Pareceu-me ouvir música, ontem à tarde. "Que estranho, a esta hora?" (eram 16:30). E era mesmo por debaixo da minha janela. Não resisti à curiosidade. Fui devidamente compensado. Um parzinho treinava passos de tango. Com uma coluna de som a dar o devido enquadramento. E velhos tangos de Gardel. Foram uns momento de privilegiado anonimato.
Isto já por aqui andou, há uns meses. É a lógica sardinha em lata ou para-quem-é-bacalhau-basta. Não tenho qualquer dúvida: quem toma decisões, só anda em transportes públicos na altura das campanhas eleitorais. Por outro lado, a falta de cadeiras propicia cenas criativas. É o que nos vale.
Gostava que fosse Nijinsky, mas não há registos das suas levitações. Causou sensação em todo o mundo ocidental, antes de mergulhar na loucura. Fica esta gravação com Carlos Acosta. Quando o peso dos corpos desaparece e se flutua no ar. O ar não dança, mas sem ele não se dança. Mais um passo nos elementos, que têm passado aqui pelo blogue.
É, seguramente, uma escolha demasiado óbvia. Mas é difícil resistir à Danza ritual del fuego, de Manuel de Falla. Para mais, interpretada por Antonio Gades e Cristina Hoyos. A composição tem um século, mas ninguém tal diria. Dance-se então o fogo.
Voltamos ao tema dos elementos. Quase com o ano a terminar eis, de novo, a água. A água feita dança por Robert Schulz. É a maneira de se celebrar o ano que agora se aproxima do fim. O balanço pessoal deste 2017 virá no último dia do ano. Tem mesmo de ser, até porque, do ponto de vista de carreira profissional, houve um decisivo virar de página.