sábado, 8 de fevereiro de 2020

NOTAS LACANTENSIS

Temos apresentado a ideia da correspondência do sítio islâmico de Laqant com Moura em vários congressos. O que mais surpreende os meus colegas não é tanto a proposta em si, mas o facto de serem pouco conhecidas as estampilhas, do século VI ou VII, encontradas em Moura e que se reportam a uma Ecclesia Santa Maria Lacantensis. Até à data, não encontrámos um só historiador ou arqueólogo que me apresentasse um argumento em sentido contrário.

Nas escavações do Castelo de Moura, têm continuado a aparecer elementos arquitetónicos da Alta Idade Média. Em 2019, surgiu mais um. Foi recolhido pelo José Gonçalo, depois de uma ação persistente que levou a cabo. O estudo ficará para depois. Mas esta peça, cuja cronologia deverá também rondar os séculos VI-VII, é mais uma achega para a importância de um sítio que vai, aos poucos, sendo redescoberto.



Peça das escavações de 2012, semelhante a uma encontrada em Salamanca.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

HOJE, NO DIÁRIO DO ALENTEJO...

Foi uma "encomenda" de última hora. Fazer a cobertura de uma iniciativa... Que levei a efeito com prazer, e recordando outros tempos em que tinha colaboração mais próxima com o "Diário do Alentejo". Acho que não saiu mal.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

CALIGRAFIAS EM SILVES - FIM DE UM CICLO

Dia 8, às 16 horas, tem lugar a inauguração da exposição CALIGRAFIAS. As fotografias poderão ser vistas na Torre de Menagem do Castelo de Silves. É o sexto e, por opção minha, derradeiro ponto do percurso.

2018 (out.) - Évora (Direção Regional de Cultura)
2019 (fev.) - Alvito (Centro Cultural)
2019 (mai.) - Cuba (Biblioteca Municipal)
2019 (jun.) - Mértola (Castelo)
2019 (out.) - Moura (S.F.U.M. Os Amarelos)
e
2020 (fev.) - Silves (Torre de Menagem)

Aqui ficam os agradecimentos à Fundação Millenniumbcp, à Direção Regional de Cultura do Alentejo, às Câmaras Municipais de Alvito, Cuba, Mértola e Silves e à Sociedade Filarmónica União Mourense "Os Amarelos". E a Jorge Calado, bem entendido.

Aqui fica também a simpática nota que Vasco Medeiros Rosa assinou, em 2018, no "Observador". A do "autarca heterodoxo" fez as minhas delícias.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

FELLINIANO

Um homem, nascido há 100 anos, deu origem a um adjetivo. Federico Fellini (1920-1993) é quase inclassificável. Volto, com muita regularidade, a Fellini. Divertido, polémico, circense, caloroso, fantasioso, apaixonado, podíamos gastar horas adicionado qualificativos. Fellini nunca ganhou nenhum Óscar (envergonhados, deram-lhe um honorário...), nem ganhou em Berlim nem em Veneza. Vá lá, 8 1/2 valeu-lhe uma Palma de Ouro. Que importa? Os filmes de Fellini "ameaçam" tornar-se eternos. Amarcord talvez seja, no seu memorialismo, um dos mais fellininanos. É um dos que mais gosto. Fica aqui o trailer. Viva Fellini!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

ADALBERTO ALVES - 40 ANOS DE VIDA LITERÁRIA

Foi hoje, ao fim da tarde. Teve lugar, na Biblioteca Nacional, a apresentação da mostra sobre os 40 anos de vida literária de Adalberto Alves. Uma sala a abarrotar, num final de tarde cheio de evocações e que incluiu a leitura de alguns poemas de Almutâmide. Na verdade, a iniciativa é um dois-em-um, com outra mostra sobre o poeta do século XI a decorrer em paralelo.

Em breve sairá um livro que inclui cerca de duas dezenas de testemunhos sobre a obra de Adalberto Alves. Teve a simpatia de me convidar. Aqui fica o texto que escrevi.


ADALBERTO ALVES: INVESTIGAÇÃO E DIVULGAÇÃO

As palavras “Invisível a meus olhos, trago-te sempre no coração” acompanharam-me, dias a fio, em 1999. A leitura do poema de Almutâmide, na tradução de Adalberto Alves, fazia parte de um pequeno filme integrado na exposição Marrocos-Portugal: portas do Mediterrâneo. Sob o céu inspirador de Tânger, celebravam-se os encontros e desencontros da História e, também, aqueles que a ajudaram a divulgar aspetos da beleza do passado. Como é o caso de Adalberto Alves.

Não é muito comum que se faça, aos 46 anos, a primeira publicação num domínio tão especializado como o da cultura árabe. Foi um duplo regresso às raízes, as mediterrânicas, que são as de todos nós, e a Beja, terra dos antepassados de Adalberto Alves. À edição promovida pela Câmara Municipal de Beja, rendendo homenagem ao poeta que ali nasceu em 1040, seguiram-se muitas outras publicações. Não foram só as traduções, cuidadas e que recriam o tom poético, sem o trair. Foram sendo dados à estampa trabalhos fundamentais, ora de tradução (o muito justamente celebrado O meu coração é árabe, 1987) ora de divulgação (A herança islâmica em Portugal, 2001), ora de mais aturada investigação (As sandálias do mestre, 2009). Esta última obra deu a conhecer, junto de um público mais vasto, a figura de Ibn Qasi. Ajudou-nos a compreender e a descodificar a complexa personalidade do líder político e religioso e militar que viveu no nosso território. Deste místico do nosso sudoeste peninsular chegou até nós uma obra completa, conservada numa biblioteca de Istambul. Foi esse intenso trabalho de pesquisa e de reflexão filosófica que valeu a Adalberto Alves o prestigioso “Prémio Sharjah da UNESCO para a Cultura Árabe”.

Uma página é curta para abordar tão densa e profícua obra. Não é possível, nem desejável, um balanço. Mas é, seguramente, o espaço para celebrar o autor e o poeta que nos tem ajudado a entender, e a desmistificar, uma parte desse coração que é de todos nós.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

MOURÃO - COMEÇA A TEMPORADA

Lotação completamente esgotada, em Mourão. A praça de touros está bem arranjada, a banda de música esteve em grande nível, o cartel era de qualidade, os Murteira Grave cumpriram. A resposta adequada aos que proclamam, todos os dias, o fim das corridas de touros. Não se pode dizer que tenha sido uma tarde excecional, mas foi manifestamente agradável. Foi um prazer ter estado com amigos da Póvoa de S. Miguel, acompanhando o Grupo de Forcados Amadores da terra.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

JOSÉ COSTA SILVA EM MOURA

Foi um dos mais ativos, e menos conhecidos, arquitetos do Estado Novo. De tal modo que não se conseguem facilmente dados sobre a sua biografia. O consulado de Oliveira Salazar associa-se, na arquitetura, a nomes como os de Cristino da Silva, Pardal Monteiro, Cottinelli Telmo, João Simões, Reis Camelo, Jorge Segurado, Paulino Montez, entre outros. O “português suave” que se foi impondo esmagou o talento de muitos deles. Não sou especialista em arquitetura contemporânea, mas os trabalhos de Reis Camelo feitos no pós-25 de abril parecem-me bem mais interessantes que os dos anos 40 e 50...

No meio desta parada de estrelas, é com dificuldade que identificamos o nome de José Costa Silva. Foi, contudo, um dos arquitetos mais destacados da Junta de Construções para o Ensino Técnico e Secundário (JCETS). Projetou os liceus Salvador Correia (Escola Secundária Mutu Ya Kevela), em Luanda, e Salazar (Escola Secundária Josina Machel), em Lourenço Marques (actual Maputo). A portugalidade tropical é, desde há muito, tema de estudo de Ana Vaz Milheiro. Em Portugal, José Costa Silva assinou projetos como o do Liceu de Faro, nos anos 40. Ainda segundo um texto daquela investigadora – apoiando-se em dados de Fernando Moreira Marques, do livro Os Liceus do Estado Novo, são também da sua autoria os liceus Nuno Álvares (Castelo Branco, 1940), Gil Vicente e D. João de Castro (Lisboa, 1944 e 1945, respetivamente), e José Estêvão (Aveiro, 1947). Trabalhou ainda num anteplano de urbanização da Praia da Rocha.

Em 1951, José Costa Silva foi contratado pela Caixa Geral de Depósitos para fazer o projeto da agência de Moura. Refiro-me à agência antiga, na esquina das Ruas da República e 5 de outubro. É um dos menos emblemáticos de toda a história do banco e um dos mais discretos projetos do seu autor. Tem as pesadas características da maior parte dos projetos da Caixa. Sobressaem um ar sisudo e institucional, como se esperaria de uma vetusta entidade do Estado. Há cantarias de ar pesado e gradeamentos em ferro. A grelha em tijoleira, na entrada da casa do gerente, na Rua 5 de Outubro, dá um ar dos tempos e identifica o apego de toda uma geração ao “português suave”. A agência da Caixa foi vendida há muitos anos, tendo o seu espaço sido ocupado por um estabelecimento comercial. De José Costa Silva. pouco mais consegui apurar. Curiosamente, em tempos recentes, fui dar com assinatura dele num projeto concretizado num bem conhecido edifício lisboeta. Para o qual tive de delinear uma exposição, sobre “Lisboa Islâmica”. Que será assim levada a cabo sob a sombra de um arquiteto que ficou ligado a Moura.

Crónica em "A Planície"

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

... E MÉRTOLA

“Lugares Encantados, Espaços de Património” é a exposição que vai ficar no Museu Nacional de Etnologia, até ao próximo mês de outubro. São quatro os sítios à volta dos quais se reflete o significado da patrimonialização: Fátima, Sintra, Mouraria de Lisboa e Mértola. É um trabalho de grande interesse onde Mértola aparece bem de destaque. O binómio arqueologia-Festival Islâmico está no centro dos tópicos sobre a vila. O diretor do Museu Nacional de Etnologia fez questão de referir o contributo do Museu de Mértola. Soube-me bem ouvir aquilo, mesmo nada tendo a ver com a organização.

Ao entrar na sala, fui surpreendido por uma fotografia. Lá estava eu, dentro do silo 4, em agosto de 1986. Foi há quase 34 anos. Pelos painéis do setor Mértola da exposição fui reencontrando inúmeros amigos. Embaraçado comigo mesmo, não consegui lembrar-me do nome de alguns que passaram transitoriamente pelo projeto. Mas reencontrar Mértola no Restelo foi uma sensação especial.



O ESCLARECIMENTO...

Estive a ler um "esclarecimento" da Câmara de Moura sobre a tentativa de coação exercida sobre os trabalhadores. A "explicação" é uma trapalhada, que tenta iludir uma questão fundamental: não se tenta limitar o direito à greve. Muito menos com "informações" daquele calibre. Foi o meu momento Zach Galifianakis do dia:


quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

HAVERÁ "LISBOA ISLÂMICA"

Nem sempre os projetos se conseguem concretizar como desejaríamos. Há imprevistos e as coisas deslizam. Prazos, locais, guiões etc. Foi assim com a exposição Lisboa Islâmica. Ficou gizada e preparada durante os meus tempos na Câmara Municipal de Lisboa. Preparei um guião, com 4 setores, que era para o Mercado do Forno do Tijolo. Teve de ser alterado, por bons motivos. De 4 passou para 5 núcleos. Será concretizada em 2020. Ganhei nova alma depois da decisiva reunião desta manhã. Detesto deixar trabalhos a meio, embora tivesse a convicção que o projeto iria andar. E vai. Com um bonito projeto que enquadra materiais, imagens e sons.

1) Desempenharei, com prazer, as funções de autor/comissário da exposição;
2) A exposição terá lugar no Ateneu Comercial de Lisboa;
3) A inauguração será em final de setembro;
4) Haverá vídeos que enquadram passado e presente;
5) Teremos Lisboa Islâmica.

Excerto do célebre desenho da Biblioteca de Leiden (séc. XVI): o castelo e a sé

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

AINDA AS JORNADAS EM PALMELA E KANISAT AL-GURAB...

Souvenir das Jornadas em Palmela. Foi uma passagem rápida, antes de rumar a Moura.

Da apresentação feita, e a desenvolver agora, ficou exposta (e aparentemente aceite pelos colegas...) a hipótese da Igreja do Corvo das fontes árabes corresponder não a um sítio na zona do Cabo de S Vicente, mas sim à Ermida da Senhora da Rocha. Tal como me parece possibilidade séria o sítio de Halq a-Zawiya ser o ribat da Arrifana e não em Lagos. Aliás, esta hipótese de Lagos merece-me a classificação de absurda, para ser suave.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

A CÂMARA DE MOURA, O DIREITO À GREVE E OS DIREITOS DOS TRABALHADORES

A minha condição de antigo presidente da câmara tem-me levado a um necessário distanciamento das matérias políticas de Moura. Sobretudo quando de questões de gestão diária se trata. Reduzi praticamente a zero (salvo em resposta a provocações...) as minhas intervenções sobre política local.

Abro hoje uma exceção, depois de vários trabalhadores da Câmara Municipal me terem feito chegar fotografias de uma informação, assinada por um membro do executivo camarário. Que diz essa "informação"? Que os trabalhadores que queiram ir à manifestação a Lisboa, no próximo dia 31, "deverão antecipadamente [fazer] uma participação de ausência por conta do período de férias".

Um escândalo.

A "informação" é uma coação, torpe e ilegal, sobre os trabalhadores. Que estão abrangidos por um pré-aviso de greve e que não têm nada que meter férias ou, sequer, comunicar que vão fazer greve. Foi coisa que nunca vi ao longo de 12 anos de carreira autárquica na Câmara Municipal. Ao contrário, enquanto a CDU esteve na Câmara os direitos dos trabalhadores foram não só respeitados, como promovidos.

Assim vai a minha terra...

Tão depressa se fecharam as "portas abertas" e tão rapidamente cresceram as atitudes policiais e de perseguição.

domingo, 26 de janeiro de 2020

CDS - UMA QUESTÃO DE MARKETING

O congresso do CDS-PP terminou. O final foi um clássico. Um clássico triste, mas "infalível". Como o eleitorado se escapou, muito dele seduzido pelo populismo oportunista do CHEGA, que fazer? Ceder à tentação mais simples e encostar ao discurso dos outros. Esquecem duas coisas banalíssimas, que em momentos de pressão são, por norma, esquecidas. 1) o espaço já foi ocupado; 2) as pessoas preferem sempre os originais às cópias. Qualquer recuperação da argumentação cheguista será vista como cópia. O CDS ameaça o destino de Narciso.

Narciso - Caravaggio, 1594-1596 (National Gallery)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

QUINTA COLUNA Nº. 8: MÉRTOLA, O CAMPO ARQUEOLÓGICO E O FUTURO

Cláudio Torres recebeu, no dia 11 de janeiro, a Medalha de Mérito Cultural. Em rigor, é a segunda vez que recebe tal distinção. O galardão entregue, em 1998, ao Campo Arqueológico de Mértola era dele, também. Claro que representou um reconhecimento para a equipa, mas, no essencial e de modo natural, quem estava no centro das atenções era o próprio Cláudio.
Duas décadas se passaram e o Ministério da Cultura – essa entidade estranha de que os governos de Direita nunca gostam… – volta a manifestar o seu reconhecimento a Cláudio Torres. Foi uma festa muito bonita e emotiva. Como colaborador da casa, membro fundador do Campo Arqueológico de Mértola, atual investigador da equipa e, sobretudo, como amigo do Cláudio, lá estive. As intervenções – de Ana Paula Amendoeira, de Rosinda Pimenta, de Graça Fonseca, de Cláudio Torres – foram excelentes. Muito apropriadamente festivas, mas também de clara intenção política. Sem picardias, mas colocando os pontos nos iii. Fixemo-nos num ponto da intervenção do próprio Cláudio: “oxalá a gente consiga organizar aqui, em continuidade, um centro de investigação, que possa abrir, para o futuro, novas perspetivas, novas formas de investigar e de trabalhar, que possa desenvolver esta zona de uma forma mais coerente”. Não é só uma questão de dinheiro, sublinharia a ministra Graça Fonseca. Decerto que não. O problema é, antes de mais, demográfico. De capacidade de renovação de gerações. Do sangue novo que falta. O próprio Campo Arqueológico é disso exemplo. Sedimentada a equipa nos anos 90, não tem havido grandes possibilidades de incorporação de novos membros permanentes. As fontes de financiamento e de apoio têm sido a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, os fundos comunitários e a Câmara Municipal de Mértola. Os projetos e as bolsas da Fundação têm tido altos e baixos e trabalhar na corda bamba, a todos os níveis, é tudo menos fácil. Os fundos comunitários têm o problema da chamada contrapartida nacional. Ou seja, aquilo que a entidade tem de garantir, do ponto de vista financeiro. Uma entidade sem recursos financeiros próprios tem de recorrer a outras fontes de financiamento, de modo a cobrir a parte que lhe diz respeito. E aqui entra a Câmara Municipal de Mértola. Que tem apoiado, de forma firme e ao longo de 40 anos, a investigação histórica e arqueológica em Mértola. Recentemente, foram aprovados mais dois projetos: “Mértola Romana”, apresentado pela Fundação Serrão Martins, no montante de 173.732 euros, outro, “Arqueologia in progress”, pelo próprio Campo Arqueológico de Mértola, com um orçamento de 245.877 euros. Ao todo, são 419.609 euros, para investir até final de 2020, no primeiro caso, e até meados de 2021, no segundo. Conheço bem estes mecanismos de financiamento – foi pelouro que tive, durante mais de uma década, em Moura –, e uma coisa posso garantir. Não conheço outro caso de uma pequena Câmara Municipal que apoie, de forma tão consistente e continuada, um projeto de reabilitação patrimonial como o de Mértola.
O Campo Arqueológico de Mértola continua no centro das atenções. E do programa de valorização que em Mértola tem lugar. É o Campo um sítio de estudo do passado, mas, necessariamente, do futuro. Com a Câmara Municipal, sem dúvida, com as universidades, com os poucos fundos privados que apoiam tão “exótica” atividade. Com os membros atuais e com alguns dos antigos, e com os novos que se nos vierem juntar.
Em pano de fundo, está a questão fulcral que Cláudio Torres abordou, e à qual regresso. O da demografia. Os pouco mais de 1000 habitantes da vila e o seu (meu, nosso…) escalão etário, que são uma fragilidade presente futura. Precisamos de gente e, sobretudo, de juventude. Precisamos de investimento público governamental. De medidas fiscais, que vão além da insignificante, em termos de desenvolvimento, taxa variável do IRS. Precisamos do Estado. E não de declarações de amor em tempos eleitorais. O futuro do Campo Arqueológico será o de Mértola. Oxalá se consiga. Mas em jogo solitário não se conseguirá.


Fotografia - Artur Pastor
Crónica publicada hoje, no "Diário do Alentejo"

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

APAIXONADO PELO INTERIOR - EPISÓDIO CCXLIV DE UMA CONHECIDA E PREMIADA TELENOVELA

"Eles vêmnaí, os das Forças do Almada; a rede fica tâ miudêra que nã se escapa nem um saramugo". Assim falava um calêro [mourense de gema] nos idos de 1974, pouco depois do golpe. Não foi bem assim. O Alentejo perdeu gente, perde cada vez mais gente. Amigos da Coesão soa a grupo almoçarista. Os Amigos da Coesão vão, pois, almoçar a Beja. No fim haverá uma pugente declaração (mais uma) de amor ao interior e aos territórios de baixa densidade (adoro este tecnocratês para mascarar o que está de rastos). É só aguardar.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

MR. CREOSOTE

Parte do começo da minha adolescência foi pontuada pelos MALUCOS DO CIRCO. Não percebia tudo, nem sabia inglês. mas aquilo era tão insólito e tão fora da norma que até um miúdo de 12 anos ficava grudado a quase meia hora de coisas absurdas. Para a história ficam também os filmes. Como O sentido da vida. Como este sketch, protagonizado por Terry Jones (1942-2020), hoje desaparecido.

DIA DE TESE

Não é prática corrente, até porque, formalmente "não estou na carreira". Mas a arguição da tese de Luís Gil, que me foi pedida pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, deu-me especial prazer, por ser sobre Marrocos e por ser um importante esforço de identificação de campanhas de obras e da sua datação.

Safim e a aventura colonial portuguesa no norte de África foram a minha companhia nos últimos dias. Virar de página. Outras coisas se aproximam.

(gosto em especial que o traje académico de Letras, em França, seja amarelo e preto, as cores de uma das minhas terras; a fotografia, com a luz detrás, fez-me lembrar uma música dos Pink Floyd...).

Fotografia de grupo, após as provas (da esquerda para a direita):
Francisco Caramelo (diretor da FCSH), Mário Barroca (Univ. do Porto), Paulo Pereira (Univ. de Lisboa), Luís Gil), o autor do blogue, Luís Miguel Duarte (Univ. do Porto) e André Teixeira, orientador da tese (Univ. Nova de Lisboa)

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

MOURA, COM UM TOQUE GREGO

Mais um testemunho de Moura. A imagem data de 1958. É de uma das últimas casas do castelo. O autor é Diogo Margarido, um belíssimo fotógrafo do Alto Alentejo.

O castelo continua a ser(-me) indispensável. As casas já lá não estão, aqueles gatos seguramente que não. O castelo que eu conheci é muito diferente do de hoje. Mas renova-se-me a alma todos os anos, quando os trabalhos recomeçam e se dá um pouco de contributo para o conhecimento do que é nosso.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

LER A ÁGUA

Está na hora de retomar temas mourenses. O próximo estudo que farei sobre a nossa terra incidirá no tema da água. Vista e perspectivada nas mais variadas dimensões. Retomarei alguns aspetos aflorados em Água - património de Moura (2015/2017) e lançarei novas pistas de trabalho. Será assim, a partir de 2021. Porque o trabalho de base de toda a divulgação é o conhecimento prévio. Caso contrário, é circo mediático. Que dura tanto como um fósforo.

Para além do livro sobre a Mouraria, que está na gráfica e que sairá em fevereiro, está na hora de retomar esse tema. Foi domínio que a minha colega Marisa Bacalhau lançou (e bem!) que se desenvolveu autonomamente. Parte da exposição Água - património de Moura beneficiou das atividades de animação e das visitas que ela coordenou.

O caminho faz-se caminhando. O futuro é sempre em frente.

domingo, 19 de janeiro de 2020

É ISTO UM GOVERNO DE ESQUERDA?

Uma coisa que me fazia embirrar com os eme-erres nos tempos da Faculdade (ainda existiam, no começo dos anos 80, antes de terem migrado para os tapetes fofos do Poder, sob o signo do PS e do PSD) era o tom histérico com que intervinham. Aqueles guinchos davam-me cabo dos tímpanos...

A histeria extremista continua a fazer das suas. Agora, ungida pelo bem parecer. Há (muitas) alturas em que precisamos de moderação e de ponderação. Em Espanha, optaram por isto. Bom proveito, dá vontade de dizer. Deus me livre de me cruzar com estes veganos das novas cruzadas ideológicas...