tudo isso é possível e necessário. Mas isso não se faz somando erros sobre erros e vindo depois dizer “a culpa é da arqueologia”. Não é, senhor presidente da câmara. A culpa é sua. A verdade é essa e não vale a pena querer ocultá-la detrás de fantasmas.


Leciono, na Universidade Nova de Lisboa, um seminário de mestrado que tem por título “Gestão e Proteção do Património Arqueológico”. O caso do Convento do Carmo vai ser dado aos alunos como exemplo do que não deve ser feito.


Texto publicado hoje em "A Planície"


domingo, 25 de julho de 2021

UM MONUMENTO NO CORAÇÃO DE LISBOA

A campanha é de promoção do nosso turismo. Cerca de metade do clip tem o Panteão Nacional como protagonista. A escolha deixou-me contente e o resultado mais ainda. Um longo voo culminando no zimbório, de onde se tem a melhor perspetiva sobre a Lisboa oriental.

As imagens são inspiradoras, de facto. E lançam ideias para o futuro. De momento, interessa termos um monumento no coração da cidade.



quinta-feira, 18 de março de 2021

STARDUST MEMORIES Nº. 49: MONT-GROS-SUR-MER

Tentei, no outro dia, explicar a um amigo, 30 anos mais novo, como era o sítio onde hoje está o Casino de Monte Gordo.

Não é fácil explicar em palavras o que já não existe. A minha explicação também não foi grande coisas: janelões em vidro, superfícies circulares, arquitetura modernista, um edifício bonito. E os autocarros da Olhanense, vermelhos e azuis, que apanhávamos ali perto.

Quando lá passei férias, em julho de 1995, já não havia café, só Casino, desde há muito. Aqui fica, em recordação de tempos idos, este postal.