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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

ALQUEVA - 20 ANOS E TRÊS DIAS

A propósito da decisão tomada quanto ao adiamento do bloco de rega de Moura, leio isto numa ata de uma reunião de Câmara:

"daí que questione [o presidente da câmar] onde residiu o capital de influência do PCP e da CDU junto do primeiro-ministro no que toca a este assunto. Igualmente, reportando-se ao ano de 2013 e na altura das eleições, referiu o facto de os candidatos do PS, terem tido uma reunião com o Presidente da EDIA, o qual se tinha insurgido pela circunstância de a Câmara Municipal de Moura nunca ter apresentado propostas concretas relativas ao regadio, situação que considera grave, porque os destinos do concelho estiveram sob a liderança da CDU durante 20 anos e pouco se avançou nessa matéria, daí julgar ser injusto imputar responsabilidades ao atual executivo".

"Adiantou ainda [o presidente da câmara] que na altura em que mais se necessitava do apoio de todos, chegam as más noticias, facto de que não é alheio a existência de eleições e o responsável máximo de uma empresa como o da EDIA ter entrado na campanha eleitoral".

O Presidente da EDIA em 2013 era João Basto, que esteve no lugar cerca de ano e meio. Duvido, contudo, que se tenha insurgido por a Câmara de Moura nunca ter apresentado propostas concretas. Porque isso não é verdade. Se uma entidade apresentou propostas concretas anos a fio (antes e depois de 2013) foi a Câmara de Moura.

Acusar o Presidente da EDIA atual (José Pedro Salema) de interferência política neste processo é o caminho? É essa a justificação? É isto o "novo normal", como agora se diz? Isto é assim? Bonito serviço...

 



quarta-feira, 6 de outubro de 2021

VERDE QUE TE QUIERO VERDE

Vegetais e geografia e clima e Tejo e Lisboa e tudo. A antropóloga Daniela Araújo comissariou uma das grandes exposições dos últimos anos. Sensorial e científica, emotiva e vanguardista (Ângela Ferreira anda por ali) e cheia de boas ideias.

Ora aqui está uma coisa que os alunos do básico deviam ver, em vez de terem de gramar, pela enésima vez, uma ida ao zoomarine ou ao badocapark. Uma coisa é certa. Trazer miúdos a uma exposição assim implica trabalho. Antes e depois. Mas que vale a pena, não tenhamos dúvidas.

Álvaro de Campos está lá, García Lorca não está, mas é como se estivesse.




























ROMANCE SONÁMBULO 

A Gloria Giner y a Fernando de los Ríos

Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
y el caballo en la montaña.
Con la sombra en la cintura 
ella sueña en su baranda,
verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana, 
las cosas la están mirando 
y ella no puede mirarlas.


               * 

Verde que te quiero verde.
Grandes estrellas de escarcha,
vienen con el pez de sombra
que abre el camino del alba.
La higuera frota su viento 
con la lija de sus ramas,
y el monte, gato garduño,
eriza sus pitas agrias.
¿Pero quién vendrá? ¿Y por dónde...?
Ella sigue en su baranda,
verde carne, pelo verde,
soñando en la mar amarga.


               * 

— Compadre, quiero cambiar
mi caballo por su casa,
mi montura por su espejo,
mi cuchillo por su manta.
Compadre, vengo sangrando,
desde los montes de Cabra.
— Si yo pudiera, mocito,
ese trato se cerraba.
Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa.
— Compadre, quiero morir
decentemente en mi cama.
De acero, si puede ser,
con las sábanas de holanda.
¿No ves la herida que tengo
desde el pecho a la garganta?
— Trescientas rosas morenas 
lleva tu pechera blanca. 
Tu sangre rezuma y huele 
alrededor de tu faja. 
Pero yo ya no soy yo, 
ni mi casa es ya mi casa.
— Dejadme subir al menos 
hasta las altas barandas, 
dejadme subir, dejadme,
hasta las verdes barandas.
Barandales de la luna 
por donde retumba el agua.

               * 

Ya suben los dos compadres 
hacia las altas barandas.
Dejando un rastro de sangre. 
Dejando un rastro de lágrimas. 
Temblaban en los tejados
farolillos de hojalata. 
Mil panderos de cristal, 
herían la madrugada.


               * 

Verde que te quiero verde,
verde viento, verdes ramas. 
Los dos compadres subieron.
El largo viento, dejaba 
en la boca un raro gusto
de hiel, de menta y de albahaca. 
— ¡Compadre! ¿Dónde está, dime? 
¿Dónde está tu niña amarga? 
— ¡Cuántas veces te esperó! 
¡Cuántas veces te esperara, 
cara fresca, negro pelo,
en esta verde baranda!

               * 

Sobre el rostro del aljibe 
se mecía la gitana.
Verde carne, pelo verde, 
con ojos de fría plata. 
Un carámbano de luna 
la sostiene sobre el agua.
La noche su puso íntima 
como una pequeña plaza.
Guardias civiles borrachos,
en la puerta golpeaban.
Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar.
Y el caballo en la montaña.

2 de agosto de 1924


Domingo irei para as hortas na pessoa dos outros,

Domingo irei para as hortas na pessoa dos outros, 

Contente da minha anonimidade. 

Domingo serei feliz — eles, eles... 

Domingo... 

Hoje é quinta-feira da semana que não tem domingo... 

Nenhum domingo. — 

Nunca domingo. — 

Mas sempre haverá alguém nas hortas no domingo que vem. 

Assim passa a vida, 

Subtil para quem sente, 

Mais ou menos para quem pensa: 

Haverá sempre alguém nas hortas ao domingo, 

Não no nosso domingo, 

Não no meu domingo,

Não no domingo... 

Mas sempre haverá outros nas hortas e ao domingo!


9 de agosto de 1934

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

ALQUEVA E MOURA - 2014/2023: CRONOLOGIA RECENTE E FUTURA DO REGADIO


Teve lugar em Moura uma sessão de apresentação do do Bloco de Rega de Moura, Póvoa e Amareleja. O anúncio tem sido saudado com agrado, como seria de esperar. E como se justifica. Não se trata, contudo, de uma novidade.

Final de junho de 2014 - Elaboração dos termos de referência para os concursos dos projetos de execução da zona de Reguengos e Póvoa-Amareleja.
3.11.2015 - José Pedro Salema, presidente da EDIA, anuncia que está em estudo aumentar 27% e beneficiar mais 45 mil hectares, ou seja, passar dos 120 mil hectares, previstos no projecto inicial, para 165 mil hectares. Havia uma estimativa do investimento necessário, que era de 150 milhões de euros para os 45 mil hectares, mas não havia garantia de financiamento.
14.1.2016 - Sessão, em Moura, de apresentação de arranque do projeto.
8.3.2016 - Sessão sobre o futuro do regadio no concelho de Moura: encontro com agricultores (na Junta de Freguesia da Póvoa de S. Miguel).
6.7.2016 - Afirmava o Ministro da Agricultura que sem o financiamento do BEI [Banco Europeu de Investimento] não era possível concluir o Alqueva.
14.11.2017 - O Banco Europeu de Investimento aprovou um empréstimo de 260 milhões de euros para Portugal; a maior parte do dinheiro é para aumentar a área de regadio do Alqueva.
17.11.2017 - Anúncio, pelo Ministério da Agricultura, que irão ser, até 2022, criados mais 49.427 hectares de regadio, distribuídos por 13 novos blocos de rega
1.2.2018 - O anúncio volta a ser repetido. Moura/Póvoa: 10.000 hectares previstos.
12.5.2018 - Jornal "Público": Preço da energia em Alqueva é um buraco financeiro para a EDIA. Interesse público “não foi devidamente salvaguardado” nas concessões das centrais hidro-eléctricas de Alqueva e do Pedrogão à EDP e a EDIA tem de se virar para o fotovoltaico.

Agora, o anúncio voltou a ser repetido. Prazo de conclusão das obras? 2021/2022/2023. Curiosamente, os comunicados que vão saindo não permitem apontar, com rigor, uma data.


Novidades, não há. Expetativas, sim.

domingo, 15 de julho de 2018

AZEITONAS


As oliveiras são árvores sagradas no Mediterrâneo. Recordo, neste domingo da Festa de Moura, uma passagem de um tratado de agricultura do período islâmico a respeito da preparação das azeitonas para consumo caseiro: "das frescas e verdes umas se partem com pedra lisa ou com um pau de forma que cada caroço delas fique quebrado e estas se chamam partidas; a outras fazem-se três golpes ao alto e são chamadas abertas".  Este procedimento corresponde aos tipos de preparação de azeitona que ainda hoje se praticam no Alentejo e que popularmente se designam como pisadas e arretalhadas. A principal diferença reside nos temperos utilizados, sensivelmente modificados desde aquela época.

A expressiva descrição que transcrevi está no Kitab al-Filaha, de Ibn al-Awwam, escrito no final do século XII. Chegou até nós como Libro de agricultura e foi traduzido por José A. Banqueri e editado em Madrid em 1802, pela Imprenta Real. O quadro é de Henri Matisse (1869-1954). Estas oliveiras em Colliure devem datar de 1906, e estão hoje no Met, em Nova Iorque.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

FORUM 21: REDE NATURA 2000

Oitava edição de uma iniciativa destinada ao debate e ao confronto de ideias. No próximo sábado vai estar em discussão um tema caro aos agricultores deste concelho: a Rede Natura 2000. Convidaram-se entidades públicas, partidos políticos os que representam os agricultores. Como sempre, não há agendas pré-definidas ou condicionantes à discussão. Das dúvidas e das discordâncias se farão soluções. Mais depressa ou mais devagar, é isso que irá acontecer.

Prepara-se para dentro de semanas o nono fórum. Com uma área de enfoque completamente diferente deste.


segunda-feira, 13 de junho de 2016

AZEITE DOP

O programa passa amanhã na RTP/2. A jornalista Anabela Saint-Maurice garante solidez e qualidade a este projeto. Que andou pelas regiões DOP (Denominação de Origem Protegida). Onde nós, Moura, também estamos. Se me permitem a deixa, e uma vez que não sendo especialista sou consumidor, o Azeite de Moura é, também, garantia de qualidade. Daí que aproveite este meio para promover o programa. Que verei, naturalmente.


sexta-feira, 11 de março de 2016

CÂMARA ABERTA: CONCELHO DE MOURA, CONCELHO AGRÍCOLA - DIAS 3 E 4

Termina a 5ª Câmara Aberta. Depois de quatro dias intensos preparam-se documentos a dirigir a entidades do Poder Central. Haverá, em breve, contactos com a Assembleia da República. Maio e junho serão meses de novas iniciativas: duas edições do Fórum 21, uma em Moura, outra em Santo Aleixo. Entretanto, avançarão novos investimentos. Em maio, teremos a OLIVOMOURA. A vida prossegue. Começa a ser esboçada a 6ª Câmara Aberta.

Visita ao Parque de Leilão de Gado

Já há um esboço de programa para a OLIVOMOURA - de 12 a 15 de maio, o centro do concelho será o Parque Municipal de Feiras e Exposições.

Encontro, em Santo Aleixo, sobre a Contenda.

quarta-feira, 9 de março de 2016

CÂMARA ABERTA: CONCELHO DE MOURA, CONCELHO AGRÍCOLA - DIA 2

Segundo dia da Câmara Aberta. A atenção esteve virada para as empresas, para os seus investimentos e para as suas necessidades de crescimento. Incluímos aí o interesse dos agricultores da Póvoa de São Miguel no processo de expansão do perímetro de rega de Alqueva.

O território está a passar por um processo de mutação que não imaginaríamos há uns anos. A Câmara Municipal tem acompanhado de perto essa realidade. O nível de participação em todos os atos públicos diz bem do interesse e do empenhamento dos munícipes na construção de um futuro que a todos diz respeito.


1. Visita ao terreno onde, na UP 11, a empresa "Herdade dos Cotéis" irá, em breve, iniciar obras para uma instalação fabril.

2. Em diálogo com investidores espanhóis aos quais foi atribuído um lote na UP 11.

3. Reunião com a APIVALE. Projetos de crescimento em discussão: compra de equipamentos, melhoria da qualidade dos produtos e articulação com a Herdade da Contenda no centro das atenções.

4. Comemorações do Dia Internacional da Mulher: o momento não-agrícola do dia. Apresentação do Plano de Apoio a Mães Trabalhadoras, compromisso assumido pela Câmara Municipal e que agora toma forma.

5. Reunião com a Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos: uma peça essencial ao desenvolvimento do concelho, com a qual mantemos um princípio de proximidade. Mas projetos em cima da mesa.

6. Visita às instalações do CEPAAL: a Feira Nacional da Olivicultura e o Congresso do Azeite em pano de fundo.

7. Reunião com os agricultores da Póvoa de S. Miguel. Foram assumidos compromissos, que são para valer, no sentido de se enfatizar a necessidade de, em tempo útil (enquanto há agricultores na freguesia) haver uma expansão dos perímetros de rega.

terça-feira, 8 de março de 2016

CÂMARA ABERTA: CONCELHO DE MOURA, CONCELHO AGRÍCOLA - DIA 1

Quinta Câmara Aberta deste mandato. Há princípios que se mantêm: diversificação geográfica das iniciativas, prioridade aos problemas concretos do concelho, contacto (ainda mais) próximo com a realidade. Num concelho em que a agricultura tem grande peso, e inegável importância económica, é a esse a setor que dedicamos a maior parte da nossa atenção ao longo destes dias.

Importa tanto o contacto com entidades oficiais como com os representantes do setor. Interessa-nos tanto fazer o balanço de investimentos efetuados como perspetivar iniciativas futuras. O debate e a discussão de ideias estão, também, no centro da nossa agenda.


O primeiro dia foi ontem.


Reunião com o Diretor Regional da Agricultura. Entre outros assuntos, falou-se da próxima OLIVOMOURA. Vários dossiês estiveram em análise. Mais dos que os resultados imediatos ficam pontes futuras para diálogo.

Mais uma ronda de consultas com os rendeiros dos Machados. Deixar arrastar o problema não interessa aos rendeiros nem interessa à economia familiar. A disponibilidade da Câmara Municipal neste aspeto particular continua a ser total.

Fórum 21 ("O futuro agrícola do concelho de Moura") e debate na Casa da Moagem, em Safara. Se a agricultura está no centro das preocupações, nada melhor do que trazer o tema para o centro geográfico do concelho.
Participantes: Ana Caeiro (CNA), António Miguel Rosado (AJAM), João Ramos (deputado - PCP) e Pedro do Carmo (deputado - PS).