Cheguei a casa e liguei a televisão para ver esta série documental. E levei um belo murro no estômago. Estes são os filhos sem pai que foram deixados para trás. E que sofreram uma dupla discriminação. Um deles, de pele bastante escura, era acusado pelos seus de não ser suficientemente negro. Estes sao aqueles que ficaram num limbo, nem num lado nem do outro.
Numa altura em que quase se sente a tentação de um novo luso-tropicalismo (ouçam-se os hipócritas discursos de responsáveis políticos...) ver trabalhos como este leva-nos ao outro lado da História.
Verei o que falta deste belo trabalho de Catarina Gomes. Antes que me esqueça, esta é a diferença entre haver serviço público e não haver.
Este anúncio já por aqui passou. Há muitos anos. Quando há dias, ao almoço, se falava em publicidade e no impacto das imagens lembrei-me deste curto exemplo. Filmado na Austrália, no início dos anos 90.
Todos os da minha idade, mas rigorosamente TODOS, viram/vimos os oito episódios de "Os pequenos vagabundos", uma série de co-produção internacional, rodada em 1970 e que passou por cá em 1971 ou 1972. Em oito episódios, seguidos religiosamente, quando a tv era a preto e branco.
Havia de tudo: aventura, mistério, templários, bandidos, polícias e jovens que eram destemidos e que todos nós TODOS queríamos copiar.
A série foi várias vezes reposta, mas já não era a mesma coisa, claro. O suspense e o mistério tinha desaparecido.
Tenho muitas dúvidas que esta paródia hoje passasse. Nem no Carnaval! Muito menos aquela em que Herman José, vestido de oficial nazi, dizia "em Treblinka, judeu não brinca"...
Dias intensos, de preparação e de gravação de uma oratória, da autoria de Daniel Schvetz. "O mar sem sim" é uma peça inédita, baseada nos 10 cantos de "Os Lusíadas" e destinada a homenagear Vasco da Gama e Luís de Camões.
A emissão televisiva terá lugar dentro de algumas semanas.
Este projeto não teria sido possível sem o empenho da equipa da RTP2. E sem o apoio, a toda a hora, da equipa do monumento.
E sem a ativa presença e participação das seguintes entidades (por ordem alfabética):
Vi em diferido e fiquei preocupado com o que ouvi. É como se a PGR vivesse num universo paralelo. Não pude deixar de notar, contudo, a sua superior inteligência. Fria e cínica, mas superior, sem dúvida.
Também não pude deixar de notar a elevada qualidade do trabalho do jornalista. Preparadíssimo, sem dúvida. Já li críticas por não ter feito o contraditório. Manifestamente, há quem confunda entrevista com debate. Só houve um questão que tive pena que não tivesse sido abordada: a das fugas de informação. Onde haverá responsabilidades "repartidas". Mas valia a pena que a pergunta tivesse sido feita...
A série data de 1975/1976. No original tinha como título Rutland Weekend Television. Por cá deram-lhe o pouco inspirado título de "Os tevetas". Foram seus criadores Eric Idle (um dos Python) e o já desaparecido Neil Innes.
Toda a trama anda em torno de um imaginário canal de televisão. Os sketchs são hilariantes. Muitos deles seriam, pura e simplesmente, cancelados.
Este é o meu preferido. É sobre um ator de filmes pronográficos que, no dia-a-dia, tem um mais que respeitável emprego.
A letra é mais ou menos isto:
This man to all appearances is an ordinary man
You wouldn't think to look at him that he had a single fan
The dirty mackintosh brigade passing by without a glance
Yet if he took off his clothes right now he'd be pumped by all at once
Yes He's the Star of the Sexy Movies (yeah) though his life hidden by the grip (ooh)
Wherever he goes when he's wearing clothes nobody recognizes him
He's Mr. King as the Milkman in "Peeping Tom Came Too"
He played the alcoholic in "Bathroom Frolics" and the bishop in "Kind of Blue"
We never saw his face in "The Dirty Boat Race" with the Oxford and Cambridge Cox
He was the one with a friend in "Third From The End" who never took off his socks
Yes He's the Star of the Naughty Movies oh what a life he's lead
On the fancy springs did all kinds of things He's the King of the king-sized bed
Played Hell Hung Roger in "The Artful Lodger" and Brian in "Whips Ahoy" (Whips Ahoy)
He was Wicked Keith in "Sex Without Teeth" the one with the vicar and the big blonde boy
He played the lead in "She Stayed And Peeped" though his part was rather small (hoo)
And it was tiny too in "The Girls Who..... Do" you could hardly even see it at all
Yes He's the Star of the Dirty Movies and at night they film away
When the morning comes he rejoins his chums a policeman during the day
Yes He's the Star of the Sexy Movies with the first class tissy of shame
When he's back on the beat he's kind of sleek a policeman during the day oh yeah
"Evening all."
Um programa inesquecível: Povo que canta, de Michel Giacometti (1929-1990). Esta gravação data de final dos anos 60 e foi feita na zona de Ficalho. Basta ouvir ver/isto para ter vontade de regressar.
"O mar sem fim" é a oratória inédita de Daniel Schvetz que irá ser registada pela RTP, para posterior difusão televisiva. Homenagem a Luís de Camões e a Vasco da Gama.
O início do outono será marcado pelos detalhes de preparação desta produção.
A cantora iolanda escolheu o Panteão Nacional para o seu vídeo promocional para a campanha de Malmö.
A gravação teve lugar há umas semanas. Respeitámos, claro, o compromisso de não revelar esta iniciativa. "Estamos" na Eurovisão pelo segundo ano consecutivo. Uma visibilidade que me/nos agrada.
(Re)começo hoje o seminário de Gestão e Proteção do Património Arqueológico. Com um número recorde de 33 alunos. Prometerei, e tentarei cumprir, um programa com novidades. Um dos tópicos centra-se, sempre!, no que não deve ser feito. Quais os erros a evitar. Exemplos? O processo da Sé de Lisboa, o projeto do Convento do Carmo (Moura), mais a recente desestruturação legislativa e de serviços etc. Os maus exemplos abundam.
Esta nova geração de alunos tem sempre elementos reivindicativos. Isso é francamente bom. Vamos ver como será.
Como não fazer ou como não ser visto... Vai tudo dar ao mesmo.
Ao revisitar, há dias, o meu já longínquo percurso de aluno do Secundário, um nome "apareceu-me", como um flash: Edwin Mullins (n. 1933). Ao final das tardes (de sábado?), passava na RTP1 um programa intitulado "100 grandes pinturas". Terá sido em 1981, no verão entre o 12º. e a Faculdade.
Era um deambular fascinante e muito simples entre os pintores, a sua obra, e um quadro específico. Pedagogia, cultura, simplicidade, acessibilidade, sem pompa nem presunção.
Isto hoje passaria na RTP2, depois das duas da manhã...
Era um "clássico" da televisão portuguesa nas décadas de 60 e de 70. Começava a projeção de um filme e começava a gritaria: "estes gajos da RTP é sempre a mesma coisa!", "lá cortaram um pedaço ao filme". Tenho um amigo, mais velho, que mal começava a projeção, ligava para a RTP "essa m**** é o quê, pá?, eu pago a taxa toda, quero ver o filme todo!".
As pessoas tinham razão? Não tinham. Para se projetar a imagem na íntegra de filmes em cinemascope a única solução era diminuir a área do écran em cima e em baixo. Se se ocupasse a totalidade do televisor ficariam de fora as zonas laterais da imagem.
O difícil é fazer hoje o contrário. Uma vez, em 2015, quis fazer um pequeno filme no formato 4:3 e foi uma dor de cabeça...
Um escândalo. E um exemplo do que são as supostas "elites" que dirigem alguns serviços do Estado. Transcrevo da página do facebook do meu amigo Rui Nery, do passado dia 20:
Acabo de receber um telefonema de um jornalista da “Visão” que me pedia um depoimento sobre um facto absolutamente extraordinário: segundo ele me explicou, a revista acaba de receber da RTP uma informação formal de que não existe no arquivo da empresa nenhum registo filmado do XI Festival RTP da Canção, realizado em 1975.
Escusado será dizer que em 1975 o Festival RTP era a manifestação da Música Popular Urbana portuguesa de maior impacto público em todo o País, sobretudo a partir de 1969 e nos anos imediatamente subsequentes, quando, no ambiente de relativa liberalização da censura no arranque da chamada “Primavera Marcelista”, o concurso deixou de ser um baluarte do chamado “nacional cançonetismo” e se abriu à participação de poetas como José Carlos Ary dos Santos, Yvette Centeno ou Pedro Tamen, de jovens compositores como Nuno Nazareth Fernandes, Fernando Tordo, José Calvário, Pedro Osório ou Jose Cid, ou de poetas-compositores como José Luís Tinoco ou José Niza. Um momento especialmente marcante foi sem dúvida a vitória, em 1973, da “Tourada”, de Ary e Tordo, num desafio aberto à hipocrisia moral do regime salazarista.
A edição de 1975, em pleno PREC, teve especial relevância por ser a primeira realizada já depois da queda da Ditadura. Venceu a canção “Madrugada”, com letra e música de José Luís Tinoco, na voz de um dos capitães de Abril, Duarte Mendes, e entre as restantes estavam canções tão marcantes como as de José Mário Branco (“Alerta” e “Viagem”), de Sérgio Godinho (“A Boca do Lobo”), de José Niza (“Como uma Arma, como uma Flor”) ou de Pedro Osório e Jorge Palma (“Batalha-Povo”), entre as dez selecionadas. Suponho que não haverá qualquer dúvida de que o registo do evento deveria constituir um documento histórico precioso para a história da Música Popular portuguesa, do audiovisual e do próprio momento decisivo para a História Contemporânea de Portugal que então se vivia.
A informação de que, algures nas décadas que se seguiram, esse registo se terá perdido é – obviamente – gravíssima. Revela, da parte das sucessivas administrações da RTP que entretanto estiveram à frente da empresa uma incúria, uma irresponsabilidade, uma falta de profissionalismo e uma incompetência absolutamente inadmissíveis no que respeita aos mais elementares deveres de preservação patrimonial a que esta está obrigada na qualidade de titular do serviço público de audiovisual, sustentada, para o efeito (e enquanto tal com inteira justificação), por verbas públicas, quer pelas taxas específicas de que beneficia, quer pelas verbas do Orçamento do Estado.
O atual Conselho de Administração não pode, claro está, ser responsabilizado por um facto que segundo todas as probabilidades terá ocorrido antes do seu mandato, mas tem a obrigação inalienável de instaurar agora, verificado o ocorrido, um inquérito rigoroso para apurar o que se passou e para garantir um código de preservação do seu património à altura das suas responsabilidades estatutárias, que impeça que crimes desta natureza – porque é disso que estamos a falar – contra o património público que lhe incumbe salvaguardar possam voltar a ocorrer. E será talvez uma boa ocasião para debatermos todos mais largamente, começando logo pela própria Assembleia da República e pelo Governo, o estatuto legal do Arquivo da RTP e a consagração inequívoca da sua função única e insubstituível como acervo histórico-documental nacional. Porque é importante que fique muito claro, de uma vez por todas, que não se trata de modo algum do mero acervo interno de uma qualquer empresa privada, mas sim de um bem público que tem de estar sujeito a normas rigorosas de tratamento, preservação e acesso amplo e transparente à comunidade.
Tínhamos aulas de segunda a sábado. Saíamos a correr às 19h (!) porque o Espaço 1999 era às 19h10. Na época, a primeira série (a que se seguiu foi bem mais fraca) foi um sucesso estrondoso. O que se passou? O melhor é ir à net ver a fantástica saga da Base Lunar Alfa. E pensar que o que está na origem da série (já) não é assim tão disparatado...
40 anos já lá vão. Foi a grande revolução no humor em Portugal. No bisonho País de então (sim, anda era bastante bisonho...) O tal canal fez a grande diferença. Na semana seguinte, os sketches eram comentados nos corredores da Faculdade. Houve expressões e dichotes (não me chame condenssa que me põe tensa, crise quatre-vingt quatre, imensa paprika etc.) que se tornaram usuais naquele início do 3º ano em que andávamos.
No outro dia falava com uma jovem amiga muito sensível a estas questões do politicamente corrente, da apropriação cultural e outros blablablas que só me dão sono.
Subitamente, dei comigo a pensar num dos meus heróis de infância: o Speedy Gonzalez. Há uns anos, foi retirado dos ecrãs por ser uma estereotipada blablabla dos latinos ou dos mexicanos ou de ambos.
Detesto café sem cafeína e detesto os priores da nova ordem xanax. E falando em imagens estereotipadas, se amuasse de cada vez que troçam da lentidão dos alentejanos e da fraqueza de sentido dos alentejanos e cada vez que contam anedotas sobre a pouca sagacidade dos alentejanos passava horas a fio emberrinchado...
Sobre o Speedy Gonzalez, leia-se o texto que está mais em baixo.
There has been a huge dispute in the last few years about the legitimacy of Speedy Gonzales, a popular cartoon character from the 1950s. He first came onto our television screens in 1953 but he was taken off air in 1999 by the Cartoon Network for perpetuating stereotypes about Mexicans. The Network finds him extremely derogatory and has deemed his offensive depiction of Mexicans unfit for normal tv viewing hours. “In his adventures, the sombrero-wearing mouse sports an over-the-top Mexican accent and uses his super speed to foil foes like the ‘Greengo Pussygato’ Sylvester. Speedy is sometimes aided by a coterie of drunken Mexican mice who lounge around the village, or by his lazy cousin Slowpoke Rodriguez, who seems as slow-witted as he is slow-footed’2. Therefore they have put him in remote times of the day, including late at night. Even though he has offended viewers, most of opponents to his removal come from Hispanics themselves. They find him to be a hero and to hold many positive qualities, some being that, “He is intelligent, he has a strong sense of justice, he is very good at what he does, and he has a healthy sense of humor”3. But with negative images, like Speedy’s lazy cousin, Slowpoke Rodriguez, and other illustrations of smoking and drinking, Latinos in this country are not happy. The debate is mixed between the Latino viewers who call the cartoon racist, LULAC (League of United Latin American Citizens) who has openly criticized Cartoon Network and petitioned for Speedy’s return, and the Cartoon Network itself, which states that part of the reason to limit the airtime of Speedy is because of poor ratings.
In the end, Speedy Gonzales has stirred much controversy but the real question comes from the disparity between Latinos in this country. Viewers in Mexico love Speedy and what he stands for. They triumph this cartoon as a hero to the Mexican people. But there are other implications with Speedy’s depiction that can also be taken offensively, such as the stereotype that all Mexicans wear sombreros, have an accent, have lazy relatives, and are always up against white people. Should this cartoon be put back on daytime airwaves? Is it acceptable since many Latinos in this country support it? The issue deals with more that just stereotypes, but lack of leaders and diversity of those leaders within the Latino community. The media has limited images of Latinos and many have not been flattering. Speedy is a strong hero to some and racist cartoon to others. What does this say about cartoons and drawn media? How do Latinos fit in without stepping on the toes their own people? Can Latinos have a hero in the media that does not personify some of the basic racial notions of what it means to be Latino? Or is this impossible? The question then comes to who is most important to please, Latinos or non-Latinos? Maybe, no matter what, any image in the media, in our society, will draw on some stereotypes regardless
Devo ter tido televisão em casa a partir de finais de 1968, talvez. Teria já uns 5 anos quando o aparelho passou a ocupar a esquina da sala de estar da casa da Rua Nova da Estação, em Moura.
Os televisores eram pouco fiáveis, levavam tempo a aquecer, a imagem não aparecia logo (não se riam, por favor) e, por vezes, o ecrã era um padrão de listas diagonais - a preto e branco, claro - fazendo lembrar gravatas fora de moda.
Às vezes a imagem desaparecia de todo e um dos mais velhos lá de casa começava a dar umas pancadinhas na parte lateral do televisor - um "sofisticado" método de reparação - até sentenciar "isto é de lá!", ou seja, a avaria residia em Lisboa.
Depois lá aparecia o aviso "pedimos desculpa, etc...".
Porque me lembrei disto? Porque ontem fui jantar com um amigo e rimos parvamente quando nos lembrámos do "isto é de lá", frase já desaparecida do quotidiano e que nos fez recuar no tempo.