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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

VAGA DE FRIO

A recente "vaga de frio" (mínimas de 2, 3, 4 graus..., que só podem ser mesmo problemáticas para os sem-abrigo) trouxe-me à memória a inusitada animação ocorrida em Mértola há uns bons 15 ou 16 anos. Equipas femininas do Leste Europeu vinham estagiar para cá porque o tempo era bom. Efetivamente, o final de inverno mertolense andava pelos 16/17 graus, ao nível de um verão setentrional. Muitas das atletas não perdiam a oportunidade de um bom banho de sol em trajes diminutíssimos nas varandas da residencial, para espanto e gáudio de quem passava.

Inverno em Portugal? Olhem para estas entusiastas do clube de natação de Novosibirsk...


sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

OBRIGADO, DOM LUÍS I

Republicano mais que convicto que sou não posso deixar de reconhecer o papel crucial desempenhado por D. Luís I (1838-1889) numa matéria crucial e sensível. E em que Portugal tem, para o tema, um enquadramento bem mais democrático e civilizado que outros países.

Recordo, em Dia de Reis, o regime jurídico dos terrenos do Domínio Público Hídrico (marítimo e fluvial), originalmente estabelecido no reinado de Dom Luís I, pelo Decreto Régio de 31 de dezembro de 1864. As praias e as margens são de todos.


































D. Luís I na mui académica representação de José Rodrigues (1866) - Palácio de S. Bento.

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

PRÉMIO GULBENKIAN

O esplendoroso cenário do Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian serviu na perfeição para a cerimónia de entrega do Prémio Gulbenkian para a Humanidade que ontem teve lugar. Foram distinguidas duas entidades:IPBES e IPCC
Como se lê no site da Fundação: "o júri do Prémio distinguiu, ex-aequo, duas organizações intergovernamentais que produzem conhecimento científico, alertam a sociedade e contribuem para que os decisores tomem medidas mais fundamentadas no combate às alterações climáticas e à perda de biodiversidade". Uma importante intervenção, que a cada dia que passa se torna mais decisiva.

quinta-feira, 17 de março de 2022

quinta-feira, 10 de março de 2022

LENDO A CHUVA

"O Porto recebe 1150 mm em 155 dias; Coimbra 962 mm em 138 dias; Lisboa 708 mm em 113 dias; Faro 453 mm em 62 dias. Moncorvo, com 506 mm em 79 dias, e Campo Maior, com 519 mm em 84 dias (...)"

Orlando Ribeiro, "Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico" (os dados têm mais de 50 anos)

Em 18 anos (2003/2020):

O Porto teve uma média de 1072 mm;

Lisboa teve uma média de 795 mm;

Faro teve um média de 437 mm.

Quem me ajuda a interpretar isto?









Trent Parker (n. 1971) Summer rain



Dados: PORDATA

segunda-feira, 7 de março de 2022

NATUREZA MORTA

Até quinta, nas instalações da Fundação INATEL, em Évora.

Preocupações que andam na ordem do dia. Presença no território sob forma de imagem. Por José Manuel Rodrigues, nome maior da fotografia portuguesa.


quarta-feira, 6 de outubro de 2021

VERDE QUE TE QUIERO VERDE

Vegetais e geografia e clima e Tejo e Lisboa e tudo. A antropóloga Daniela Araújo comissariou uma das grandes exposições dos últimos anos. Sensorial e científica, emotiva e vanguardista (Ângela Ferreira anda por ali) e cheia de boas ideias.

Ora aqui está uma coisa que os alunos do básico deviam ver, em vez de terem de gramar, pela enésima vez, uma ida ao zoomarine ou ao badocapark. Uma coisa é certa. Trazer miúdos a uma exposição assim implica trabalho. Antes e depois. Mas que vale a pena, não tenhamos dúvidas.

Álvaro de Campos está lá, García Lorca não está, mas é como se estivesse.




























ROMANCE SONÁMBULO 

A Gloria Giner y a Fernando de los Ríos

Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
y el caballo en la montaña.
Con la sombra en la cintura 
ella sueña en su baranda,
verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana, 
las cosas la están mirando 
y ella no puede mirarlas.


               * 

Verde que te quiero verde.
Grandes estrellas de escarcha,
vienen con el pez de sombra
que abre el camino del alba.
La higuera frota su viento 
con la lija de sus ramas,
y el monte, gato garduño,
eriza sus pitas agrias.
¿Pero quién vendrá? ¿Y por dónde...?
Ella sigue en su baranda,
verde carne, pelo verde,
soñando en la mar amarga.


               * 

— Compadre, quiero cambiar
mi caballo por su casa,
mi montura por su espejo,
mi cuchillo por su manta.
Compadre, vengo sangrando,
desde los montes de Cabra.
— Si yo pudiera, mocito,
ese trato se cerraba.
Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa.
— Compadre, quiero morir
decentemente en mi cama.
De acero, si puede ser,
con las sábanas de holanda.
¿No ves la herida que tengo
desde el pecho a la garganta?
— Trescientas rosas morenas 
lleva tu pechera blanca. 
Tu sangre rezuma y huele 
alrededor de tu faja. 
Pero yo ya no soy yo, 
ni mi casa es ya mi casa.
— Dejadme subir al menos 
hasta las altas barandas, 
dejadme subir, dejadme,
hasta las verdes barandas.
Barandales de la luna 
por donde retumba el agua.

               * 

Ya suben los dos compadres 
hacia las altas barandas.
Dejando un rastro de sangre. 
Dejando un rastro de lágrimas. 
Temblaban en los tejados
farolillos de hojalata. 
Mil panderos de cristal, 
herían la madrugada.


               * 

Verde que te quiero verde,
verde viento, verdes ramas. 
Los dos compadres subieron.
El largo viento, dejaba 
en la boca un raro gusto
de hiel, de menta y de albahaca. 
— ¡Compadre! ¿Dónde está, dime? 
¿Dónde está tu niña amarga? 
— ¡Cuántas veces te esperó! 
¡Cuántas veces te esperara, 
cara fresca, negro pelo,
en esta verde baranda!

               * 

Sobre el rostro del aljibe 
se mecía la gitana.
Verde carne, pelo verde, 
con ojos de fría plata. 
Un carámbano de luna 
la sostiene sobre el agua.
La noche su puso íntima 
como una pequeña plaza.
Guardias civiles borrachos,
en la puerta golpeaban.
Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar.
Y el caballo en la montaña.

2 de agosto de 1924


Domingo irei para as hortas na pessoa dos outros,

Domingo irei para as hortas na pessoa dos outros, 

Contente da minha anonimidade. 

Domingo serei feliz — eles, eles... 

Domingo... 

Hoje é quinta-feira da semana que não tem domingo... 

Nenhum domingo. — 

Nunca domingo. — 

Mas sempre haverá alguém nas hortas no domingo que vem. 

Assim passa a vida, 

Subtil para quem sente, 

Mais ou menos para quem pensa: 

Haverá sempre alguém nas hortas ao domingo, 

Não no nosso domingo, 

Não no meu domingo,

Não no domingo... 

Mas sempre haverá outros nas hortas e ao domingo!


9 de agosto de 1934

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

LUTA ECONÓMICA E AMBIENTAL

Os pescadores prestam, e até agora ninguém explicou a razão contrária, um serviço ao Ambiente. E são dinamizadores da atividade económica. Então, qual é que é o problema? E porque carga de água estão a ser penalizados?

É nestas alturas que os poderes políticos e públicos têm de vir à linha da frente. Ou isso dá muito transtorno?

sábado, 27 de junho de 2020

AMIANTO NAS ESCOLAS - MOURA FICA DE FORA

O Governo lançou recentemente um programa que visa eliminar as coberturas de amianto existentes em estabelecimentos de ensino. Uma medida positiva, já anunciada em novembro passado. No distrito de Beja serão abrangidas as seguintes escolas: Aljustrel – Escola Secundária de Aljustrel (Aljustrel), Escola Básica e Secundária Dr. João Brito Camacho (Almodôvar), Escolas Básicas de Santiago Maior e Mário Beirão (Beja), Escola Básica e Secundária José Gomes Ferreira (Ferreira do Alentejo), Escola Básica e Secundária de São Sebastião (Mértola) e Escolas Básicas de Abade Correia da Serra (Serpa) e n.º 1 de Vila Nova de S. Bento (Serpa).

Moura fica de fora? Sim. Já não há escolas básicas nessas condições. Durante o mandato autárquico 2013/2017 procedemos à remoção das coberturas com amianto. Um investimento substancial, feito em nome da segurança, e que abrangeu escolas e o pavilhão gimnodesportivo.

Está tudo feito? Não. Neste momento, falta substituir esse tipo de coberturas no pavilhão de exposições e na escola profissional. Estou certo que esse passo está a ser preparado.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

RECICLAGEM E CIVISMO

A fotografia foi feita às 11:02:54 (os telemóveis são o nosso big brother de bolso). Junto à rotunda, em Mértola, o "espetáculo" era este. Sem justificação alguma. Os serviços da RESIALENTEJO fazem a recolha com regularidade e há muito que deixei de andar de ecoponto em ecoponto, à procura de espaço. O "azul" estava praticamente vazio. Bastaria um pouco de trabalho e isto não teria acontecido. Quem ali despejou os cartões fê-lo para não ter trabalho e para não se incomodar.

Bonito serviço!

segunda-feira, 8 de junho de 2020

O CROCODILO OU "À TERCEIRA É DE VEZ"

Em 1972 foi o leão de Rio Maior. Em 2014 haveria um tigre à solta em Paris. Nada, eram rumores. Agora, parece que é a sério. Anda um crocodilo-do-nilo nas águas do Douro. Ainda está em fase de crescimento (atinge cerca de 4 metros na idade adulta), mas já representa perigo.

Mas quem, meu Deus!, é que se lembra de ter um crocodilo como animal doméstico? Essa é a pergunta que toda a gente que ouve a notícia se coloca.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

NÃO É MARQUÊS DE POMBAL QUEM QUER

Ao fim de todo este tempo, ainda não percebi, e sem ponta de ironia o digo, qual a agenda e o caminho do Ministro do Ambiente. O discurso é, com frequência, errático e disparatado. A última ideia apresentada, defendendo a mudança de aldeias de sítio, é o exemplo acabado da sobranceria urbana. Muito antes de se emitirem juízos de valor sobre a localização de aldeias nas margens do Mondego, haveria que reequacionar a localização da maior parte das urbanizações à volta de Lisboa. O que aconteceu em 1967 e, em menor grau, em 1983, não foi fruto do acaso. As inundações cíclicas nas baixas do Porto, de Águeda ou de Albufeira ainda não levaram a que se equacionasse um mudança de sítio de qualquer dessas cidades. Que há erros de planeamento acumulados é coisa de que não se duvida. Que sejam os aldeãos das margens do Mondego a pagar as favas é que não me parece lá muito justo.

Registei também, com grande interesse, a celeridade do governo em reparar os diques e repor a situação antes existente. Não tivemos a mesma fortuna, no Sobral da Adiça. A obra ficou, toda ela, a cargo da Câmara de Moura. Um processo marcante e que (me) deixou fundas cicatrizes.

João Matos Fernandes, um especialista em transportes, vai fazer tudo o que se propôs? Da reparação dos diques, falaremos daqui a dois meses. Quanto à mudança das aldeias, é pouco provável que aconteça. Afinal, não é Marquês de Pombal quem quer.

Obra de  Louis-Michel Van Loo (1705–1771) e de Claude Joseph Vernet (1714–1789).
Está na Câmara Municipal de Oeiras

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

ARRÁBIDA

Não imagino o que sentiria Sebastião da Gama (1924-1952) nos nossos dias. O drama da Arrábida tem décadas. Muitas das nossas "elites", que tanto gostam das coisas avançadas e modernas que se fazem "lá fora", pouco ou nada dizem. Silva Porto (1850-1893), que pintou este recanto do Portinho da Arrábida (aquele toque do pormenor vermelho dos naturalistas 😊), arrepiar-se-ia ao ver a fábrica do cimento.

Agora, são as dragagens. A APA admite que a intervenção "irá criar desequilíbrios na dinâmica natural do delta do estuário do Sado, gerando impactes negativos, diretos e indiretos". E nós não podemos deixar de pensar "mas afinal?...".


Dia 19 há votação na Assembleia da República. Não vai dar nada, bem entendido.



Desabrochar

Tudo se passa,
quando a Manhã nasce na Serra,
como se uma flor abrisse
e pelo ar 
o seu perfume subisse ...



quinta-feira, 9 de agosto de 2018

LEMBRAM-SE DO PETGÓLEO VEGDE?

Sim, os eucaliptos. Eram a salvação. Assim o garantia o ministro Miga Amagal.

Viu-se...

sábado, 25 de novembro de 2017

FALHOU TUDO

Não sou, decerto, nada original. O grande tema de hoje são as cheias da noite de 25 para 26 de novembro de 1967. Recordo as reportagens da RTP, vistas na casa de um vizinho, por entre os comentários desalentados dos mais velhos.

Por entre a censura, escapavam-se números (400, 500, 700 mortos, nunca se chegará a saber o número preciso).

Falhou tudo.

A Proteção Civil.
As comunicações.
A capacidade de resposta das autoridades.
O planeamento, que não houve e que só veio agravar a noite de chuva imprevista e furiosa. Casas e barracas construídas em leitos de cheia foram levadas pelo mar de lama.

Gonçalo Ribeiro Telles explicou porque é que o improviso lusitano tudo agravara. Deixou indicações sábias e oportunas. Ninguém lhe passou cartão. No início dos anos 80 a cena repetiu-se, com consequências felizmente muito menos graves.

Em 2017, o fogo choveu em Portugal. Falhou tudo.

A Proteção Civil.
As comunicações.
A capacidade de resposta das autoridades.
O planeamento, que não houve e que só veio agravar a seca prolongada. Casas construídas no meio da floresta foram levadas pelo mar de fogo.

Portugal mudou muito em 50 anos? Mudou muito e para muito melhor. Onde continuamos a falhar? Na (in)capacidade de organizar as coisas essenciais, na visão de longo prazo, na falta de vontade ou de coragem em resistir aos "jeitinhos", aos "favorzinhos", às "coisas pequeninas" que é preciso ir resolvendo.

As coisas não acontecem por acaso. Continuaremos assim, porque assim somos. Entre muitas coisas positivas teve esta coisa terrível do improviso e da falta de capacidade de séria organização.




segunda-feira, 20 de novembro de 2017

QUANDO O ARDILA SECOU

Estas espantosas imagens datam de 9 de outubro de 2005. Havia eleições autárquicas nesse dia e eu tinha a firme a convicção que iriamos perder por causa da falta de água. O Ardila secara. Secara à maneira dos rios norte-africanos. Que, de algum modo, o Ardila também é. Secara mesmo, de todo. Nem uma gota de água no leito da ribeira. Que era o ponto de abastecimento para o consumo humano de cerca de 40% dos habitantes do concelho de Moura.  Boa parte da população continuava, a despeito de contínuos e angustiados apelos, a consumir alegremente, como se nada se passasse.

As crises são cíclicas. O nosso padrão de consumo é que se alterou radicalmente no decurso das últimas décadas. Felizmente, a nossa atenção aumentou. No início dos anos 80, no meio de uma seca preocupante, a imprensa estrangeira falava desse problema em Portugal. Dentro de portas, a Pátria divertia-se com um boato que corria sobre uma suposto ato sexual envolvendo um futebolista de origem guineense e uma cantora... Hoje, o tema não interessaria ninguém.

É dia 20 de novembro e continua sem chover.

Um Dia de Chuva

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.

Alberto Caeiro - "Poemas Inconjuntos"

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

MOURA - MELHOR AMBIENTE

Divulgando, com prazer, duas intervenções que estão em curso em Moura:

1. A substituição da cobertura do Pavilhão Gimnodesportivo, a que se seguirá a renovação do pavimento. Em dezembro, teremos um pavilhão renovado e melhorado. A obra tem um custo global que ultrapassa 200.000 euros. O telhado, em fibrocimento, não apresentava risco para a saúde pública. A sua destruição parcial, durante uma intempérie, obriga, contudo, a uma completa renovação.
Conclusão da obra: dezembro de 2015.

2. A construção de um viveiro, capaz de dar condições de trabalho adequada ao setor do jardins. Trata-se do culminar de um processo, pelo qual todos lutámos. Do jardim se passou para um quintalão, onde com esforço, se improvisou o que era possível. Agora, as condições passam a ser outras. Para benefício de todos.