sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

TO WHOM IT MAY CONCERN...


In Diário Digital:
O vice-presidente do grupo parlamentar do PS Pedro Nuno Santos afirmou sábado que se estava a «marimbar para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal nas condições em que emprestou», defendendo que o país deve suspender o pagamento da dívida para deixar «as pernas dos banqueiros alemães a tremer». Hoje, o parlamentar negou o sentido das suas declarações: «Nunca fiz a apologia do não pagamento da dívida».
«Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses - ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos. As pernas dos banqueiros alemães até tremem», disse Pedro Nuno Santos sábado, num jantar de Natal socialista em Castelo de Paiva, declarações registadas pela Rádio Paivense FM, mas só agora vieram a público.

Os almoços e os jantares bem regados são, frequentemente, a ante-câmara da tragédia política. Em todo o caso, este atitude é de macho. De gajo com cabelos no peito e palito ao canto da boca. O Pedro Santos é, de certezinha (basta ver a cara dele), daqueles que emborca mines de uma só golada, assim à homem, e que não se acagaça com nada. Só uma coisinha:  se ele vos pedir dinheiro emprestado, estão por vossa conta e risco, ok? Depois não digam que não avisei...

BIENVENIDO A LA TDT

Vive usted en Sanlucar del Guadiana, provincia de Huelva (España)? Es usted una persona con suerte. Tiene la posibilidad de tener acceso a la TDT, un servicio propiciado por una empresa portuguesa, especializada en telecomunicaciones. Es que la zona de Sanlucar, como muchas otras en las cercanías de la frontera portuguesa, tiene cobertura de la TDT. Que es una empresa portuguesa, no recuerdo se lo habia dicho…

Pero si se da el caso que usted viva en Portel, en Ferreira do Alentejo, en Moura, en Alcoutim o en Sousel se va usted a tomar por culo. Con el televisor que tiene y la antena que compró hace tres años vera usted una mierda. Aunque la TDT esa sea portuguesa.

Quizás lo mejor sea comprar una casa en Sanlucar…


A Câmara Municipal de Moura deliberou anteontem, por proposta minha, pedir explicações à TDT sobre este estado de coisas. As falhas na cobertura estendem-se a localidade como Portel, Ferreira do Alentejo, Ourique, Almodôvar, Sousel, Alcoutim ou Grândola e reporto-me apenas a sedes de concelho. Tudo em nome de uma "impossibilidade técnica".

Em resumo: o serviço proporcionado em zonas menos populosas do Alentejo e do Algarve é um negócio sórdido e vergonhoso. Escudado, está bom de ver, em "legislação" e nas "normas" de um concurso qualquer. Esclareço que não falo por interesse pessoal (a minha casa tem cobertura), mas por considerar que esquemas destes são completamente inadmissíveis.

Já agora, essa coisa da ANACOM serve para quê? Alguém me explica?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

MUSEU DE MOURA - Nº 2: THYMIATERION

Uma das mais belas peças de arte do concelho de Moura é este thymiaterion, encontrado no Castelo Velho de Safara e comprado por Leite de Vasconcelos no início do século XX. Pertence ao Museu Nacional de Arqueologia.

O que é um thymiaterion? Um queimador, normalmente de incenso, usado em cerimónias religiosas.

Vejamos o que diz o matriznet sobre a nossa peça:

Queimador ritual composto por duas peças: recipiente de forma troncocónica e bordo horizontal, sobre um suporte de sépalas sustentado por um trípode, e tampa troncocónica com sete perfurações triangulares rematada por uma figura de touro deitado. Ambas as peças são fundidas e o trípode não conserva os pés, entretanto reconstituídos. Esta peça representa uma evolução de um protótipo provavelmente cipriota, difundido por todo o Mediterrâneo. O recipiente relaciona-se particularmente com duas peças (Castulo e outra conservada em Baltimore) datáveis provavelmente da primeira metade do séc. VII a.C. ainda que esta forma de recipiente, por vezes dupla, estivesse em uso por largo tempo, pelo menos até ao séc. VI a.C. O seu pé trípode, ao contrário, relaciona-se especialmente com o exemplar proveniente de Despeñaperros, e mais remotamente, com os protótipos orientais deste. A tampa, por sua vez, deve relacionar-se com as outras peças deste grupo de queimadores.

Este objeto em bronze, com o seu extraordinário touro deitado e datado do século VII a.C., vai ter, decerto, um lugar especial no Museu de Moura.


Sobre o thymiaterion ver:

SCOOP

O jornalismo televisivo no seu melhor. Ontem à noite, na RTP, na nossa:

Uma reportagem sobre uma vitória do Sporting sobre o Benfica (a dos 7-1), ocorrida há um quartel de século. Um tema de total atualidade.

Para compensar, e antes que o SLB reclamasse, tivémos direito à eletrizante reportagem do jantar de Natal do Benfica. Com duas falhas sérias: nem uma palavra sobre a ementa; nem uma dica sobre o ataque que a águia Vitória fez a Luís Filipe Vieira. É assim que se perde o Pulitzer...

Onde é que anda, afinal, o jornalismo de investigação?


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

SOB O SIGNO DO CINEMA

Um post ainda mais pessoal, em dia de efeméride.

Li, com prazer, a entrevista que o diretor de fotografia Eduardo Serra deu ao Expresso, no passado verão. Achei especialmente curioso que tenha estudado Arte e Arqueologia na Sorbonne. A leitura da luz de Eduardo Serra (as suas explicações são muito esclarecedoras) não é, decerto, alheia a essa formação.

A minha primeira intenção ao sair do liceu foi estudar cinema. Uma ideia que causou desespero na família, seguida de súplicas. Não segui segui cinema nem jornalismo. Desses dias ficou uma curta-metragem em 8mm, rodada e montada aos 17 anos e na qual tive como assistente (creditado no genérico e tudo) um conhecidíssimo político da atualidade. O cinema perseguiu-me mais tarde quando frequentei a Université de Lyon 2, à qual foi dado o nome de Lumière, em homenagem aos irmãos Auguste e Louis, naturais da cidade.

Faz hoje trinta anos que tive o meu primeiro dia de aulas na Faculdade de Letras de Lisboa. O curso? História da Arte, um "mal menor" para quem queria ter seguido cinema ou comunicação.

 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

QUEM DEVE O QUÊ A QUEM

Um exercício curioso. A fonte é a BBC:

http://www.bbc.co.uk/news/business-15748696

PRÉMIO APOM 2011

Uma boa notícia logo pela manhã, via facebook.

A Rede de Museus do Algarve ganhou o Prémio Inovação e Criatividade, no âmbito dos Prémios APOM 2011, que ontem foram entregues, em Lisboa. A APOM (Associação Portuguesa de Museologia) distinguiu a exposição "Algarve: do Reino à Região", que no ano passado teve lugar em 13 espaços (museus e até ao ar livre), em toda a região algarvia, abordando pela primeira vez, os últimos mil anos da história e da cultura regional.

Fui comissário científico da exposição "Do Gharb ao Algarve: uma sociedade islâmica no ocidente" (uma das tais 13), projeto desenvolvido para a Câmara Municipal de Silves, em conjunto com as colegas Maria José Gonçalves e Joana Pires e com coordenação da vereadora Manuela Guerreiro. Congratulo-me, por isso, por esta distinção coletiva, que toca muita gente e que, sobretudo, dá visibilidade a uma iniciativa que me parece fundamental: a Rede de Museus do Algarve.

Aproveito também para reafirmar o que tantas vezes disse: a exposição “Cidade e Mundos Rurais. Tavira e as Sociedades Agrárias”, que esteve patente ao público no Palácio da Galeria daquela cidade, foi a mais conseguida de todas. Foi, também, uma das emotivas que pude ver em toda a minha vida.


RUPTURA / FER


Esperei, preocupado, pelos tumultos, pelas barricadas e, até, pela revolução, com talibans e tudo. Já lá vão quatro dias. Nada. Estou um pouco mais aliviado. Gil Garcia saiu do Bloco, por entre elegantes acusações de "parasita", ditadas pelo Dr. João Semedo. Mas a revolução, radical e de esquerda, não chegou.

A que vem isto, se nem sou do Bloco? É que, desde há muitos anos, me torço de riso com o esbracejar "revolucionário" do Gil. Andou pela Faculdade de Letras, onde era a extrema da extrema-esquerda. Sempre de ar furibundo - as massas populares não o compreendiam -, vociferando e contestando tudo. Um dos episódios mais divertidos ocorreu no dia em que decidimos que a sala grande da associação não seria usada para pintar cartazes nem painéis. Uma atividade a que todos nos dedicávamos, com escassos resultados artísticos, muita tinta derramada e muita militância. Toda a gente acatou. Toda? Toda, menos o irredutível Gil Garcia. Que resolveu passar à ação, de papel de cenário e latas de tinta na mão. Uma posição louvável e contestatária, apenas contrariada pela atitude revisionista do Hugo, que, com um vigoroso par de bofetadas, pôs termo à revolução. O Gil saiu porta fora, aos berros de "fascista", "inimigo do povo" e com enérgicas ameaças sobre o futuro do Hugo, quando chegasse a ditadura do proletariado.

Continua na mesma. O Gil, não o Hugo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

1976-2011: 35 ANOS DE PODER LOCAL

O dia 12 de dezembro de 1976 é uma data histórica. Pela primeira vez o povo português foi chamado a eleger os seus representantes locais (câmaras municipais, assembleias municipais e assembleias de freguesia). Um processo repetido, nos mesmos moldes, por mais nove vezes.

Não se consegue imaginar o País de hoje sem o contributo inestimável do Poder Local Democrático. Uma rápida comparação entre "antes" e "depois" bastará para tirar dúvidas. A todos os níveis.

Vivemos agora um momento de viragem. Burocratas sem imaginação estão a dar o seu melhor para desmantelar e fazer em cacos uma das mais importantes conquistas de Abril. Ora são os executivos monocolores - contra os quais brado no deserto há mais de 10 anos -, ora é a redução do número de vereadores em regime de permanência, ora é a diminuição dos lugares de chefia. Ou ainda os cortes orçamentais decididos administrativamente. Assim se paralisam as autarquias. Ainda não chegámos ao momento dos presidentes nomeados pelo Ministro do Interior. Mas já estivémos bem mais longe.


Presidentes da Câmara Municipal de Moura desde 25 de abril de 1974:

1974 - Armando Almeida Manso (PS)
1978 - Luís António Ramos (PS)
1979 - Manuel Romana Ângelo (PCP)
1985 - António Lamas de Oliveira (PCP)
1989 - José Simões Duarte (ind - PS)
1992 - Manuel Vitorino Mestre (PS)
1997 - José Pós-de-Mina (PCP) - em funções

domingo, 11 de dezembro de 2011

CANONIZAÇÃO

Um dos fenómenos mais extraordinários dos últimos anos é a santificação, com direito a vários altares, de figuras maiores do fascismo. Não sou, nem por sombras, apologista de ajustes de contas tardios ou de condenações a penas perpétuas. Daí ao passar de um esponja pelo passado e fingir que nada aconteceu vai o passo do absurdo.

Não posso, por isso, estar mais em desacordo com a recente, e cada vez mais vincada, canonização de Adriano Moreira como grande figura da Democracia em Portugal e, ao que parece, em Cabo Verde. Foi Secretário de Estado da Administração Ultramarina e Ministro do Ultramar, entre 1960 e 1963. Não há registos de qualquer combate que tenha travado contra a política colonial portuguesa ou de textos que tenho redigido, condenando-a.

Tem sido incensado, nos últimos anos, com homenagens que fazem jus a um percurso académico de reconhecido mérito. Nada de mais a assinalar, quanto a esse aspeto em concreto. Que a Universidade de Cabo Verde tenha decidido distingui-lo com um doutoramento honoris causa - e logo o primeiro - já me parece absolutamente fantástico. Entre outras razões porque foi Adriano Moreira quem reabriu o campo de concentração do Tarrafal, para nele serem encarcerados nacionalistas africanos.

A Universidade de Cabo Verde podia, na devida altura ter rendido homenagem a essa figura única que foi Basil Davidson. A Universidade de Cabo Verde, enquanto instituição de um país soberano e independente, lá terá as suas razões para tomar esta opção. Pode ser mania conspirativa da minha parte, mas é muito frequente que estas homenagens correspondam a agendas escondidas por parte de alguém. Um dia o saberemos.

Adriano Moreira em Angola (1961)

TINTO

Uma rota pelas tabernas da Amareleja foi o prato forte de ontem, à hora do almoço. Acompanhando o Grupo Coral da Recreativa. Que foi aquecendo as vozes e que se bem começou melhor terminou. O vinho tinto, fortezinho benza-o Deus!, ajudou um tanto.

No meio das modas mais conhecidas apareceram outras, que se cantavam em tempos e hoje andam meio esquecidas. Tenho um 45 rotações comprado em segunda mão há uns 30 anos com uma interpretação extraordinária (não tenho outra palavra) de Tenho barcos, tenho remos. Há muitos anos que não ouço ninguém cantar essa moda.


Tenho barcos, tenho remos

Quem embarca, quem embarca?
Quem vem p'ró mar, quem vem?
Quem embarca, quem embarc'olé, minin'ólé?
Quem vem p'ró mar, quem vem?

Quem embarca nos teus olhos,
que linda maré que tem.
Quem embarca nos teus ólé, menin'ólé,
que linda maré que tem!

Tenho barcos, tenho remos,
tenho navios no mar!
Tenh'um amor tão catit'ólé, menin'ólé,
não mo dexõ namorar.

Não mo dexõ namorar,
Não mo dexõ compar'cer!
Se eu com ele não casar, olé, menin'ólé
com outro não há-de ser!



sábado, 10 de dezembro de 2011

BRANCO

Hoje é dia de rumar, de novo, à Amareleja. Para mais uma jornada da Feira da Vinha e do Vinho. Depois da Lei Seca de ontem (condução oblige) hoje será dia de provar qualquer coisa. A começar por um copo de branco.

Aqui fica, em jeito de aperitivo, uma fotografia de Robert Doisneau. Não é das mais conhecidas, mas dá-nos bem o ambiente da taberna. Taberna mesmo, sem pretensões de bar à vins, nem de espaço de vinhos e degustação de tapas.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

MOURA, AO JEITO DE MONET


Hoje de madrugada Moura estava mergulhada no frio e no nevoeiro, onde apenas as luzes amareladas sobressaíam. O ambiente evocava a série de quadros que Claude Monet pintou em Londres, em 1904: pontos de luz e formas espessas emergindo na névoa.

Vemos os objetos de todos os dias de forma diferente, quando a luz se altera e lhes confere outra realidade. Uma experiência a repetir com película, com tripé e com diferentes tempos de pose.





HOMBRE QUE MIRA A TRAVÉS DE LA NIEBLA
Me cuesta como nunca
    nombrar los árboles y las ventanas
    y también el futuro y el dolor
el campanario está invisible y mudo
    pero si se expresara
    sus tañidos
    serían de un fantasma melancólico

la esquina pierde su ángulo filoso
nadie diría que la crueldad existe

la sangre mártir es apenas
    una pálida mancha de rencor

cómo cambian las cosas
    en la niebla

los voraces no son
    más que pobres seguros de sí mismos
los sádicos son colmos de ironía
los soberbios son proas
    de algún coraje ajeno
los humildes en cambio no se ven

pero yo sé quién es quién
    detrás de ese telón de incertidumbre
sé dónde está el abismo
    sé dónde no está dios
sé dónde está la muerte
    sé dónde no estás tú

la niebla no es olvido
    sino postergación anticipada

ojalá que la espera
    no desgaste mis sueños
ojalá que la niebla
    no llegue a mis pulmones
y que vos muchachita
    emerjas de ella
como un lindo recuerdo
    que se convierte en rostro
y yo sepa por fin
    que dejas para siempre
    la espesura de ese aire maldito
cuando tus ojos encuentren y celebren
    mi bienvenida que no tiene pausas.


Mário Benedetti

um blogue a partir de Moura


Um blogue a partir de Moura, assim se anunciava, no dia 8 de dezembro de 2008.
As razões de arranque de um blogue são difíceis de explicar. Não irei por aí.

Aqui ficam alguns números:

301.030 visitas (média diária - 275) :
84.400 - 1º ano
111.330 - 2º ano
105.300 - 3º ano

1708 posts
584 - 1º ano
558 - 2º ano
566 - 3º ano

Seguidores:
46 - 1º ano
88 - 2º ano
122 - 3º ano

115 países (mais 11 territórios) de cinco continentes:
41 - Europa
31 - Ásia
20 - América
20 - África
3 - Oceânia

Uma amiga minha diz que sou um maníaco com este tipo de coisas. Talvez, mas é uma mania inofensiva.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

TRÊS

Terceiro aniversário do blogue.
Amanhã será dia para um breve balanço.

PARIS: CINEMA





















E assim se chega à sétima arte. Gosto em particular deste projeto coletivo intitulado Paris je t'aime. São vinhetas do quotidiano, com as quais tantas vezes nos identificamos e onde tantas vezes nos revemos. Regressemos assim à Bastilha, pela mão da cineasta catalã Isabel Coixet. Há, já agora, outro motivo particular para ter escolhido este episódio. A música é da autoria de Rodrigo Leão.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

PARIS: LITERATURA

"Ce sont des personnes qui laissent peu de traces derrière elles. Presque des anonymes. Elles ne se détachent pas de certaines rues de Paris, de certains paysages de banlieue, où j'ai découvert, par hasard, qu'elles avaient habité. Ce que l'on sait d'elles se résume souvent à une simple adresse. Et cette précision topographique contraste avec ce que l'on ignorera pour toujours de leur vie - ce blanc, ce bloc d'inconnu et de silence".

Não é um livro sobre Paris, no sentido histórico ou topográfico. Mas é um livro sobre Paris, enquanto cenário da tragédia. Dora Bruder é o nome da rapariga sobre quem, a partir de um anúncio do Paris Soir de 31 de dezembro de 1941, Patrick Modiano escreve este livro. Não é só a indiscutível qualidade da escrita que chama a atenção. Mas também o percurso íntimo em volta da jovem judia, condenada aos campos de concentração. É um livro perturbador, pelo vazio e desconhecimento em volta da jovem Dora e pelo percurso memorialista e nostálgico do próprio autor. Os dois temas cruzam-se.

O Boulevard Ornano fica no 18º bairro, hoje maioritariamente habitado por uma população de origem africana.

Patrick Modiano é um autor premiadíssimo e de grande prestígio.

A tradução portuguesa de Dora Bruder, editada pela ASA, está esgotada. Mas o livro consegue-se, na versão original, por pouco mais de 5 euros. Vale a pena, posso assegurar.


 

AEROBUS

Do you have a ticket?, perguntou-me a jovem da Carris, baixinha e sorridente. Acontece-me, por sistema, no aeroporto. Não o ser abordado por jovens baixinhas e sorridentes, mas o ser tomado por alienígena. Talvez o 1,83 m. e os olhos claros me possam dar um certo ar de bife. Mas acaba por ser um tanto vexatório para um mediterrânico convicto, para um meridional que faz gala nisso, ser sempre colocado na prateleira errada. Fico mesmo um bocadinho emberrinchado, coisa que disfarço com grande calma. Com fleuma britânica, poder-se-ia dizer.

O aerobus é um dos mistérios maiores de Lisboa. Não percebo porque quase só os estrangeiros o usam - virá daí o do you have a ticket? -, sendo que os nacionais preferem, claramente, ser esfolados pelos taxistas do aeroporto. Sentei-me, com o meu ticket, até chegar à estação de camionagem de Sete Rios.

Sinal dos tempos: este post é escrito a bordo do expresso, que tem net à borla.

Sobre o aerobus: http://www.yellowbustours.com/pt/cidades/lisboa/aerobus-transporte-de-autocarro-do-aeroporto-de-lisboa/


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

VERGONHA

Foi uma sensação inédita.

Não acho especial interesse na moda dos pedidos de desculpa com que agora somos fustigados. Os alemães pedem desculpa aos polacos. Os portugueses pedem desculpa aos angolanos. Os indonésios pedem desculpa aos timorenses. And so on and so on...

Não me sinto responsável por factos que abomino e pelas atitudes que gente que desprezo. Sobretudo quando tudo se passou há dezenas ou centenas de anos. Aconteceu-me, no entanto, uma coisa estranha, ao visitar a exposição L'invention du sauvage. Uma detalhada e cuidada explicação sobre a forma como o racismo foi sendo construído e como foi transformado no direito do mais forte a explorar os mais fracos. E a humilhá-los. Não é apenas o sentimento de superioridade, ou a sua utilização ao serviço dos interesses económicos do Ocidente. Trata-se da transformação, física, humilhante, de pessoas em diversão de circo ou da construção de verdadeiros jardins zoológicos humanos. Senti uma profunda e inexprimível vergonha.

L'invention du sauvage foi inaugurada na semana passada e vai estar patente até 3 de junho de 2012. O comissário-geral da exposição é o ex-futebolista Lilian Thuram.

Ver: http://www.quaibranly.fr/

UNITED COLORS OF GHANA

Tecelagem ganesa - Musée du Quai Branly