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domingo, 20 de setembro de 2026

ARTE A SUL

João Reis (1899-1982) pintou a barra do Cuanza em meados da década de 60. As suas magníficas obras podem ser vistas no Museu Santos Rocha, na Figueira da Foz. África foi-lhe decisiva, numa fase tardia da vida. Nunca é tarde. Há muitas imagens do Magrebe, por onde também andou.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

EQUUS - DENTRO DE UMA SEMANA

Aposta do Panteão Nacional para o outono, e no centenário do nascimento de Júlio Pomar. A partir da obra TROPEL escolhemos cerca de dezena e meia de outras peças. Não foi fácil desenvolver este projeto, a partir da baias tão estreitas. Depois, tivemos a ajuda de dois colecionadores particulares. Um golpe de sorte, que permitiu localizar cerca de uma dezena de desenhos/estudos inéditos que estiveram na base do TROPEL.

O compromisso não foi fácil, nem isento de dúvidas. O tema acabou por ser EQUUS. De cavalos e de ecos (16 segundos de reverberação na nave central do Panteão), numa quase homofonia.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

TERESA GANCEDO

Teresa Gancedo (n. 1937) é uma das minhas pintoras "fixas" na ARCOLisboa. Fico sempre hesitante, se a sua pintura me evoca um ex-voto. Ou os temas da Arte Popular, o que é um pouco a mesma coisa. Ou tapeçarias orientais. Em todo o caso, aqui fica o registo.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

POUSÃO, AINDA E SEMPRE

Nunca tinha visto este pequeno óleo sobre cartão. Não tenho dele qualquer memória. Vi-o, há dias, no Museu Nacional de Arte Contemporânea. A vida curta de Henrique Pousão (1859-1884) não permitiu mais do que uma produção não muito extensa, que nos dá uma ideia da sua genialidade, cortada pela doença.

Esta imagem é de Capri, mas podia ser de qualquer outro sítio no Mediterrâneo.

Como escreveu Raquel Henriques da Silva: registem-se os estudos para Casas brancas de Capri, imobilizando os volumes mediterrânicos sobre os valores ‘dissonantes’ da atmosfera e da vegetação cujas sombras materializam uma espessa luz colorida, segundo a poética pessoal que o pintor desenvolveria na obra final.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

TROPEL

Começa julho. E prepara-se setembro, que agosto é mês que "não conta". Depois do desgaste de "Modos de ver", o verão irá acabar com Equus, os ecos da obra de Júlio Pomar. Estudos e obras terminadas. Entradas de toiros, corridas e bandarilheiros. Hoje esses temas já não são tema... Há que recuperá-los.



segunda-feira, 8 de junho de 2026

SANTIAGO CUBIDES

Fiquei com a ideia que a ARCO não tinha muitas novidades.
O que me chamou a atenção?
O colombiano Santiago Cubides.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

O CHIC-NIC

Em “Agosto 1914”, Alexander Soljenistsine relata a visita de um nobre russo ao Louvre. Fazia-se acompanhar, na deslocação ao célebre museu parisiense, por um criado que transportava uma cadeira. Quando lhe apetecia apreciar Arte, numa determinada sala, dizia ao criado “la chaise, là” [a cadeira, ali] apontando o local onde queria ficar sentado. A aristocracia russa foi varrida em 1917. Os gestos de quem olha o mundo de cima é que não.
 
Lembrei-me dessa passagem do livro ao tomar conhecimento, há dias, da realização de um “chic-nic”, em pleno Parque Eduardo VII, em Lisboa. Por um valor entre 150 e 300 podia-se usufruir de uma parte do jardim – privatizado por umas horas -, degustando iguarias, preparadas por restaurantes caros, e ouvindo música. Cada um gasta o que lhe pertence como muito bem entende. E onde quer. Mas – e há aqui um enorme MAS – o que é que não se pode admitir?
·      Que um jardim público seja privatizado, ainda que por umas horas, para usufruto de uns quantos;
·      Que o acesso ao local seja, por isso, limitado;
·      Que o evento tenha financiamento público (75.000 euros), daí resultando que o que a todos pertence só para alguns reverta;
·      Que não haja um mínimo de sensibilidade social e se passe ao lado dos problemas do mundo real (numa cidade, a capital, de está de pernas para o ar);
 
Perguntará o leitor o que interessa isso a quem vive em Moura, a mais de 200 quilómetros do evento. Interessa também, num momento em que se tentam privatizar praias, em que se cortam caminhos percorridos historicamente pelas populações, em que o acesso aos campos é cada vez mais difícil, em que o que é de todos passa a ser usado apenas por alguns. Em tom proprietário e com desprezo pelos “de baixo”.
 
O “chic-nic” (fantástica e parola designação) é um sinal dos tempos. Da forma arrogante de exercer o poder, da total sobranceria ante os mais desfavorecidos. Há quem nunca aprenda.  Não resisto a recordar Maria Antonieta, a rainha que gostava de organizar piqueniques chiques (chic-nics, portanto) nos jardins de Versalhes. E que acabou por ser a protagonista principal de um evento coletivo na Praça da Concórdia, em Paris, em 16 de outubro de 1793. Como me comentou um amigo, monárquico!, “aquilo foi de perder a cabeça”.
 
Tanto desvario e tanta falta de humildade são um sinal evidente dos tempos que vivemos. Um certo “direito do mais forte à liberdade”, para usar livremente o título do filme de Rainer Fassbinder. Aos mais desalentados (e no meu ceticismo crónico não sou exatamente um “otimista”) recordo sempre que a História não acabou; que esta é a cava da onda; que constatamos o que, em astronomia, se designa por “movimento retrógrado aparente” – em que um planeta parece recuar visto a partir de um ponto fixo, mas tal não passa de uma ilusão de ótica. Como a própria História se encarregará de explicar.

Crónica em "A Planície"

A imagem é de um conhecido "nude-nic", pintado por Manet.




sexta-feira, 24 de abril de 2026

EQUUS

Júlio Pomar nasceu há 100 anos (10 de janeiro de 1926, para ser preciso). Os cavalos surgem em muitas das suas obras. Na átrio da sede da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa, há um enorme tropel. Voltarei a este tema, dentro de semanas.








O cavalo (Natália Correia)

Teus poros exalam o fumo
Do lar dos deuses de onde vieste.
Rompante de espuma e de lume
És sol quadrúpede ou mar equestre?
 
Desfilando derramas o ouro
Do teu rio inacabável,
Desmedido relâmpago louro
De um deus equídeo possante e frágil.

Tudo existiu para que fosses
No contraluz desta madrugada
Mitológica proporção perfeita
Em purpúrea bruma recortada.

Pois que te é divino mister
Humanos olhos extasiar
A dúvida é só perceber
Se vieste do sol ou do mar.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

QUASE NATAL

Ocasião para recordar esta obra de Diego Rivera (1886-1957).

Simbolismo, tradição e fé. Há obras (Rivera) e sítios (México) onde toda a criatividade é possível. 

domingo, 14 de dezembro de 2025

ANDRÉ CHENIER

Figura trágica da Revolução Francesa, André Chénier (1762–1794) foi imortalizado numa tela de Charles Louis Müller (1815–1892) e pela ópera, com o seu nome, de Umberto Giordano (1867–1948), composta em 1896.

Nunca tinha assistido a uma representação de Andrea Chénier. Aconteceu ontem. Com duas portentosas interpretações da búlgara Sonya Yoncheva e do polaco Piotr Beczała.

sábado, 13 de dezembro de 2025

UM OLHAR DISTANTE

Obra de José Canudo, deste ano de 2025.

Para ficar num lugar amado, e mais a sul.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

CAMÕES

Dar visibilidade a uma peça quase "invisível". A tapeçaria encontra-se, normalmente, numa zona de acesso restrito de Caixa Geral de Depósitos. Vai agora ser vista, no Panteão Nacional, por milhares de pessoas (estimamos entre 30 a 35.000). Celebremos Camões e celebremos a Arte de José de Guimarães.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

REVIVER O PASSADO NO LUMIAR

Rever episódios ocorridos há 45 anos... Algo que não me passaria pela cabeça há uns tempos. Foi ontem, num estúdio televisivo algures no Lumiar, onde fui entrevistado. Um passeio pela memória, pela carreira no cinema que não aconteceu, por um documentário que ficou 33 anos por concluir, pela mais difícil das minhas exposições, por muita coisa que aconteceu e que recordei com gosto.

Ficarei a aguardar o resultado com redobrado interesse.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

ÚLTIMA FESTA DO CONCELHO

Ontem, foi dia de ir à Póvoa de S. Miguel. É a última das festas religiosas do concelho. Foi-me recordado, várias vezes, que nunca falho a ida à festa da Póvoa. É quase verdade. Desde 2005 não terei ido uma ou duas vezes.

S. Miguel Arcanjo derrotando Satanás - Guido Reni (1635)

sábado, 20 de setembro de 2025

O BARBEIRO NEGRO DO SUEZ

"Mergulhado" no orientalismo (e na digitalização de milhares de imagens... algum dia seria) dei com esta pintura de Léon Bonnat (1833-1922), pintada no Suez, em 1876. Léon Bonnat tinha um registo académico, mas aqui tem uma abordagem que é tudo menos convencional. E que é uma bela pintura.

Não consegui localizar o quadro. As informações são contraditórias. Aparentemente, estará num museu privado, nos Estados Unidos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

PINTURA CAIROTA

"Guardas à porta do túmulo" é uma pintura orientalista que está na National Gallery of Ireland. O seu autor é Jean-Léon Gérôme (1824-1904) que conheceu bem o Levante Mediterrânico. Ao ver o quadro não pude deixar de me lembrar de um belo filme de Sérgio Tréfaut, "A cidade dos mortos". E não pude deixar de me interrogar sobre o início do uso habitacional dos jazigos no Cairo.



 

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

GAILEARAÍ NÁISIÚNTA

Gailearaí Náisiúnta é o nome, em gaélico, da galeria nacional de Arte da Irlanda. Um excelente museu e uma viagem importante pela arte europeia. Parte da coleção foi construída já no século XX, quando a Irlanda não navegava propriamente num mar de prosperidade. Em Portugal não fizemos nada disso. Tivémos Salazar, nada mais. E a palavra cosmopolitismo passou a ser proibida despois de 1926.

Chamou-me a atenção este quadro de telhados na Checoslováquia, pintado no início da década de 20 por Mary Swanzy (1882-1978). O expressionismo, que curoiosamente não vi associado ao nome da pintora, mostrava-se. Antes de ler a legenda pensei que fosse um trabalho de um artista alemão...


sexta-feira, 6 de junho de 2025

ARCO 25

Passagem rápida pela ARCO, no domingo. De que mais gostei?

Alfabeticamente:

Ana Malta
António Júlio Duarte
Gerardo Burmester
Helena Almeida
Inês d'Orey
João Paulo Balsini
João Penalva
Luís Paulo Costa
Miguel Marquês
Mónica de Miranda
Pauylo Nozolino
René Tavares
Renée Gagnon
Teresa Gancedo
Yonamine

Para além dos habituais: Paula Rego, José Pedro Croft, Pedro Calapez etc.

Gostos conservadores? Sim. De um não-especialista? Também. Metade é fotografia? Precisamente.













sábado, 31 de maio de 2025

CECI N'EST PAS UN PANTHÉON

 Até dia 31 de agosto. Imagens e o meu texto para a exposição:
































LAWRENCE WEINER NO PANTEÃO NACIONAL

Ceci n’est pas un Panthéon, seríamos tentados a dizer ante a profusão de palavras na obra de Lawrence Weiner, que se abre aos nossos olhos.

As palavras na pintura, como na aludida obra de René Magritte, não são coisa recente. Numa célebre “Anunciação”, pintada por Simone Martini e Lippo Memmi cerca de 1330, lemos as palavras do anjo “Ave Maria, gratia plena, dominus tecum”. Não sendo novidade, não são também frequentes. Assumem valor de auxiliar de narrativa em Roy Lichtenstein e ganham caráter panfletário em obras como “Alabama”, de Robert Indiana. Contudo, só com Lawrence Weiner a linguagem está no centro da produção artística. O próprio dizia que o seu trabalho era a linguagem, mais os materiais que lhe dizem respeito.

Era, por isso difícil, encontrar melhor cenário do que o ambiente barroco do Panteão Nacional para este “Around the world”. Pela escala monumental do edifício e da obra de Lawrence Weiner, pelo que representam alguns dos navegadores aqui homenageados, pela cúpula celeste que nos domina. O Equador e a Viagem são temas próximos a muitos dos que aqui se encontram.

Na narrativa “Embaixadas em Bizâncio”, Liutprando de Cremona descreve, em meados do século X, como o imperador Constantino Porfirogeneta se fazia elevar à cúpula do palácio, tornando-se a presença da Deus na Terra. Não é esse o nosso espaço. Nem sequer, sendo este um espaço mortuário, “a cúpula imensa dum sepulcro enorme” do poema de Antônio Castro Alves. A nossa cúpula é terrena e viva e fica maior, melhor e mais próxima do mundo com a obra de Lawrence Weiner.


Santiago Macias

Diretor do Panteão Nacional

quarta-feira, 7 de maio de 2025

PASCOAL VILHETE

Não gostei nada da exposição, mas esta pintura é fantástica. Intitula-se "Tragédia do Marquês de Mântua" ou ""Tchiloly" e é obra d Pascoal Viana de Sousa Almeida Viegas Lopes Vilhete ("Canarim"), são-tomense, nascido em 1894 e falecido nos anos 70.

O quadro tem legenda explicativa, numa lógica de ex-voto.