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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

HUMOR NEGRO E BATAS BRANCAS

Pantanas é a palavra certa para definir o que se vive na Saúde. Algo vai muito mal num País em que as urgências são tema recorrente nas notícias. Cada dia há um coelho tirado da cartola: inteligência artificial, telecoisas, reformas e mais reformas, reprogramações, novidades no INEM, ambulâncias entregues aos privados, etc.

Soluções e progressos é que nem por isso... Valha-nos Claude Serre (1938-1998), que era genial.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

ESTE PAÍS NÃO É PARA NOVOS

Primeira, há uma ministra que vem falar da questão da amamentação como se fosse essa a causa de uma qualquer futura ruína do País. Veio a Ordem dos Médicos a pôr, felizmente, os pontos nos iii https://ordemdosmedicos.pt/amamentacao-e-um-direito

Depois há o inevitável Sebastião Bugalho que explicou às massas ignaras que a ministra tem um doutoramento em direito laboral 😅😅😅. Dava jeito que tivesse tido seminários de Humanidade e de Empatia

Depois, há o caos nos hospitais público.

Ontem:
4 urgências de obstetrícia e ginecologia encerradas (Almada, Setúbal, Vila Franca de Xira e Caldas da Rainha)
5 urgências 
de obstetrícia e ginecologia referenciadas (encontram-se reservadas às urgências internas e aos casos referenciados pelo CODU/INEM)

Num momento em que precisamos de crianças, num momento em temos problemas demográficos, numa altura em precisamos de gente a nascer, não arranjaram melhor tema disruptivo que o da amamentação. Ora bolas, para isso não é preciso nenhum doutoramento.

Finalmente, há estas criaturas:

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

NÃO, O SENHOR NÃO PAGA...

"O senhor não paga". Tinha acabado de fazer a nova dose contra a COVID. Olhei para a senhora, entre o hesitante e o interrogativo. A senhora esclareceu "as pessoas com mais de 60 anos não pagam".

Não paguei, claro. Ganhei uma nova certeza: as vacinas protegem da covid. Mas não imunizam de estados subitamente depressivos...

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

QUANDO O PENSAMENTO ESTÁ AO NÍVEL DO PENTEADO...

Algo que me diz que a carreira política dele ainda não terminou... Infelizmente.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

AS MÁSCARAS, AS VACINAS E O CONTROLE DAS MENTES

Ao passar, há pouco, por um dos raros locais onde é obrigatório o uso de máscara não pude deixar de constatar o sucesso que foi a campanha de vacinação e todo o conjunto de procedimentos em torno do COVID. Já uma vez escrevi aqui sobre isso, em dezembro de 2020, quando o candidato liberal à Presidência da República Tiago Mayan acusou a Ministra da Saúde de ser responsável por 10.000 mortes. Uma afirmação inaceitável que não teve consequências. Fosse ele do PCP...

Para trás ficaram os negacionistas de vária índole, os terraplanistas da medicina e toda a casta de palermas que achava (ainda achará?) que as medidas restritivas se destinavam a controlar os cidadãos e que tudo isto era um "big brother" em forma de seringa.

Usei máscara sempre que tal foi indicado. Tomei as vacinas quando as autoridades de saúde o disseram. Restringi a vida social da forma que fui aconselhado. Às vezes não fui 100% disciplinado, admito-o. Nem sempre fiz tudo certo. Às vezes aceitei de má catadura. No meu círculo próximo, vi muita gente atuar do mesmo modo. Cumprindo e acatando. O pior já lá vai. Sem Big Brother. 



domingo, 2 de janeiro de 2022

O COVID, OS RICOS E OS POBRES

Do site da CNN Portugal:

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu esta quarta-feira que nenhum país sairá da pandemia de covid-19 só pela via do reforço da vacinação. Porquê? Tedros Adhanom Ghebreyesus, que se tem manifestado reiteradamente contra a administração de doses adicionais de vacinas, voltou a reforçar que primeiro há que imunizar os país mais pobres, em particular em África.

Segundo o dirigente da OMS, que falava na videoconferência de imprensa regular da organização sobre a evolução da pandemia, os "programas indiscriminados de reforço" da vacinação "tendem a prolongar a pandemia em vez de acabá-la, desviando as doses disponíveis para países que já têm altas taxas de vacinação, dando assim ao vírus mais oportunidades de se espalhar e sofrer mutações".




terça-feira, 9 de novembro de 2021

QUERES SAÚDE? TOMA!

É cada vez mais "à americana". Se tens dinheiro e pagares, tudo bem. Se não tens, vai morrer longe. Drópe déde.










quinta-feira, 25 de março de 2021

COVID, ÁGUA OXIGENADA E UMA GESTÃO FALHADA

Começo pela declaração de princípios: a culpa dos tempos que vivemos não é, obviamente, da Câmara Municipal. Seja ela qual for.

Mas há coisas de que precisamos, sem sombra de dúvidas: de seriedade, de franqueza, da capacidade de falar claro. De não promovermos procissões com os carros dos bombeiros, convencendo os cidadãos que "vai ficar tudo bem". Porque não ficou. Nem ficará. Há muita gente a penar e a luz ainda está longe. Precisamos que os testes em massa não se convertam em banais ações de propaganda.

Precisámos de liderança e tivemos publicidade.

Precisávamos de conhecimento e chegou-nos demagogia.

Folclore não é estratégia e gesticular não é comando.

Fazer política é falar claro e ser frontal. Doa a quem doer. A começar por nós.

Há um ano escrevi o que se segue. "Aqui d'el-rei", que regar ruas com água oxigenada é que era. Claro que não era. Não me enganei. Não era preciso ser bruxo para não me enganar.


QUARTA-FEIRA, 25 DE MARÇO DE 2020

A PROPÓSITO DO PERÓXIDO DE HIDROGÉNIO

Houve câmaras que resolveram "desinfetar" as ruas, outras que optaram por não o fazer. E umas vão atrás de outras. E quanto maior é a inexistência de ação, mais visibilidade se dá a estas iniciativas. Supostamente, espalhar uns milhares de litros de peróxido de hidrogénio (ou seja, de água oxigenada) minoraria os efeitos do vírus. Maus tempos estes, em que folclore equivale a estratégia... E em que gesticular dá a ilusão de comando.

Não há nada de mal em regar as ruas com água oxigenada - como me comentava um jovem amigo "só tem efeitos nos orçamentos camarários" - sendo que o perigo, real e bem concreto, é as pessoas acharem que já estão em segurança. Ou seja, que podem sair e andar na rua, porque os espaços públicos foram "desinfetados".

Diz a D.G.S. que estas operações não têm efeito na contenção do contágio de COVID-19. Não sendo eu especialista em temas variados - ao contrário do dr. Nuno Rogeiro e do dr. Paulo Portas - acato as opiniões das entidades oficiais. Recolhi a casa, não saio e confio nas autoridades. E preparo-me para os próximos tempos, que vão ser duros e de grande desafio. O bom, velho capitalismo vai querer tirar partido do que restar.

A Câmara de Mértola não borrifou ruas. Fez bem. Sem ponta de ironia.

sexta-feira, 19 de março de 2021

SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE - AULA PRÁTICA Nº 1

Nunca me tinha acontecido. Tive, há poucas horas, de chamar o 112. Uma velha amiga despenhou-se de uma laranjeira e ficou em má situação.

O Estado não presta! Os privados é que são! O CHEGA é que fala verdade (a Saúde deveria ser privada)! Os funcionários públicos são todos uns calaceiros. Os Bombeiros são lentos...

É assim? Não é!

Os Bombeiros chegaram pouco depois do pedido de ajuda e foram impecáveis, de profissionalismo e de simpatia. Não é só tratar dos assuntos com competência, como foi o caso, mas dar ao trabalho um toque humano.

No Centro de Saúde, tudo se passou num topo máximo de qualidade. Não sei se os equipamentos são os melhores, se podia ser assim ou assado. Sei que toda a gente - auxiliares, enfermeiros, médicos - foi de uma excecional qualidade.

A situação foi resolvida. Podia continuar a preencher páginas e páginas dizendo que o Estado está ao serviço de todos. E que num sistema privado (o Chega é que fala verdade, certo?) a minha amiga teria ficado à porta do hospital, se não tivesse (e não tem) um seguro de saúde. Não tem, por opção. Imagino o que aconteceria aos que não têm, por impossibilidade.

Aqui fica o meu público reconhecimento a Alberto Prata, a Valter Monteiro, a Helena Encarnação, a João Santos e a todos os que estavam dentro do Centro de Saúde de Moura (e que não consigo identificar porque, naturalmente, não me deixaram entrar).



sábado, 27 de fevereiro de 2021

AS VACINAS OU O TEMPO ÀS AVESSAS

Quando ontem, de manhã, à saída do centro de vacinação, em Moura, perguntei à minha mãe "quando é que tens de tomar a segunda dose?" e ela me respondeu "tenho de cá voltar no dia 19 de março", não pude deixar de sorrir e de pensar que estou nos antípodas da infância. Nessa altura, era ela que me levava, eu sempre em pânico e pronto para o estendal de lágrimas (meu, claro) que sempre se seguia, às vacinas.

Tinha um boletim destes, com o nome escrito com a caligrafia cursiva e bem desenhada do meu pai, que ainda conservo, porque há uma ou outra que ainda tenho de reforçar.

Já agora, o Programa Nacional de Vacinação, em Portugal, teve início em 1965, e nele teve papel decisivo o Prof. Arnaldo Sampaio, um médico com um sentido democrático da Saúde Pública. A vacinação é universal e gratuita. Até ver...




domingo, 21 de fevereiro de 2021

SAÚDE - UM EXEMPLO PRÁTICO DE ECONOMIA POLÍTICA

Foi notícia, mas sem causar especial comoção, o episódio de uma cidadã que deu uma queda num hospital privado. Que não a tratou, enviando-a para um hospital público. O que é mais que evidente é a desumanidade da atitude. Não sei se ainda fazem aquela coisa do Juramento de Hipócrates. Se o fazem, não se percebe lá muito bem para que serve.

Na verdade, não recusaram socorro. Disseram que o socorro custava 600 euros (300 para suturas, mais 300 para exames). Estamos esclarecidos quanto ao que querem para o sistema de saúde. Tens dinheiro e tens seguro, tens direito a tratamento. Não tens dinheiro, vai morrer longe. Literalmente.

Para os mais distraídos: é exatamente este sistema que o tal CHEGA advoga. Ou seja, não cabe ao Estado financiar a Saúde. Mas sim arbitrar um sistema totalmente privado. Não é interpretação minha, está escrito.


sábado, 6 de fevereiro de 2021

OCIDENTOCENTRISMO - VERSÃO VACINA

"Despenhou-se um Tupolev, de fabrico soviético". Quando ocorria uma tragédia, era este o mote das notícias, nos anos 60, 70, 80... As agências noticiosas eram agências de propaganda. Não me recordo de alguma vez ter lido "caiu um Boeing 737, de fabrico americano".

Num tempo em que rareiam os jornalistas - estão cada vez ao serviço dos grandes interesses económicos... - volta-se à carga, agitando velhos fantasmas. Durante meses, vi serem postas em causa as vacinas anti-covid, que resultaram da investigação de cientistas russos e chineses. Agora, com a bênção ocidental, "parece que são fiáveis", leio, divertido, aqui e além.

Se não resultasse lá teria que ler "falhanço das vacinas de fabrico soviético, perdão russo".





domingo, 31 de janeiro de 2021

CORONAVÍRUS: INFORMAÇÃO NA RÁDIO RENASCENÇA

Já agora, e como este blogue tem umas largas centenas de leitores diários, aqui fica o sítio onde melhor e mais atualizada informação se encontra sobre a evolução da pandemia em Portugal:

https://coronavirus.rr.sapo.pt - ver aqui (Rádio Renascença) informação detalhada e rigorosa.



terça-feira, 22 de dezembro de 2020

A MINISTRA DA SAÚDE

A ministra assim, a ministra assado. Devia demitir-se, já se devia ter demitido. As vacinas não vão dar para todos, pois já se sabia. Dias a fio disto, semanas a fio. A minha área política não é, claramente, a da ministra Marta Temido. Mas, muitas vezes tenho pensado, durante estes meses, quantas pessoas aguentariam, com aquela serenidade consciente (consciente porque conhecedora, não por indiferença), a pressão de todas as dificuldades. Seria possível ter feito melhor? Com os meios que há? Tenho, enquanto cidadão (não sou técnico nem comentador televisivo), as maiores dúvidas.

Ganhei, ao longo dos meses, respeito à ministra Marta Temido. Ao mesmo tempo que se me firmou a convicção que sem o papel do Estado, que sem o Serviço Nacional de Saúde, sem os trabalhadores que têm dado o seu melhor, e até mais que isso, teríamos fracassado.

Ouvir um candidato à Presidência da República, chamado Tiago Mayan, dizer que a ministra é responsável por 10.000 mortes causa uma tristeza sem limites. E revolta, ante a infâmia. São os novos lobos liberais atacando o rebanho...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

ALÔ, UNIDADE DE MISSÃO PARA A VALORIZAÇÃO DO INTERIOR - VERSÃO ULSBA

Das notícias de hoje:

A Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) viu os seus dois únicos médicos de Saúde Pública, colocados por mobilidade na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo tendo a USP da ULSBA ficado sem qualquer médico.










Qualquer dia vai ser assim, como no célebre desenho de Claude Serre (1938-1998).

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

OS PRIVADOS OS PRIVADOS OS PRIVADOS OS PRIVADOS OS PRIVADOS OS PRIVADOS

O disco riscado de sempre. A beatitude dos privados face ao satanismo do que é público. Ao fim de todos estes anos, ainda não engoliram o Serviço Nacional de Saúde, nem o 25 de abril. De acordo com o Prof. Doutor José Gomes Ferreira estamos a caminho de ser a Venezuela da Europa, seja lá isso o que fôr.

O Estado é uma coisa péssima? A questão nunca foi essa. O Estado é uma coisa excelente quando o que é de todos fica ao serviço de alguns (cf. infra). Uma velha tradição das classes dominantes. Os condes e os duques deram lugar às empresas multinacionais, esse outro lugar de beatitude.

Como o jornalismo é, hoje, maioritariamente, uma central de propaganda, a mensagem vai passando. Tal como a obrigação cívica de resistir deve continuar.

Quem escreve estas linhas está, orgulhosa e convictamente, ao serviço da República há 33 anos, 1 mês e 3 dias. 





sábado, 27 de junho de 2020

VAMOS VER O POVO, VAMOS VER O POVO...

"Ser rico deve ser uma coisa porreira...", disse aquele meu amigo, bem mais velho que eu, e soltou uma sonora gargalhada. Estávamos em casa dele, na Lapa, e na televisão passava um documentário sobre a rodagem do "Apocalypse now". Francis Ford Coppolla, deus ex machina, regia aquele exército num jeito barroco. Os meios eram impressionantes. A cena dos helicópteros foi filmada em tempo real, e sem recurso a computadores. Uma coisa de ricos.

Lembrei-me muitas vezes deste episódio, nos últimos três meses. A diferença entre uns e outros está bem espelhada naquele que é um dos palcos evidentes da diferenciação social: os transportes públicos. O presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares, deixou isso bem claro numa entrevista à Antena Um, a meio da semana. Há mais casos naqueles concelhos - Amadora, Loures, Odivelas etc. - precisamente porque são os sítios onde as pessoas mais usam os transportes públicos e onde não têm alternativas Têm mesmo de ir trabalhar e têm de ir assim. A todos ocorre "ser rico deve ser uma coisa porreira...". É esse o teor, com nuances, de muitas conversas que ouço nos transportes públicos.

As fantasias ambientais que se propagandeiam, as ideias dos transportes limpos, baratos e eficazes, são boas para abrir telejornais e para as páginas da imprensa dominada pelas classes A e B. A realidade, e essa eu conheço bem!, é outra. A outra realidade é a do povo. Que uma certa classe política - não o PCP, que esse está sempre onde está o povo - frequenta, com curiosidade de zoo.



Vamos ver o povo
Que lindo é
Vamos ver o povo.
Dá cá o pé.

Vamos ver o povo.
Hop-lá!
Vamos ver o povo.

Já está. 


Mário Cesariny de Vasconcelos (1923-2006) in Nobilíssima Visão (1959)

terça-feira, 21 de abril de 2020

MORTE A NEGRO

O texto veio na "The New Yorker" do passado dia 16. É um artigo particularmente longo, mas merece bem ser lido.

O começo é duro: quando a América Branca apanha o novo coronavirus, os Negros Americanos morrem. Exemplos?

No Lousiana, a população negra representa 70% das mortes por covid-19, sendo que essa mesma população corresponde a 33% dos habitantes daquele estado. 

No Michigan, a população negra representa 40% das mortes por covid-19, sendo que essa mesma população corresponde a apenas 14% dos habitantes daquele estado.

Em Chicago, a a população negra representa 72% das mortes por covid-19, sendo que essa mesma população corresponde a 33% dos habitantes da cidade.

Números exacerbados por dados concretos: os testes ao covid-19 abrangeram, sobretudo, as áreas mais ricas e com menos minorias raciais. Seis vezes mais, para ser preciso. O tal Adolfo da Alemanha não faria melhor.

As condições de vida explicam porque é que os negros americanos têm mais 60% de possibilidades de terem diabetes que os brancos, a mesma percentagem para a possibilidade de uma mulher negra ter hiper-tensão, por comparação com uma mulher de raça branca.

Vale a pena ler o artigo completo:

quinta-feira, 16 de abril de 2020

A UNESCO, A OMS E O IMPÉRIO

O recente anúncio, feito pelo presidente americano, de suspensão de financiamento à Organização Mundial de Saúde, é apenas mais um episódio de uma longa série de atitudes do direito do mais forte à liberdade.

Em 1984, o governo de Reagan enviou um emissário à UNESCO, para manifestar desagrado pela política seguida por aquele organismo. O tom esteve muito longe de ser adequado, ao ponto de Amadou-Mahtar M'Bow, então diretor-geral daquele organismo, ter dito ao seu interlocutor que "não estava a falar com um preto americano". Os Estados Unidos saíram da UNESCO, regressaram em 2001, para voltarem a sair em 2011, porque o hoje tão incensado Barack Obama não estava de acordo com a admissão da Palestina na UNESCO...


Agora é Donald Trump que, insatisfeito com a OMS, decide retaliar. Só me surpreende que haja quem se surpreenda.

terça-feira, 31 de março de 2020

O CHARUTO AMERICANO

O meu amigo entrou numa loja de charutos caros, em Nova Iorque. Barba por fazer, vestido com uma t-shirt dos Marretas e com um chapéu do Crocodilo Dundee. Os clientes da loja tinham pinta de executivos, fancy grey suits and all that stuff... A Cohiba, please, ousou pedir. O empregado quase não o deixou fazer o pedido For you is the next store, on the other side of the street. Põe-te a mexer, como nós diríamos por cá. Até podes ter dinheiro, mas não tens pinta para entrar aqui. Como na cena do Pretty woman, em que ela quer comprar roupa e a põem na rua.

O charuto explica muita coisa. Mesmo tendo dinheiro não se está garantido. Sem dinheiro então, no way... Quando o presidente do país mais poderoso do planeta não tem um sistema de saúde público digno desse nome e  diz que esperar 100.000 mortes será um very good job está tudo explicado. A imagem de Los Angeles (não é o Haiti, em baixo, mas sim South Central) dá uma antevisão do que podem ser as próximas semanas. Oxalá me engane. Oxalá mesmo.