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segunda-feira, 24 de novembro de 2025

JERASH

O sítio da fotografia fica a 4.103 kms. do local onde me encontro. Quando estive em Jerash, há muitos anos, convenci-me que Roma se torna mais esplendorosa quanto mais para oriente caminhamos.

Jerash fará parte - não com esta imagem - de um livro há muito prometido (a mim mesmo) e que agora, finalmente, avança.

Viva Roma!


quinta-feira, 6 de novembro de 2025

RABAT 1999

Não vou jurar que a inauguração foi a 6 de novembro, mas deve ter andado por aí perto. Uma empreitada inesquecível, em terras magrebinas. Depois de Tânger (em setembro), foi a vez de Rabat. Há um vídeo desses dias. Aqui vão três imagens: Cláudio Torres, Maria da Conceição Amaral e eu; a Qasbah des Oudayas, magnífico cenário da exposição; memória da montagem, com um momento de grande risco (eu a fazer trabalhos manuais...).

sábado, 1 de novembro de 2025

CHICHÉN ITZÁ

Por entre as colunas de pedra, um borboleta
negra com vermelho nas asas voava. Entre uma coluna
e outra procura a entrada para o centro onde
se arrancaram corações de cativos e de virgens. Talvez
quisesse que o seu vermelho a tingisse com o sangue
das vítimas; talvez quisesse roubar-lhes, dos lábios,
o último sopro, ou o último grito. Pensei
que a poderia seguir por entre as colunas; mas
o cão que parecia dormir, na perpendicular
de vénus, levantou a cabeça e olhou-me, como
se fosse o jaguar devorador de corações. Tudo tem
a sua lógica quando procuramos dar um sentido
ao acaso. E olhei para o alto da pirâmide
como se lá estivesses, à minha espera, com os teus olhos
presos nas asas da borboleta e a chamar por mim,
como se nao tivesses já o meu coração
sem teres precisado de o arrancar na câmara
dos sacrifícios (ao que dizem, fechada
por motivos de segurança).

Passaram-me, discretamente este poema de Nuno Júdice, ontem, a meio de uma sessão de leitura de poesia. Fiquei com dúvidas que fosse para o ler em público. Pensei que não era. Afinal era, disseram no fim. Fiquei quase feliz por nao ter percebido. Mas só mesmo quase.


quarta-feira, 1 de outubro de 2025

IBN TULUN

Recupero uma imagem antiga, que andava perdida nos meus arquivos. A fotografia foi tirada da cidadela do Cairo, apontando para ocidente. Aquele traço branco que se vê, no centro da imagem, é a cobertura da galeria em volta do pátio da mesquita de Ibn Tulun.

A distância é curta (cerca de 1000 metros), mas aqui parece muito mais. Uma ilusão que não consigo explicar.

Data do registo: algures na primavera de 2007. 

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

E SE FOSSE SEVILLA?

A imagem da Divina Pastora de Santa Marina passava em frente ao Archivo de Indias quando a irmandade que a acompanhava, trajada a rigor, se virou para a imagem e rompeu em clamores "GUAPA! GUAPA!". Não é, provavelmente, o modo mais formal de celebrar a fé, mas a convicção era total. Um ambiente muito festivo e muito sevilhano.

Horas antes tinha estado na Real Maestranza, admirando a total entrega de Daniel Luque e de Borja Jiménez (Alejandro Talavante passou ao lado), num ambiente intenso e de festa.

No extraordinário Mémoires des deux rives Jacques Berque confessa, durante um regresso ao Cairo "pergunto-me, para minha grande surpresa, se não seria aqui que eu me deveria radicar até ao fim dos meus dias...". Lembrei-me dessa passagem, na noite sevilhana.


quinta-feira, 28 de agosto de 2025

A TORRE DE GALWAY

Blackrock diving tower é o nome do sítio. A torre de mergulhos tem um toque modernista, é obra dos anos 50 e fica a três quilómetros do centro de Galway.

O sítio é bonito, tal como o é o passeio ao longo da costa. Havia uma pequena multidão junto à torre. Muitos miúdos subiam à plataforma mais alta e daí se lançavam. Nada de especial, não estivessem 15º e chuviscasse. Um verão fresquíssimo, o de Galway.


quarta-feira, 6 de agosto de 2025

GALWAY MARXISTA

Galway é o grande centro irlandês de corridas de cavalos. Foi uma estreia divertida, mas sem grande sucesso financeiro. Melhor dizendo, sem nenhum sucesso financeiro. As apostas falharam, mas o ambiente era de grande animação, com bancadas barulhentas e agitadas. Irlanda e barulho são pleonasmos.

Ah, e não apostem num cavalo chamado Trusty Tycoon. É falhanço garantido. Também, com chances de 1 para 250...

sábado, 2 de agosto de 2025

AGOSTO EM LISBOA

Há duas cidades em agosto. A Lisboa turística, com gente aos magotes, e a Lisboa a caminho dos subúrbios, com os transportes mais à larga. Panteão à parte (expectativa de 18.000/19.000 visitantes em agosto...), onde há sempre gente e problemas para resolver, gosto de agosto de Lisboa. O mês mais tranquilo. A cidade assim deserta, como a da fotografia, é que não se quer. É uma recordação dos tempos da pandemia...

Segunda-feira é o regresso ao trabalho.


quinta-feira, 31 de julho de 2025

ARGEL - MEDERSA

Ao olhar esta estampa - em Mértola, está sempre á minha frente -, comprada em Argel há cerca de 20 anos, não pude deixar de penar nos "jogos de compensações" do(s) colonialismo(s). Este medersa revivalista é obra do final do século XIX/início do século XX e foi assinada por uma arquiteto francês. Seis décadas volvidas, "je vous ai compris" e a Argélia era independente.

A palavra medersa é uma adaptação de madrasa, escola corânica. De onde resultou a pouco simpática palavra madraço = preguiçoso. Aos que se dedicam ao estudo aplicam-se (quase) sempre palavras pouco simpáticas...


terça-feira, 29 de julho de 2025

HAÏDRA...

Ao escrever, há dias, sobre a Antiguidade Tardia, não pude deixar de me lembrar da mais improvável de todas as minhas viagens: a Haïdra, na fronteira tunisino-argelina, na primavera de 2002. Uma viagem com direito a "interrogatório" policial, em plena estrada, a que se seguiu uma improvisada escolta, seguida de um almoço num restaurante numa rua deserta, batida pela vento, como nos westerns. E depois a longa passagem pelas ruínas. Foi um dos sítios onde a arqueologia se me tornou impossível. Espero um dia escrever sobre isso e explicar porquê.

Queria tanto voltar a Haïdra...

quinta-feira, 10 de julho de 2025

BAGHDAD, MUITO AO LONGE

Numa sessão ontem realizada, na Gulbenkian, o Prof. António Feijó, Presidente da Fundação, referiu a construção, em meados da década, de dois importantes edifícios em Baghdad. Era uma forma de manter ligações com o Iraque. Assim se financiaram o Centro de Artes (projeto de Jorge Sottomayor d'Almeida) e o Estádio Nacional (projeto de Carlos Ramos e de Francisco Keil do Amaral). Tive curiosidade de perceber o que se tinha passado. O primeiro é hoje o Museu Nacional de Arte Moderna e parece, exteriormente, meio "abarracado". De acordo com um site que consultei está meio desativado. O estádio passou por várias renovações, mas a traça original é ainda bem reconhecível.





terça-feira, 17 de junho de 2025

BARRAQUIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO - UMA TRAGÉDIA IBÉRICA...

Não é só "cá". Chega-se à Praça de Espanha, em Sevilha, que é um dos sítios mais bonitos da cidade, e temos o espaço transformado num aglomerado de barracas obscenas.

Pergunta-se porquê e para quê. Deve haver patrocínios e eventos e muito som. A par com uma inqualificável barraquização do património.


sexta-feira, 13 de junho de 2025

TORRE DEL ORO

Lembro-me de ser muito pequeno e de ir a Sevilha e de querer ver a Torre del Oro, porque acreditava que era mesmo em ouro. E de o meu pai me levar lá - não me lembro exatamente quando foi, mas a "visita" foi noturna - e de eu ter ficado desapontado com aquela torre de tom pardacento.

Estava longe de saber que um dia me iria interessar por torres de tom pardacento.

A gravura onde se vê a Torre del Oro, junto ao Guadalquivir, tem um detalhe curioso: o coroamento da Giralda é falseado e maior que a realidade. Tem quase a mesma dimensão da torre. Vá lá perceber-se porquê.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

MÁSCARA N°. 27: MADRID

Mais uma carantonha na paisagem.

Neste caso dentro de casa. Algures num piso - 1.


terça-feira, 20 de maio de 2025

PERCURSO SENTIMENTAL

Postais como este estavam muito em voga em meados da década de 60. Quando estava em voga mandar postais à família. Tenho uma fotografia, encostado aquele gradeamento, feita no verão de 1966.

No outro dia levei lá o Manuel, para lhe mostrar a casa onde a bisavó dele viveu, entre 1963 e 1975. Era na Menéndez Pelayo, mesmo em frente ao Retiro.


segunda-feira, 19 de maio de 2025

LAS VENTAS

Regresso a Las Ventas, 47 (!) anos volvidos. Agora num plano mais festivo. Primeiro a homenagem a José Gómez Ortega, El Gallo, falecido 105 anos antes, em Talavera de la Reina. Silêncio total durante um minuto, com todos os intervenientes na arena.

Depois, a corrida, que ni fu ni fa. O quinto podia ter sido diferente, com Fernando Adrián toureando de joelhos. E começando o tercio de muleta com um cambiado arrepiante. Falhou no final. Paciência. Valeu a tarde e, sobretudo, a companhia.

sábado, 5 de abril de 2025

IN MEMORIAM - AMADOU BAGAYOKO

Agora que Amadou Bagayoko (1954-2025) partiu, recordo-o com este texto, que resultou de uma já distante viagem ao Mali.


BAMACO


DIMANCHE À BAMAKO

É assim que se chama o disco, Dimanche à Bamako. E nós ficamos a imaginar como será o dimanche à Bamako. Haverá acácias e belas mulheres à sua sombra, nos domingos de Bamako? As águas do Níger trarão frescura aos domingos de Bamako? Correrá um pouco do harmattan, o terrível vento do deserto, nas ruas dos domingos de Bamako? Soprará esse vento sobre as águas do Níger, por entre as acácias e as belas mulheres? Que oásis haverá?

Há poucos oásis em Bamako. A planta da cidade vista só em planta é um enredo de ruas direitas e há até guias que falam nas árvores dos bairros de Sogoniko ou de Badalabougou. Foi talvez assim um dia, e agora temos pena de não termos conhecido esses dias e esses domingos de Bamako. Agora os dias são de caos, há fumo, meu Deus, há fumo e mais fumo. A cidade vive envolta em fumo. Dos carros com carburadores asmáticos, do lixo a arder ao lado dos hotéis e dos campos de golfe, do lume dos restaurantes, digamos que são restaurantes, que aparecem por toda a parte. Afinal o vento não sopra em Bamako e por isso o fumo não viaja, ficando a pairar sobre a cidade. A cidade colonial é uma miragem curta nesta parte do Sudão e as glórias passadas fenecem por entre destroços.

Nos dias que não são dimanche há mais trânsito e nota-se muito mais o fumo. Há mais carros, mais motoretas e maquinetas. Nesses dias um milhão de pessoas cruza o gigantesco bairro da lata que Bamako é, e nós ficamos sem perceber nada. De que vivem todas aquelas pessoas? De que vivem os vendedores se não há ninguém para comprar ou, pelo menos, ninguém parece comprar coisa alguma? Quando é dimanche à Bamako respira-se um pouco melhor, sem o travo do gasóleo a arder nas narinas e na garganta. Quando é dimanche podemos fugir mais ao fumo.

Aos domingos podemos esgueirar-nos um pouco mais à vontade, por entre as latas das barracas, por entre os montes de lixo semeados à toa. Para quem gosta dos mercados, há o novo mercado, nos guias lê-se que é novo mas parece já ter nascido com muitos anos. Mais longe, na margem do Níger, uma sugestão de jardim dá um pouco de placidez aos domingos de Bamako.

Há uns séculos atrás ninguém passeava ao longo do Níger nas tardes de domingo porque a cidade ainda não existia. Nesses dias havia pirogas que passavam por entre as ilhotas onde agora os poucos pássaros vão pousar. Mas as pirogas partiram e o rio é agora um deserto de água. Nesses dias lá longe os caminhos do Níger levavam para Tombouctu e para Gao. É para aí que iremos um dia, porque lá onde estão não há fumo, de certeza que não, nem um milhão de pessoas amontoadas, como nesta aldeia de homens e mulheres gentis.

Agora é Inverno em Bamako, aceitemos que 35º possam ser Inverno, e por isso o tempo é muito seco. O calor ainda vem longe e mais longe ainda está a chuva. Tenho dificuldade em imaginar como serão esses domingos de Verão, com a chuva que não pára, o calor terrível, o fumo dos carburadores asmáticos e a maior parte das ruas a serem pasto da lama e dos mosquitos.

Na próxima vez vou chegar a um domingo. Vai ser num dos beaux dimanches cantados por Amadou e Mariam. Nesse domingo haverá, decerto, menos fumo e menos gente perdida a deambular pelas ruas. Haverá, decerto, belas mulheres cujas pulseiras rivalizam, por entre as acácias, com a curva da corrente do Níger.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

UMA SÓ VOZ, EM MOGUER

 LA PAZ

Hallarme en las manos
jazmines con sol,
con el primer sol;
saber que amanece
en mi corazón;
oír en el alba
una sola voz…

Eso quiero yo.

Regresar sin odios
cerrar sin pasión;
soñarme en las manos
celindas con sol,
el último sol;
dormir escuchando
una sola voz…

Eso quiero yo.

Lembro-me de ter estado em Moguer, há muitos anos, certamente mais de 30.Tal como me lembro das ruas de Moguer transmitirem uma imagem de grande placidez. Ou um sentimento de paz. Quem nasceu em Moguer percebeu isso melhor que eu.

domingo, 30 de março de 2025

SILENCIO EN LA HABANA

E a propósito de Havana e do filme de Wim Wenders, um belo momento, com o movimento de câmara em elipse "à la Alain Tanner", protagonizado por Omara Portuondo e por Ibrahim Ferrer.



CUBA 10/10: HABANA VIEJA

A cada passo olhava para o lado, esperando ver Ry Cooder numa motorizada com side-car. As imagens de "Buena Vista Social Club" foram uma constante. O ambiente urbano que Wim Wenders retratou é tal qual ele o retratou.

Fugi, deliberadamente, aos "postais" turísticos. Deambulei, por vezes na mais completa solidão, pelas ruas da cidade velha de Havana. A segurança é total. O que me permitiu fotografar, a altas horas da noite, com a minha amada M6. Disso darei conta um destes meses.

A luz noturna de Havana só me fazia lembrar, obsessivamente, as fotografias das cidades marroquinas, por Jean-Marc Tingaud (n. 1947). Tivesse eu talento...