sexta-feira, 24 de abril de 2026
EQUUS
O cavalo (Natália Correia)
Teus poros exalam o fumo
Tudo existiu para que fosses
Pois que te é divino mister
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
QUASE NATAL
Ocasião para recordar esta obra de Diego Rivera (1886-1957).
Simbolismo, tradição e fé. Há obras (Rivera) e sítios (México) onde toda a criatividade é possível.
domingo, 14 de dezembro de 2025
ANDRÉ CHENIER
Figura trágica da Revolução Francesa, André Chénier (1762–1794) foi imortalizado numa tela de Charles Louis Müller (1815–1892) e pela ópera, com o seu nome, de Umberto Giordano (1867–1948), composta em 1896.
Nunca tinha assistido a uma representação de Andrea Chénier. Aconteceu ontem. Com duas portentosas interpretações da búlgara Sonya Yoncheva e do polaco Piotr Beczała.
sábado, 13 de dezembro de 2025
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
CAMÕES
Dar visibilidade a uma peça quase "invisível". A tapeçaria encontra-se, normalmente, numa zona de acesso restrito de Caixa Geral de Depósitos. Vai agora ser vista, no Panteão Nacional, por milhares de pessoas (estimamos entre 30 a 35.000). Celebremos Camões e celebremos a Arte de José de Guimarães.
terça-feira, 4 de novembro de 2025
REVIVER O PASSADO NO LUMIAR
Rever episódios ocorridos há 45 anos... Algo que não me passaria pela cabeça há uns tempos. Foi ontem, num estúdio televisivo algures no Lumiar, onde fui entrevistado. Um passeio pela memória, pela carreira no cinema que não aconteceu, por um documentário que ficou 33 anos por concluir, pela mais difícil das minhas exposições, por muita coisa que aconteceu e que recordei com gosto.
Ficarei a aguardar o resultado com redobrado interesse.
terça-feira, 30 de setembro de 2025
ÚLTIMA FESTA DO CONCELHO
Ontem, foi dia de ir à Póvoa de S. Miguel. É a última das festas religiosas do concelho. Foi-me recordado, várias vezes, que nunca falho a ida à festa da Póvoa. É quase verdade. Desde 2005 não terei ido uma ou duas vezes.
S. Miguel Arcanjo derrotando Satanás - Guido Reni (1635)
sábado, 20 de setembro de 2025
O BARBEIRO NEGRO DO SUEZ
"Mergulhado" no orientalismo (e na digitalização de milhares de imagens... algum dia seria) dei com esta pintura de Léon Bonnat (1833-1922), pintada no Suez, em 1876. Léon Bonnat tinha um registo académico, mas aqui tem uma abordagem que é tudo menos convencional. E que é uma bela pintura.
Não consegui localizar o quadro. As informações são contraditórias. Aparentemente, estará num museu privado, nos Estados Unidos.
sexta-feira, 12 de setembro de 2025
PINTURA CAIROTA
"Guardas à porta do túmulo" é uma pintura orientalista que está na National Gallery of Ireland. O seu autor é Jean-Léon Gérôme (1824-1904) que conheceu bem o Levante Mediterrânico. Ao ver o quadro não pude deixar de me lembrar de um belo filme de Sérgio Tréfaut, "A cidade dos mortos". E não pude deixar de me interrogar sobre o início do uso habitacional dos jazigos no Cairo.
quarta-feira, 20 de agosto de 2025
GAILEARAÍ NÁISIÚNTA
Gailearaí Náisiúnta é o nome, em gaélico, da galeria nacional de Arte da Irlanda. Um excelente museu e uma viagem importante pela arte europeia. Parte da coleção foi construída já no século XX, quando a Irlanda não navegava propriamente num mar de prosperidade. Em Portugal não fizemos nada disso. Tivémos Salazar, nada mais. E a palavra cosmopolitismo passou a ser proibida despois de 1926.
Chamou-me a atenção este quadro de telhados na Checoslováquia, pintado no início da década de 20 por Mary Swanzy (1882-1978). O expressionismo, que curoiosamente não vi associado ao nome da pintora, mostrava-se. Antes de ler a legenda pensei que fosse um trabalho de um artista alemão...
sexta-feira, 6 de junho de 2025
ARCO 25
sábado, 31 de maio de 2025
CECI N'EST PAS UN PANTHÉON
Até dia 31 de agosto. Imagens e o meu texto para a exposição:
LAWRENCE WEINER NO PANTEÃO NACIONAL
Ceci n’est pas un Panthéon, seríamos tentados a dizer ante a profusão de palavras na obra de Lawrence Weiner, que se abre aos nossos olhos.
As palavras na pintura, como na aludida obra de René Magritte, não são coisa recente. Numa célebre “Anunciação”, pintada por Simone Martini e Lippo Memmi cerca de 1330, lemos as palavras do anjo “Ave Maria, gratia plena, dominus tecum”. Não sendo novidade, não são também frequentes. Assumem valor de auxiliar de narrativa em Roy Lichtenstein e ganham caráter panfletário em obras como “Alabama”, de Robert Indiana. Contudo, só com Lawrence Weiner a linguagem está no centro da produção artística. O próprio dizia que o seu trabalho era a linguagem, mais os materiais que lhe dizem respeito.
Era, por isso difícil, encontrar melhor cenário do que o ambiente barroco do Panteão Nacional para este “Around the world”. Pela escala monumental do edifício e da obra de Lawrence Weiner, pelo que representam alguns dos navegadores aqui homenageados, pela cúpula celeste que nos domina. O Equador e a Viagem são temas próximos a muitos dos que aqui se encontram.
Na narrativa “Embaixadas em Bizâncio”, Liutprando de Cremona descreve, em meados do século X, como o imperador Constantino Porfirogeneta se fazia elevar à cúpula do palácio, tornando-se a presença da Deus na Terra. Não é esse o nosso espaço. Nem sequer, sendo este um espaço mortuário, “a cúpula imensa dum sepulcro enorme” do poema de Antônio Castro Alves. A nossa cúpula é terrena e viva e fica maior, melhor e mais próxima do mundo com a obra de Lawrence Weiner.
Santiago Macias
Diretor do Panteão Nacional
quarta-feira, 7 de maio de 2025
PASCOAL VILHETE
Não gostei nada da exposição, mas esta pintura é fantástica. Intitula-se "Tragédia do Marquês de Mântua" ou ""Tchiloly" e é obra d Pascoal Viana de Sousa Almeida Viegas Lopes Vilhete ("Canarim"), são-tomense, nascido em 1894 e falecido nos anos 70.
O quadro tem legenda explicativa, numa lógica de ex-voto.
domingo, 13 de abril de 2025
GARE DE ALCÂNTARA
Finalmente abertas! As gares marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos podem ser visitadas. Todo o talento de Porfírio Pardal Monteiro e de Almada-Negreiros à nossa frente. Em especial na de Alcântara (a outra fica para daqui a umas semanas), onde há um centro interpretativo que enquadra a gare na história portuguesa e nas obras do arquiteto e do artista plástico. Há entrevistas curtas muito boas em imagens e há filmes muito bons sobre a obra de Almada em Lisboa.
O pior disto? A gare continua emparedada entre contentores... E para lá chegar temos de fazer uma gincana entre rotundas improvisadas e pavimentos em mau estado.
terça-feira, 8 de abril de 2025
NATURALISMO LUSITANO
Não tinha uma ideia muito precisa da pinacoteca da Casa-Museu Anastácio Gonçalves. O edifício é hoje invisível, depois da construção da Torre FPM 41. Chegar lá é um zigue-zague, numa paisagem urbana que já se quis parisiense e que hoje não é coisa nenhuma.
Lá dentro há naturalistas. Há João Vaz e há Silva Porto (cf. infra). Quanto mais olho, mais gosto. Fico sempre, talvez de forma errada, com a sensação de estar ante uma geração que ficou meio perdida e que não tem o destaque que merece.
segunda-feira, 7 de abril de 2025
PIRÂMIDES
Sob o signo do sol. O deus RA é o deus do sol e, assim se lê, a mais importante divindade do panteão egípcio. Foi RA a inspirar Rui Toscano, que nos mostra luz e as pirâmides na exposição na galeria Cristina Guerra. O que me leva a evocar outra fotografia - literalmente inesquecível - de Paulo Nozolino.
https://www.cristinaguerra.com
quarta-feira, 26 de março de 2025
MACAM
MACAM x 2.
Escolhi duas peças da extraordinária coleção reunida por Armando Martins e que está no novíssimo museu lisboeta.
Uma vanitas, de John Baldessari (1931-2020), que espero poder levar um dia ao Panteão Nacional, e uma marinha, de João Vaz (1859-1931), que nunca tinha visto e que é excecional, foram as minhas escolhas do dia.
Ver: https://macam.pt/pt
Vanitas Series: Bird, Pomegranate / Cool (Short Depth of Field) Bubbles
/ Bird, Bowling Ball (Warm) [Série Vanitas: Pássaro, Romã /
Frio (profundidade de campo curta) Bolhas / Pássaro, Bola de
Bowling (Quente)]
segunda-feira, 17 de março de 2025
HENRIQUE MEDINA EM HOLLYWOOD
Foi um pintor muito académico e muito convencional, que conheceu assinalável sucesso nos anos 40 e 50 de século XX. Chamou-se Henrique Medina (1901-1988) e jaz hoje no esquecimento. Destacou-se como retratista. Numa vida passada entre muitos países, há um aspeto curioso a sublinhar, o da sua colaboração com o cinema, em Hollywood. É dele o retrato de Greer Garson que está no filme Mrs. Parkington (que não vi), tal como é dele uma das peças principais do filme O retrato de Dorian Gray, de Albert Lewin (esse vi, e é uma obra bastante razoável, com algumas pretensões).
quinta-feira, 6 de março de 2025
A FONTE DA JUVENTUDE
Entro na Biblioteca da Faculdade de Letras. Ia meio embezerrado. Esquecera-me de verificar uma citação no al-Bayan al-Mugrib e tive de ir lá só por causa de isso. Ainda por cima, é uma obra antiga e que não está em livre acesso. O embezerramento passou quando a funcionária, para pedir o livro ao depósito, me perguntou: "sabe o seu número de aluno?".
Decididamente, não tenho ar de professor. Ou então, é aquilo da fonte da juventude.
Quadro de Lucas Cranach, o Velho, pintado em 1546. Está na Gemäldegalerie, em Berlim.
terça-feira, 4 de março de 2025
NOCTURNO
Fui, recentemente, ao Centro de Arte Moderna. E o que mais gostei foi desta obra de António Carneiro. Um nocturno, de 1911. Um óleo sobre tela, que pertenceu à coleção de Jorge de Brito.
Um quadro que (me) prenuncia quarta-feira de cinzas.
