Obra de José Canudo, deste ano de 2025.
Para ficar num lugar amado, e mais a sul.
Nos campos de Mértola II
Sobre a luz branca das estevas
corre o silêncio quebrado
pelo voo das aves
e o sopro do pulsar da terra.
Flores brancas roxas amarelas
cobrem as raízes dos chaparros
enfeitavam
os lenços
das camponesas
teciam os mantos
das santas e das deusas.
De colina em colina
de brejo em brejo
aspirando o aroma das estevas
procuras o quê?
aloendros vermelhos?
De repente os olhos caem
na fenda do rio.
Está lá baixo
quieto vivo
um retângulo de água
num tabuleiro de pedra.
Esquálidas de sede
amendoeiras descem a encosta
mas as raízes ficam presas no xisto.
As casas os muros as torres
estremecem na água
À noite chegam as vozes dos astros
no silencio dos mortos e dos vivos.
Foi este o poema que António Borges Coelho me dedicou, no livro editado em agosto deste ano. Seria o derradeiro.
A dedicatória é, para mim, uma pequena-grande condecoração.
.
Pois é... Agora foi o Miguel...
E estas palavras, que há uns tempos sabia que tinha de escrever, são das mais amargas em 17 anos de blogue.
Conhecemo-nos em 1983 e ficámos amigos desde então. O Miguel estava nos tempos "tempos livres" e vinha todos os dias de Alcaria Ruiva, numa Casal. Encostava a motoreta à vedação do campo arqueológico e começava o dia. O Cláudio destinou-nos a mesma quadrícula. Falávamos sei lá do quê todo o santo dia. Mas recordo claramente da aprendizagem que aqueles dias foram para mim, com um moço da mesma idade e cujo curso de vida pouco tinha a ver com o meu. O sempre arguto e inteligente Cláudio ensinava-nos coisas da vida, sem a formalidade das aulas.
Dias intensos na minha Mértola.
Música (José Miguel e mais o Miguel Rego e amigos).
Pintura (Manuel Passinhas).
Caligrafia (Bilal Sarr).
Exposição de cordofones.
E mais e excelente música no cais.
Foi o 13º. Festival Islâmico.
Por razões de ordem particular não pude participar na jornada de reflexão em torno do Campo Arqueológico de Mértola (e do seu futuro), que ontem teve lugar. Numa altura em que a instituição passa por grave e profunda crise, todos os contributos são úteis para se caminhar no futuro.
O artigo chegou-me ontem, através do grupo de whatsapp do Campo Arqueológico de Mértola. É sobre a redescoberta das raízes islâmicas de Mértola. Está na Aramco World, uma revista paga com os dinheiros do petróleo saudita.
O artigo não é extraordinário e passa ao lado do tópico decisivo: a "orientalização" da sociedade como fator fundamental do processo de islamização. E, já agora, porquê Mértola e não qualquer outro sítio? E o que é que o Guadiana tem a ver com tudo isto?
Vale pela divulgação.
Ver:
https://www.aramcoworld.com/Articles/July-2024/Pieces-of-the-Past
O que me veio há memória, há dias, em Mértola, foi uma velha canção de João de Barro e Antônio Almeida, de 1948: A saudade mata a gente.
Foi um regresso sentimental aos terrenos de há muitos anos. Os espaço do museu, o Islâmico, mais a mesquita, mais a basílica, que abriu ao público em novembro de 1993... Há momentos que quase parecem irreais.
Está a acontecer, por estes dias, em Mértola. Volto, uma vez mais, ao ponto de partida. Com o objetivo, bem preciso, de retomar um tema de investigação. De uma vez por todas.
O projeto do Campo Arqueológico de Mértola começou em 1978. Vai fazer 46 (!) anos. Não tarda muito estaremos a assinalar os 50 anos. Como será?
Texto lido na homenagem a Cláudio Torres, no sábado:
Quando as escavações arqueológicas arrancaram, em 1978, quem viesse de Lisboa para Mértola contava com longas horas de viagem. A autoestrada acabava em Casal do Marco. Não havia computadores pessoais. Bem entendido, os telemóveis eram objetos de ficção científica. Mértola era um sítio longínquo, perdido nos confins do Alentejo. Vinha-se, portanto, para Mértola. Com esforço e por estradas que são hoje secundárias. Em 1978, arrancavam escavações arqueológicas à procura desses árabes nossos supostos antepassados. Quem financiava este projeto era a Câmara de Mértola. Pontualmente, a Secretaria de Estado da Cultura, concedia apoios às escavações. Mas este era um projeto do Poder Local. Em grande medida, ainda o é.
Recordo, e vale a pena recordar isto, que não havia ainda Lei das Finanças Locais e que grande parte do que nas autarquias se fazia não tinha enquadramento legal bem definido. Em concreto, as iniciativas culturais promovidas pelos municípios eram, para alguns, de legalidade duvidosa. Muitas vozes se levantavam contra estas iniciativas. A Cultura nas autarquias era uma novidade, que nascia do 25 de abril. Ou seja, o projeto das escavações arqueológicas aqui em Mértola arrancava por entre dificuldades e aos solavancos. Empurrado pelo entusiasmo e pelo poder de decisão de um jovem autarca, António Serrão Martins, e de um também jovem professor universitário, chamado Cláudio Torres. Por detrás, estava a figura tutelar de António Borges Coelho.
A partir daí começa a sonhar-se o futuro. O primeiro texto que o Cláudio escreve, e onde desenha o que virá a ser esse futuro, intitula-se “Mértola, o castelo, arqueologia e sonhos”. Isso foi em 1979. Anos mais tarde, em 1991, e quando ganha o Prémio Pessoa, o “Expresso” chama para título da entrevista uma frase sua “prefiro os mitos à realidade”. De facto, foi o sonho que guiou este percurso. O futuro nunca se desenharia se se tivesse recorrido a folhas excel, a gráficos, a indicadores de impacto ou de realização, às ponderações, às metas e aos valores críticos. O que aconteceu durante os primeiros anos, grosso modo entre 1978 e 1993, decorreu sob o signo da improbabilidade. Hoje, passados tantos anos, tudo parece lógico que tivesse acontecido. Esteve muito longe de assim ser. A quase unanimidade em torno do projeto, mesmo em Mértola, não foi sempre assim. Houve momentos de grande dificuldade. Há pouco mais de 20 anos andaram os membros da equipa distribuindo papéis, de café em café, para explicar que a Câmara apenas iria pagar cerca de 7,5% do custo do Museu Islâmico. Sem ressentimento o digo. Todo esse processo foi uma grande aprendizagem, para todos nós. Hoje, Cláudio, o teu trabalho merece aplauso, urbi et orbi. Ainda bem que assim é. Embora tivesse dado jeito que esse reconhecimento tivesse chegado um pouco mais cedo.
Não quero fazer desta intervenção só um elogio, de ti, do teu trabalho, da tua tenacidade, do teu entusiasmo, do teu jeito de ver as coisas pelo ângulo inverso. Mas é claro que tudo o que disser parte desse reconhecimento. Que é o meu e que é o de todos nós. Uma placa num muro tem sempre um significado. Predisse-te um dia, há muitos anos, que um dia haveria em Mértola uma Rua Cláudio Torres. Enganei-me, felizmente. O nome no museu é muito mais justo, e sem ti ele não existiria.
Não vou aqui evocar recordações pessoais de um percurso que tivemos e onde se incluem episódios pícaros (que não reproduzirei), livros como “O legado islâmico em Portugal”, exposições em Portugal (Portugal Islâmico, em 1998), em Marrocos (Marrocos-Portugal: portas do Mediterrâneo, em 1998) e no Brasil (Lusa – a matriz portuguesa, em 2007), o arranque da revista “Arqueologia Medieval”, núcleos museológicos ou o projeto Discover Islamic Art. O único e decisivo testemunho pessoal que te posso deixar é que o modo como desempenhei o cargo de presidente da câmara, o modo como dirijo o Panteão Nacional ou como dou aulas na NOVA são devedores do que contigo aprendi ao longo de mais de duas décadas. Na verdade desde o já distante ano letivo de 1982/83. Espero ter estado/estar à altura dos ensinamentos.
Quem construiu Tebas, a das sete portas?, perguntava há dias, citando Brecht, a nossa amiga Paula Amendoeira. Para depois aludir, claro, a ti e ao projeto de Mértola. O que se passou na vila depois de 1978 não seria possível sem o 25 de abril nem sem aquele período que passa agora para a História como o PREC (Processo Revolucionário em Curso). Foi nessa matriz um pouco desordenada que os tais sonhos eram possíveis, que tudo era possível e que as coisas tomaram forma. Este projeto é o de um Portugal Livre, não de outra coisa qualquer.
Apresenta-se, hoje menos do que há uns anos, Mértola como um modelo. Não é tal, nunca foi tal. O trabalho aqui desenvolvido resulta de um conjunto de circunstâncias, políticas, culturais e sociais daquele tempo. O projeto não seria possível deste modo em qualquer outro sítio. Nem seria possível iniciá-lo daquele modo, naturalmente, na Mértola de hoje.
O projeto é uma vitória? É uma vitória por vezes avassaladora. Um terramoto do qual és o epicentro. Com réplicas em muitos sítios. Mas não mudou, por muito que isso nos custe, questões de fundo. O despovoamento continua, o envelhecimento acentua-se. Não há, tecnicamente, falando, um interior. Mas há esquecimento. E em relação a isso, um projeto de desenvolvimento cultural pode ser, e é, um símbolo, mas não resolve, não resolveu, o resto.
O que é o resto? É passar de 700.000 habitantes no Alentejo em 1950 para 400.000 em 2021. Na prática, cabemos hoje dentro do concelho de Sintra. A isto chegámos. Em Mértola, criaste, sem dúvida, uma grande diferença. Mas ainda (sublinho ainda) não ganhámos o tal futuro que sonhaste, que sonhámos, que todos queríamos e queremos.
O que não queremos? Algumas imagens que, por vezes nos querem colar. O Alentejo não é o exotismo ao virar da esquina, com indígenas que cantam bem, que fazem bom artesanato, bom pão, bom vinho, bom azeite e que, felizmente e em nome dos bons costumes, abandonaram as práticas canibais há cerca de 2000 anos. Nós não queremos ser esse exótico baratinho. O que nós queremos, e temos direito, é a uma vida decente e a um Alentejo melhor. E desse caminho de conquista faz parte integrante o projeto de Mértola. Pelo que foi e que ainda se espera que possa vir a ser.
O que nos interessa é o futuro. Não há soluções infalíveis nem caminhos milagrosos. Mas há coisas que sempre estiveram na matriz deste projeto. O quê? A componente de investigação, bem entendido. As publicações. Os seminários e os colóquios, claro. Mas também as iniciativas improváveis e fora da caixa. A recusa da banalização e do costumeiro. “Temos de inventar qualquer coisa, que isto está a ficar muito sossegado”, dizia o Cláudio com frequência. Depois, seguiam-se semanas de frenética agitação, enquanto qualquer coisa tomava forma.
Foi um percurso pouco ortodoxo. Só em 1991 se publicou o primeiro catálogo de um núcleo museológico, só em 2004 e em 2005 surgiram as primeiras teses de doutoramento. Que a primeira publicação saída deste projeto tenha sido o resultado de uma recolha sobre mantas tradicionais, e não sobre arqueologia, diz muito do que é o génio do lugar. Nesses anos de arranque, duros e complexos, as opções foram outras: recuperar imagens religiosas, participar na reabilitação de edifícios, como aconteceu no museu romano, ou fazer de uma basílica cristã um ponto obrigatório de visita. Tudo isso foram gestos de cidadania e de compromisso que nos fizeram pensar a História, o Património do ponto de vista próximo das pessoas. Destas e não das da Academia ou dos tapetes fofos dos ministérios. Fazendo da Arqueologia um elemento da vida de todos nós. E não me digam que mitizo o passado ou que exagero. Eu estava cá. Foram 14 anos da minha vida vividos assim, dia a dia. Ainda aqui estou, aliás.
A nossa grande aprendizagem passou pelo contacto com uma realidade social que desconhecíamos, e pelo contraste entre as expetativas do jovens universitários versus as expetativas dos jovens que vinham dos montes. Essa pedagogia política, essa aprendizagem da vida era aquilo que o Cláudio tinha como crucial neste projeto. E é claro que tinha razão.
O essencial agora é o futuro. Não há receitas, porque nunca as houve e hoje não é, seguramente, a ocasião para essas reflexões. Sobretudo, porque o futuro não passa pela burocratização, pelo óbvio ou pela repetição de receitas. Pelo fazer uma vez e outra e outra as mesmas coisas. Repetindo iniciativas, uma vez e outra. De um colega nosso, tecnicamente bem preparado, mas que nunca produziu nada que se visse, comentava-me uma vez o Cláudio: “não tem imaginação; e sem imaginação não se escreve História nem se faz Arqueologia”. Recordo aqui uma passagem do filme “Amici miei” de Mario Monicelli. Um personagem interroga-se “o que é o génio? Para depois responder: é fantasia, é intuição, é decisão e velocidade de execução”. Podia ter sido o Cláudio a dizer isso. Porque o padrão dele sempre foi esse. Oxalá tenhamos, no Campo Arqueológico, tomado como boa a lição.
Deixo aqui uma pequena reflexão. Creio que o projeto começa a envelhecer, geracionalmente, logo em meados da década de 80. A saída do Cláudio da Faculdade impediu que, ano após ano, fosse chegando gente nova que o tinha como professor. E ser aluno dele, acreditem-me, fazia toda a diferença. Um dia, há já muitos anos, disse-me ele “vocês achavam que escolhiam vir para Mértola, quando eu é que vos selecionava e puxava para cá”. Quebrado esse laço com a Universidade, só muitos anos volvidos a ligação se reataria. Num certo sentido, era já um pouco tarde.
Com frequência, é nos pequenos gestos reconhecemos a excecionalidade dos homens. Recordo aqui dois momentos que me marcaram. Há muitos anos, o Cláudio foi convidado a proferir seis conferências, sobre património islâmico, na Fundação Calouste Gulbenkian. O anfiteatro esteve sempre a abarrotar. Na última conferência, o tema era a cultura no al-Andalus. O Cláudio não disse uma só palavra nesse dia. O Cláudio convidou para irem a Lisboa três camponeses, Manuel Bento, Perpétua Maria e Francisco António, três artesãos dessa estranha e magnífica arte do cante e da viola campaniça. Foram eles as estrelas da tarde, num recital memorável, na Fundação Gulbenkian. O resultado foi uma interminável ovação. Porque o que ficara dessa memória mediterrânica estava aqui, nos campos do Alentejo, mais do que em qualquer vitrina.
O outro episódio ocorreu no início de 2002. Tinha havido mudança de partido à frente dos destinos da Câmara de Mértola. O Cláudio foi visitar, poucos dias volvidos, um velho militante socialista, Olímpio Bento, que estava já muito doente, levando-lhe, em homenagem, um cravo vermelho. Se alguém merecia celebrar essa vitória era o tio Olímpio.
É esta a minha memória mais intensa do projeto de Mértola. A do sítio das coisas ilógicas, difíceis e contra a corrente, feitas de sonhos, de mitos e de irrealidades. De revistas sem peer-reviews, de museus sem um tostão no dia do arranque, de recuperações de ermidas, de vontade, de tenacidade e de heterodoxias várias. Mas acima de tudo, e essa foi a grande lição para todos nós, de proximidade às pessoas e de um compromisso cultural que foi, desde o primeiro dia, uma forma de participação cívica e de combate político.
Termino como terminei a minha tomada de posse em Moura, há 10 anos.
Para além da curva da estrada, de Alberto Caeiro:
Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.
Um telefonema desta tarde veio-me recordar um facto, já quase escondido, na minha memória. Fui escavar pela primeira vez (na quadrícula F5, mas isso agora é o menos) em Mértola em setembro de 1983.
A viagem para lá foi "épica": de automotora, a das 6 da manhã, de Moura para Beja. Depois a camioneta, de Beja para Mértola. Com derivações por vários montes, como a Corte da Velha. Em Vale de Açor de Cima houve uma paragem técnica. O motorista desceu para apanhar uma encomenda e para beber um copo de vinho branco. Noutro tempo, noutro país...
Estive em Mértola três semanas. Que deram rumo profissional à minha vida, embora estivesse apenas a terminar o 2º ano da licenciatura.
A fotografia é de agosto de 1986, quando estava a escavar o chamado "silo 4"...
Foi na passada terça-feira. Dia de estar em Mértola com um grupo do Centro de Estudos Ismailis. Um verdadeiro (e duplo) regresso ao passado. Deambulando por vários projetos a que dei o meu anónimo contributo. Uma década e meia (1991-2005) verdadeiramente marcante, do ponto de vista pessoal.
O que mais espantou os estrangeiros foi "aquilo acontecer" numa pequena vila, longe dos grandes centros. Uma vez, em Marrocos, perguntaram a um colega nosso quantas universidades havia em Mértola.
Foi o décimo de uma série iniciada em 2005, numa edição da Câmara Municipal de Mértola para o Festival Islâmico.
A apresentação teve lugar hoje, ao final da manhã.
Próximo festival: 2025.
Há alturas assim. Ter de estar entre dois sítios, pelo menos em espírito.
E logo no domingo... Entre o lançamento de um livrinho sobre Mértola e mais um concerto (o sétimo) do segundo ciclo "Música no Panteão".
Os mini-livros que vão saindo - autoria, co-autoria ou colaboração - já vão em 10: Mértola-Chefchaouen (2001), Síria (2005), Mar do Meio (2009), Moura-Bissau (2010), Mosaicos de Mértola (2011), Alcaria dos Javazes (2012), Casas do Sul (2013), Mesquitas (2019) e Bolama (2021). Prevejo mais três até este percurso terminar.
Os concertos no Panteão afirmaram-se e já são, desde 28.11.2021, 16. Sempre, e com exceção do primeiro, com casa cheia. Uma programação de alta qualidade, dirigida pelo Prof. Paulo Amorim.
MÉRTOLA
E LISBOA