segunda-feira, 12 de outubro de 2026

GAZA: PATRIMÓNIO EM RISCO

Foi ontem à tarde. Partilhei espaço com o meu camarada e amigo Carlos José Almeida. Foi na Casa do Comum, na Rua da Rosa (Bairro Alto). O tema foi Gaza e todo o horror que se vive em Gaza. Da destruição de vidas, num continuado genocídio, à deliberada e programada demolição do Património. Ante o silêncio dos governos europeus (com raras e honrosas exceções, onde Portugal não está).

Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar.


domingo, 11 de outubro de 2026

BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL

  • 1996-1998 – Francisco Bethencourt
  • 1998-2002 – Carlos Reis
  • 2002-2005 – Diogo Pires Aurélio
  • 2005-2011 – Jorge Couto
  • 2011-2012 – Pedro Dias
  • 2012-2024 – Maria Inês Cordeiro
  • 2024-2026 – Diogo Ramada Curto†

Nos últimos 30 anos foram estes os diretores da Biblioteca Nacional de Portugal. São, sem exceção, figuras de grande prestígio intelectual. O Prof. Diogo Ramada Curto faleceu há seis meses. O Governo da Pátria ainda não o substituiu. Causa-me a maior perplexidade que não se considere necessário escolher uma figura respeitada no meio (consenso dificilmente haverá, mas é assim a vida...) para ocupar um lugar que é da maior importância. Agir neste domínio, e tomar decisões, é um ato de Cidadania e de valorização da Cultura. Será assim tão difícil perceber isso?

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

O MISTÉRIO DA LOTAÇÃO DOS ELEVADORES

Há um "mistério" que se agrava. Cada dia que passa se tornam mais estranhos os avisos de lotação nos elevadores. Este, algures na zona oriental de Lisboa, garante que cabem lá 21 pessoas. Medi o sítio: tem 2 metros por 2 metros. Ou seja, 4 m2. Isso dá 0,190 m2 por pessoa. Faz lembrar aquela anedota: "como é que cabem quatro elefantes num mini? resposta: dois à frente, dois atrás".


segunda-feira, 5 de outubro de 2026

TAPEÇARIAS

É uma oficina extraordinária. São mais de 7.000 cores para fazer as tapeçarias. É todo um processo criativo complexo e muito bonito. Devia ser obrigatória a compra de peças desta fábrica por todas as entidades do Estado.

Fiquei com essa convicção depois de uma recente visita. O Panteão Nacional ficou a ganhar com a exposição temporária de uma das suas peças.


SÃO BENEDITO E UM BOLERO

São Benedito, o mouro, viveu na Sicília entre 1526 e 1589. Foi canonizado em 1807. É celebrado no Brasil no dia 5 de outubro (hoje mesmo).

Esta escultura, que está no Museu Santos Rocha, na Figueira da Foz, "desmente" um pouco a letra de um célebre bolero, imortalizado por António Machín.















Pintor nacido en mi tierra
Con el pincel extranjero
Pintor que sigues el rumbo
De tantos pintores viejos

Aunque la virgen sea blanca
Píntame angelitos negros
Que también se van al cielo
Todos los negritos buenos

Pintor, si pintas con amor
Por que, desprecias su color
Si sabes que en el cielo
También los quiere Dios

Pintor de santos y alcobas
Si tienes alma en el cuerpo
Porque al pintar esos cuadros
Te olvidaste de los negros

Siempre que pintas iglesias
Pintas angelitos bellos
Pero nunca te acordaste
De pintar un ángel negro

Pintor de santos y alcobas
Si tienes alma en el cuerpo
Porque al pintar esos cuadros
Te olvidaste de los negros

Siempre que pintas iglesias
Pintas angelitos bellos
Pero nunca te acordaste
De pintar un ángel negro

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

HORA DI BAI

Hora di bai? Sim, “hora da partida”, em caboverdiano. (Re) verifiquei, quase com espanto, há semanas, que me faltam, em termos oficiais, menos de três anos para o final da minha carreira profissional. Dela não tenho razão de queixa, que os ziguezagues feitos foram por opção própria. Por vezes, por escolhas demasiado solitárias.

Quando terminei a licenciatura, em julho de 1985, tinha colegas que apostavam que faria carreira universitária. Um deles comentava o meu estilo de condução - prudente e não muito veloz - dizendo “tens condução de professor da faculdade”. Uma frase divertida e absurda. A Academia, naquela altura, não me seduzia nem um pouco. Mas também não a rejeitava. O mestrado, na Nova, e o doutoramento, em França, fizeram parte desse caminho. Depois houve a carreira autárquica (12 anos, zero de arrependimento), depois a direção do Panteão (já lá vão cinco anos e meio) e agora há a clepsidra, que avança sem cessar. Regresso, como sempre, a “Memórias de Adriano”: “dizer que os meus dias estão contados não significa nada; sempre assim foi; é assim para todos nós”. E, como sempre, retomo o trabalho.

Quando vier o outono de 2029 - é essa a “hora di bai”, se entretanto não for alterada e partindo do princípio que lá chegarei - a bússola apontará para um sítio entre 120° e 130° do local onde me encontro. “Nha sonho” está 215° a sudoeste.

Toda a nossa vida é uma geografia. De terras, de pessoas, da família, dos amigos. E dos outros, também. A passagem pelos sítios e os contactos com as pessoas são um lento cerzir de histórias. Misturam-se cores e padrões, como num tapete berbere. E, às vezes, muitas vezes, dá vontade de voltar às origens. E de nunca mais delas sair. Viajei pouco, ao longo destes 63 anos. Somam-se alguns sítios, num percurso sentimental curto. De que tenho sempre saudades? De Roma, de Tunis, de Damasco, de Argel, do Cairo, de Tadmur, de Hydra, de Atenas, de Granada. E, claro, do Tarrafal. Moura e Mértola serão sempre casos à parte.

O Panteão Nacional tem-me deixado pouco tempo “pessoal”. Coisa sem solução, ainda menos nesta idade, mergulho sempre demasiado no que faço. Em 2027 haverá mais uns quantos livros - quatro, se as contas não falharem, entre compromissos académicos e outros. O tempo é agora de acalmia. Não é ainda o momento, outra vez Yourcenar, de ver a linha da costa por entre uma névoa luminosa. Mas aproxima-se o momento do balanço, a hora de pensar no que será a vida depois da vida que tenho há 40 anos. Ainda não é hora de parar, o que só acontecerá quando não houver força para mais. Mas começa a ser o momento de planear a “hora di bai”. Que vai incluir uma família mais alargada, e esse é outro fator decisivo na equação sentimental. Voltarei a todos estes temas na crónica de 1 de outubro de 2029.

Crónica em "A Planície"