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segunda-feira, 6 de abril de 2026

ARTE ISLÂMICA EM MOURA

Há temas recorrentes... Este "persegue-me" há quatro décadas. Houve uma primeira publicação em 1994. Dei o assunto por encerrado. Até que, há cerca de 15 anos, duas plaquinhas em osso relançaram o assunto. Não havia uma arqueta do final do período islâmico, havia duas! E com a mesma representação geométrica. E, aposto eu!, são coisas de produção local.

Que fazer?, para recordar uma pergunta "clássica". Recomeçar. Uma vez e outra. De momento, as plaquinhas estão no Instituto José de Figueiredo, em Lisboa, para análise de pigmentos. Não se esperam grandes surpresas, mas é o procedimento canónico. Depois retomaremos (o José Gonçalo, a Vanessa Gaspar e eu) um manuscrito que está meio e publicaremos o estudo. Edição bilingue português/inglês da MULTICULTI. Quando? Lá para o outono. Deste ano...

sábado, 21 de março de 2026

POESIA GEOMÉTRICA

Uma fantástica peça no Museu de Silves - quase avant-garde ao jeito ao século XI, com todo o seu matemático geometrismo - levou-me direto a este poema:

O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora).

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

O IMPÉRIO ROMANO, EM NEW ORLEANS

Arqueologia acidental em New Orleans. Um casal encontrou uma lápide romana (!) ao fazer uma limpeza no seu jardim.

Reproduzo, com a devida vénia, um texto de José d'Encarnação:

A placa funerária de cujo achado em Nova Orleães ontem me fiz eco na minha página do FB  é conhecida desde o século XIX, identificada em Cività Vecchia. Foi publicada no volume XI do Corpus Inscriptionum Latinarum sob o nº 7584, como pode ver-se na ficha infra:

 

publication: CIL 11, 07584
dating: 101 to 270         EDCS-ID: EDCS-21100456
province: Etruria / Regio VII         place: Civitavecchia / Centumcellae / Blera 
D(is) M(anibus) / S(e)x(to) Congenio Vero / mi(liti) cl(assis) p(raetorianae) Mi(senensis) natio(ne) Bes(sus) / vixit an(nos) XLII mi(litavit) an(nos) / XXII tutela III(triere) Asc(l)epio / fece(runt) Atilius Carus / et Vettius Longinus / heredes / b(ene) m(erenti)

 

Como se vê, também – por estranho que pareça – as epígrafes romanas conseguem atravessar o Atlântico!

Arthur Almeida deu a conhecer o achado, no passado dia 10. Foi o casal Daniella Santoro e Aaron Lorenz que, ao limparem o jardim da casa antiga que haviam comprado em Nova Orleães, encontraram a lápide por entre as plantas secas.


Siderado é palavra curta para definir o que senti ao ler estas palavras.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

CASTELO DE MOURA: ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS

Esta publicação tem uma história pouco linear. Há cerca de 15 anos, achámos que seria boa ideia editar uma primeira memória das escavações no Castelo de Moura. Planeou-se o livro em dois volumes: texto e apêndice de imagens.

Afogado em trabalho na vereação, consegui gizar e dirigir o planeamento dos dois volumes. As imagens (desenhos, fotografias, plantas etc.) estavam disponíveis. O índice do livro estava decidido. Solução de "emergência"? Imprimir primeiro os anexos. Três anos (3!) demoraria a redação do texto. Tudo acertado com as imagens, num jogo arriscado de correspondências: as citações teriam de ser sequenciais, nada de citar primeiro a imagem 14 e depois a 12...

Entretanto, havia mais informação pertinente disponível. Como todos os dados de suporte (elementos descritivos, unidades estratigráficas etc.) que não valia a pena imprimir, por serem demasiado extensos, iriam ser incluídos num CD apenso ao volume I, anexou-se aí tudo o que faltava.

Conclusão da edição? 2016.

No final, bateu tudo certo. Um trabalho duro e literalmente irrepetível. Explico sempre aos meus alunos este processo repetindo no final "não tentem fazer isto em casa!"


quinta-feira, 14 de agosto de 2025

CASTELO DE MOURA, 1989

Imagem da alcáçova do castelo, no verão de 1989.

O espaço estava ainda dividido entre a parte que pertencia ao Município e uma propriedade particular. Ainda existia o que restava do armazém da Água Castello. A intervenção arqueológica no lado esquerdo arrancou em 2003. Os livros que daí resultaram estão disponíveis em https://santiagomacias.org/publi.php?livros

terça-feira, 29 de julho de 2025

HAÏDRA...

Ao escrever, há dias, sobre a Antiguidade Tardia, não pude deixar de me lembrar da mais improvável de todas as minhas viagens: a Haïdra, na fronteira tunisino-argelina, na primavera de 2002. Uma viagem com direito a "interrogatório" policial, em plena estrada, a que se seguiu uma improvisada escolta, seguida de um almoço num restaurante numa rua deserta, batida pela vento, como nos westerns. E depois a longa passagem pelas ruínas. Foi um dos sítios onde a arqueologia se me tornou impossível. Espero um dia escrever sobre isso e explicar porquê.

Queria tanto voltar a Haïdra...

sexta-feira, 21 de março de 2025

STVDIA HISTORICA & ARCHAEOLOGICA – OSSA ISLAMICA

Vou deixar de fazer "promessas" quanto a prazos de edição. Este livrinho/brochura já vai com quatro (!) anos de atraso. Nem mais nem menos. Bom, acho que "é desta". Publicação a três, sobre peças em osso do período islâmico do Castelo de Moura.

Ossos há muitos, mas há duas "arquinhas" que continuam a merecer atenção e um estudo mais aprofundado.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

HOMENAGEM A HELENA CATARINO

O meu percurso de aluno da Faculdade de Letras de Lisboa foi marcado pelo "Caso Helena Catarino". A jovem Helena tinha entrado como assistente e preparava-se para fazer carreira enquanto investigadora naquela casa. Uma Comissão Científica de História burra, labrega, tacanha e incompetente (podem juntar adjetivos...) entendeu que não e Helena Catarino teve o seu contrato interrompido. Rumou depois a Coimbra, onde leccionou, com êxito, durante mais de 30 anos. Uma notável carreira na Arqueologia Medieval.

Eu não era aluno de Arqueologia, mas para o caso tanto dava. Enquanto membro da direção da Associação de Estudantes participei ativamente no combate contra os corifeus da Comissão e em defesa de H.C., que iniciava então carreira na Arqueologia Islâmica. Essas e outras custaram-me caro, mas voltaria (1000 vezes!) a fazer o mesmo.

Fico contente por ser feita esta homenagem, agora que chegou à aposentação. Já lhe escrevi, felicitando-a e recordando os dias tensos de há 40 anos. 


sexta-feira, 15 de novembro de 2024

CONVENTO DO CARMO - DE MOURA A LISBOA

E agora, durante uns meses - até março de 2025 - alguns materiais provenientes das escavações arqueológicas no Convento do Carmo, em Moura, vão estar expostos no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa.

Um trabalho notável das colegas Rute Silva e Vanessa Gaspar. Deixando de lado outas questões, a complexa realidade arqueológica do sítio merecerá bem uma monografia, a matizar com a informação histórica.

Coisas interessantes que resultaram da conferência de apresentação e que me mereceram reflexão:

* a presença de um sítio islâmico, que certamente corresponde a uma munya;

* toda a encosta a norte do castelo deverá ter tido pequenas hortas, de que parecem ser evidência a moeda de Hisham II e as cerâmicas encontradas na zona do Sete-e-Meio;

* todo esse espaço terá beneficiado das fontes do castelo, que viriam, muito mais tarde, a ser objeto de documentos de divisão da água;

* os três silos localizados têm uma capacidade de armazenamento de 7.300 litros, pelo que seria interessante ver qual a área necessária para garantir essa produção (talvez isso desse uma perspetiva sobre a dimensão da munya e pudesse dar pistas, um dia, para a origanização fundiária em toda esta zona)

* não por acaso, é aí que o Convento do Carmo se instala, muito pouco tempo após a Reconquista.

Um belo conjunto de peças a ver, e um trabalho de arqueologia a seguir.


terça-feira, 3 de setembro de 2024

ALCÁÇOVAS...

Vai ser no dia 20 de setembro. Lá/cá estarei, recuperando um velho tema: o do reflexo da feudalização nas estruturas das fortificações.

Programa e demais informações em https://chul.letras.ulisboa.pt/eventos-detalhe.php?p=1722


domingo, 1 de setembro de 2024

DUAS ARQUETAS ISLÂMICAS DO CASTELO DE MOURA

É um tema recorrente na minha vida e dará, dentro de meses, mote para um pequeno livro. Em meados da década de 80 deram entrada, no Museu de Moura, dois conjuntos de plaquinhas pintadas provenientes de escavações do castelo feitas no castelo em 1980 e em 1981, sob a direção de Jorge Pinho Monteiro, entretanto falecido.

Arcas de marfim, primorosamente lavradas, já tinha visto. O Tesouro da Sé de Braga tem uma, de inícios do século XI... Mas placas pintadas (mais pobres, em osso!), nunca tinha visto. Valeu-me a ajuda de Guillem Rosselló-Bordoy (1932-2024), grande erudito e homem de extrema simplicidade. Orientou-me “vê o livro de Blythe Cott e os textos de José Ferrandis; começa por aí”. Duas semanas em Madrid fizeram-me girar entre a biblioteca do Instituto Arqueológico Alemão e do Museu Arqueológico Nacional. Perplexo, reparei que as “minhas” peças nada tinham a ver com o luxo de arte de corte das siculo-arabic publicadas por Cott. E que as figurinhas humanas pintadas na arca de Moura eram muito semelhantes às representadas nas peças de cerâmica esgrafitada de Murcia. Data dos materiais murcianos? Segunda metade do século XII. Uma cronologia compatível com a que eu propunha (finais do século XII – inícios do século XIII). Há cerca de 15 anos, as escavações no Castelo de Moura “deram” mais conjuntos de painéis em osso, como idêntica decoração aos que já existiam, mas sem dúvida pertencentes a outras arquetas.

A procura de paralelos prolongou-se ao longo dos anos. Até dar, quase por acaso, com uma peça quase idêntica à de Moura, no Victoria & Albert Museum, em Londres. A datação atribuída no site, tal como no livro “Islamic Arts from Spain”, bem como a origem sugerida (sul de Portugal ou de Espanha) era, também, a que eu próprio propunha para os materiais de Moura. Intrigado, arranjei forma de entrar em contacto com Mariam Rosser-Owen, conservadora do museu londrino, para saber como chegara a tal conclusão. A resposta foi desconcertante: “datei as peças a partir de um texto que você publicou; estou de acordo com a sua datação”.

Temos dado (os meus colegas, aí em Moura, e eu) a devida divulgação às peças. Que já estiveram, nomeadamente na exposição “Guerreiros e Mártires (Museu Nacional de Arte Antiga, 2020/2021). Quanto mais o tempo passa, mais me assombra a “impossibilidade” da presença destas arquetas na nossa terra. É provável que tenham vindo de um centro de produção sevilhano. A “orientalização” – da ornamentação à representação das figurinhas humanas, vestidas com o que parece ser uma túnica ou “kaftan” – é o traço mais evidente destas pequenas joias da arte islâmica. A sofisticação da cultura mediterrânica prolongar-se-ia, em Moura, até finais do século XV, como o demonstra a Bíblia Hebraica feita na nossa terra, em 1470, e que está hoje numa biblioteca em Oxford. Mas esse é outro tema, ao qual voltarei num destes dias.

Crónica em "A Planície"





quinta-feira, 30 de maio de 2024

A SAUDADE MATA A GENTE, MORENA...

O que me veio há memória, há dias, em Mértola, foi uma velha canção de João de Barro e Antônio Almeida, de 1948: A saudade mata a gente.

Foi um regresso sentimental aos terrenos de há muitos anos. Os espaço do museu, o Islâmico, mais a mesquita, mais a basílica, que abriu ao público em novembro de 1993... Há momentos que quase parecem irreais.





quinta-feira, 16 de maio de 2024

MAQABIR

Está a acontecer, por estes dias, em Mértola. Volto, uma vez mais, ao ponto de partida. Com o objetivo, bem preciso, de retomar um tema de investigação. De uma vez por todas.


segunda-feira, 13 de maio de 2024

A CERÂMICA QUE ME PERSEGUE...

O quadro é de uma oficina regional madeirense e está datado no século XVIII. Mas há duas peças de cerâmica nele representadas que são, claramente, de produção alentejana. São dois pequenos potes modelados, da mesma tipologia das peças encontradas, há mais de 40 anos, no sítio do Convento de Santa Clara, em Moura, e que, com Miguel Rego, publiquei alguns anos volvidos.

Curiosamente, este quadro está no fantástico Convento de Santa Clara, no Funchal.



domingo, 14 de abril de 2024

MANHÃ ÁUREA

Foram mais de quatro quilómetros entre a subida e a descida. Um percurso habitual, mostrando aos alunos, ao vivo. o que se faz e como se faz a integração do património arqueológico no quotidiano de uma cidade.

O Aurea Museum Hotel alberga uma dessas experiências. Passagem obrigatória pelo excecionla Teatro Romano de Lisboa. E pelo Castelo de S. Jorge.


terça-feira, 19 de março de 2024

CASTELO DE SÃO JORGE

Amanhã é dia de ir ao castelo. De manhã, que de tarde há um projeto em preparação para o monumento do costume e tem de ser preparado com todo o pormenor.

Em todo o caso, será um prazer regressar ao Castelo de S. Jorge. Aceitei o convite com todo o gosto. É sempre bom estar entre amigos. O meu tema vai andar em volta das casas e do quotidiano, o que não será bem uma surpresa...

Programa em: https://castelodesaojorge.pt/wp-content/uploads/2024/03/ProgramaUsos_Castelo.pdf

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

GESTÃO E PROTEÇÃO DO PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO: HOW NOT TO BE SEEN...

(Re)começo hoje o seminário de Gestão e Proteção do Património Arqueológico. Com um número recorde de 33 alunos. Prometerei, e tentarei cumprir, um programa com novidades. Um dos tópicos centra-se, sempre!, no que não deve ser feito. Quais os erros a evitar. Exemplos? O processo da Sé de Lisboa, o projeto do Convento do Carmo (Moura), mais a recente desestruturação legislativa e de serviços etc. Os maus exemplos abundam.

Esta nova geração de alunos tem sempre elementos reivindicativos. Isso é francamente bom. Vamos ver como será.

Como não fazer ou como não ser visto... Vai tudo dar ao mesmo.


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

MARGEM SUL E MARGEM NORTE

Manhã nos Capuchos, na Caparica. O papel das autarquias na Arqueologia e no Património. Agora que celebramos os 50 anos do 25 de abril, convém recordar que há claramente um antes e um depois na Cultura. Coube-me um papel neutro, o de moderador numa das sessões. Cada vez me impressiona mais a diversidade, pertinência e qualidade dos projetos que, em todo o País, vão tendo lugar.

Ao fim da tarde, passagem pela banca dos jornais para comprar a "Visão - História". Muitos séculos da história de Lisboa. Com referência a uma intervenção do poder cordovês na cidade, que teve lugar no ano 985 d.C..




quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

ALMADA, EM BREVE

Quase no arranque de 2024, haverá este encontro. Irei participar, sem apresentar nenhum trabalho, mas como moderador de uma mesa. O tema interessa-me a triplicar: a arqueologia, o património e as autarquias. Três em um.

https://www.cm-almada.pt/sites/default/files/2023-12/programa_0.pdf


sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

DUAS OU TRÊS COISAS SOBRE A PERIFERIA DO CASTELO DE MOURA NA ÉPOCA ISLÂMICA (sécs. XII-XIII)

Decorreram, recentemente, escavações arqueológicas nos terrenos do antigo Convento do Carmo, em Moura. Os resultados preliminares acabam de ser publicados por Vanessa Gaspar e por Rute Silva na obra “Arqueologia em Portugal / 2023 – Estado da questão”. Trata-se de um bom ensaio, que dá a conhecer os materiais e que baliza cronologicamente os achados referentes ao período islâmico.

Os trabalhos em torno da realidade medieval de Moura permitem-me algumas reflexões à margem da escavação e que espero que possam ser uma achega para um estudo mais aprofundado. Em primeiro lugar, deve sublinhar-se a importância religiosa do sítio. Há a memória de uma ermida (eventualmente alto-medieval), que se situava a sul da atual igreja do Carmo. Há, em segundo lugar, que destacar a proximidade do cemitério islâmico, ao qual se sucedeu o bairro da Mouraria. Em 1970, foram

acidentalmente escavadas várias sepulturas dessa necrópole, na Rua da Estalagem, a cerca de 100 metros do adro do Carmo. Finalmente, e este é o aspeto que me parece mais importante, deve ser sublinhada a ocupação agrária do espaço perirubano.

 

O local onde o convento foi construído é uma vasta plataforma com um ligeiro declive em direção a norte. Toda essa zona beneficiou das águas que saíam do castelo e que irrigaram as hortas em seu redor. Trata-se de uma matéria a aprofundar e que tem reflexo nos documentos de repartição de águas, que foram produzidos ao longo vários séculos. No período islâmico haveria aí várias munyas – pequenas propriedades rurais situadas na periferia das fortificações –, como o parecem atestar estes achados e os materiais cerâmicos descobertos em tempos na Rua do Sete e Meio, local onde foi ainda encontrada uma moeda de Hisham II (segunda metade do século X / início do século XI). Não sendo um arrabalde de Moura, poderia ser local de fixação de algumas famílias, que viveriam em pequenos casais.

 

Embora o texto não o diga, os silos escavados tinham como função a conservação de cereais, pelo que não nos parece que a presença deste tipo de estruturas se possa desligar da existência de uma zona de “habitat”. A datação definida para os materiais –

séculos XII-XIII – é também relevante, por configurar um abandono das estruturas numa data próxima à Reconquista de Moura. A riqueza dos terrenos, e a mais que provável presença de sistemas de irrigação, levou à ocupação desta área pelos carmelitas.

 

O trabalho de Vanessa Gaspar e de Rute Silva vem sublinhar a importância da conjugação da leitura dos materiais arqueológicos, da consulta das fontes escritas e da simples, mas sempre necessária, observação do território. Um caminho interessante e, naturalmente, a continuar.

 

Nota: o presidente da Câmara de Moura usou o direito de resposta para um longo arrazoado sobre o que aconteceu e deixou de acontecer no Convento do Carmo, dirigindo-me, no final do texto, um banal insulto. Repito que o que se passou no Convento do Carmo – atrasos e mais atrasos com a “desculpa” da arqueologia – era

desnecessário e resulta de incompetentes decisões políticas. Todo aquele processo é dado nas minhas aulas de Gestão do Património na Universidade Nova de Lisboa como exemplo do que não deve ser feito.