sexta-feira, 9 de abril de 2021

QUALQUER DIA AINDA INAUGURAM A TORRE DE MENAGEM...

A homenagem aos combatentes ocorreu no dia 24.4.2013. Não foi hoje.

A inauguração das obras dos Quartéis teve lugar no dia 14.6.2014. Não foi hoje.

A cedência de um espaço no edifício dos Quartéis à Liga dos Combatentes foi no dia 28.11.2016. Não foi hoje.

Perguntaram-me se, tendo em conta as responsabilidades que tive, tinha ficado aborrecido com o ato que há pouco teve lugar, no qual se apagou a anterior lápide e se substituiu por outra idêntica, mudando-se a data. Uma apropriação daquilo que outros fizeram. Não fiquei, nem um pouco. O cargo que atualmente ocupo dá-me a perfeita noção da importância da memória coletiva e da pouca importância da vaidade dos homens.

Fico orgulhoso do trabalho realizado (nos Quartéis entre 1997 e 2014). E vejo na incapacidade atual em imaginar e em inovar o estado a que chegámos. Quando não se é capaz de fazer melhor que mudar lápides como forma de marcar terreno está (quase) tudo dito.

A inveja é a homenagem que a inferioridade presta ao mérito, como dizia Victor Puiseux? Seguramente.

Fotografias de um passado recente (2012-2017):








quinta-feira, 8 de abril de 2021

PECORRENDO A CERCA MOURA: O VÍDEO

Vídeo pertencente ao setor 2 da exposição "Lisboa Islâmica". A vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, teve a simpatia de estar presente e de fazer a abertura desta sessão.

Tracei o guião, enriquecido com o contributo de colegas como Jorge Ramos de Carvalho, Manuela Leitão, Manuel Fialho Silva e Miguel Gomes Martins. No essencial, trabalhámos sobre aquilo que Augusto Vieira da Silva delineou.

O essencial é que, a partir de uma filmagem (um trabalho de enorme qualidade de Miguel Pité) e da visão aérea da cidade se perceba "onde está" a cerca moura.

Eis o resultado:


PERCORRENDO A CERCA MOURA: HOJE, ÀS 17 HORAS

Este vídeo deveria ser parte de uma exposição sobre "Lisboa Islâmica". A filmagem e a montagem são um trabalho irrepreensível da Videoteca Municipal.

Com a ajuda de um drone percorre-se o limite exterior da muralha medieval a cidade anterior à Reconquista. A explicação tem lugar hoje à tarde, numa sessão promovida pelo Gabinete de Estudos Olisiponenses. É às 17, a cores e ao vivo.

Continuo, claro, com fé que um dia haja "Lisboa Islâmica".

Link:

https://youtu.be/L_1SYq5K5XY




quarta-feira, 7 de abril de 2021

MOURA ROMANA - MAIS UM PASSO

Saiu hoje, no Ficheiro Epigráfico, um trabalho sobre uma importante inscrição romana de Moura. Tem havido um razoável conjunto de publicações sobre temas arqueológicos dados à estampa nos últimos anos.

Na inscrição lê-se

IN HONOREM DOMV[S] [DIVINAE] [...]

Em honra da Casa Divina...

"A expressão In honorem Domus Divinae costuma encimar monumentos públicos mandados fazer por magistrados locais, que, para sensibilizarem, de certo modo, o poder central,decidem mandar gravá-la a anteceder o texto em que especificam o monumento erigido e as circunstâncias em que o foi".

Texto completo em:

https://www.academia.edu/45787115/Ep%C3%ADgrafe_Monumental_de_Moura?fbclid=IwAR1QW6usEgO8Vdo66RxP4LMPT4mirq0v3x3pn4f54nPpA2K08HalYdylYUo




terça-feira, 6 de abril de 2021

PIERRE GUICHARD (1939-2021)

Chegou-me, há pouco, a triste notícia do falecimento de Pierre Guichard, nome indispensável da História e da Arqueologia do al-Andalus. Ouvi falar dele, pela primeira vez, em 1982, quando Cláudio Torres considerava obrigatória a leitura de Al-Andalus: estructura antropológica de una sociedad islámica en Occidente. Curiosamente, o que Guichard defendia era, em essência, o oposto do que Cláudio Torres sustentava. O que estava ali em causa eram os mecanismos e os processos de islamização. Um pequeno ensaio sobre o castelo de Perpunchent foi, para mim, exemplo da argúcia e da capacidade de leitura, análise e explicação de uma sociedade a partir de uns muros e de umas torres.

Só o conheci pessoalmente em 1992, num célebre colóquio da Castrum, onde estiveram presentes muitos que já nos faltam, e que farão sempre falta: Manuel Acién, Riccardo Francovich, Miquel Barceló... A apresentação que mais me impressionou, pelas suas implicações histórico-antropológicas foi uma da inefável dupla belga Matthys - De Meulemeester (ambos também já desaparecidos) sobre Cabezo de Cobertera. O cruzamento entre arqueologia e etnografia tornava-se claro e a função do "agadir" passava ser uma evidência. O que Guichard apontava era cada vez mais visível. Não me atrevi, claro, a dirigir-lhe a palavra. O Cláudio convidou-o a ir a Mértola. E ele "claro que sim", sem perceber muito bem a razão do convite, nem se dando conta do estatuto que tinha nem do respeito que o seu nome suscitava em Portugal. Cá esteve, em 1993, participando num colóquio no salão na Junta de Freguesia de Mértola.

Entre outubro de 1996 e junho de 2005 fui-me cruzando com o Prof. Pierre Guichard inúmeras vezes, enquanto a minha tese ia, desordenadamente, ganhando forma. Ao longo desses anos fui consolidando uma imagem. A do investigador íntegro e sério, de uma timidez que se tornava divertida, de tão radical, a do professor tolerante e amigo dos seus orientandos. "Vous-êtes où, dans votre thèse, Santiagô?", até me fazer prometer (o que cumpri), que entregaria tudo num prazo de dois meses... A tese nunca teria chegado ao fim sem os seus comentários, as suas críticas e a sua postura ética e científica, aceitando muitas perspectivas bem distantes das suas. Tinha um mal disfarçado orgulho nos seus melhores discípulos, como Yassir Benhima, Tariq Madani ou Jean-Pierre Van-Staëvel.

Em 2006 convidei-o para a apresentação da edição da tese em pleno Castelo de S. Jorge. Encontrei-o depois disso num colóquio patrocinado pelo Fondation Schlumberger (numa herdade na Provença tão grande que tinhamos de andar de carro entre os chalés e o edifício principal, o que fez com que o distraidíssimo Prof. Guichard enfiasse o seu Twingo numa valeta, a altas horas da noite; ante as piadas dos colegas, habituados a tais "proezas", desculpava-se encolhendo os ombros "je ne sais mas qu'est-ce qui c'est passé..."). Vi-o pela última vez, num encontro na Nova, há 5 anos. Estava siderado com o facto de eu ser presidente de câmara.

Em 2010, intitulei uma exposição organizada em Silves "Do Gharb ao Algarve - uma sociedade islâmica no ocidente". Foi uma forma quase explícita de homenagear um homem a quem a História do al-Andalus tanto deve. E a quem tantos de nós tanto devemos pelo que nos ensinou como forma de estar na vida científica.









A fotografia data de 14.2.2006 e nela vemos, durante a sessão no Castelo de S. Jorge, da esquerda para a direita:
* Pierre Guichard, então professor da Universidade de Lyon 2 e diretor da UMR 5648
* Jorge Pulido Valente, então presidente da Câmara Municipal de Mértola
* José Amaral Lopes, vereador do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa
* Cláudio Torres, diretor do Campo Arqueológico de Mértola
* o autor do bloguem então vereador da Câmara Municipal de Moura

segunda-feira, 5 de abril de 2021

MAIS 20 DIAS DE "GUERREIROS E MÁRTIRES"

Podia ter corrido melhor? Sem dúvida que sim, ao nível do número de visitantes. Mas, a partir de meados de 2020, ficou claro que haver exposição já seria um milagre. No dia 19 de novembro não pude deixar de pensar "missão cumprida". Havia exposição e catálogo. Houve, depois disso, um trabalho fora do comum do serviço educativo do museu. Os vídeos que andam pelo youtube comprovam esse empenho e essa qualidade.

Daqui a menos de três semanas fecha-se este capítulo. Deixa-me um punhado de recordações, quase todas muito boas. "Isto" arrancou em 2017, foi tomando forma e meteu um discurso do Joaquim Caetano no final de uma procissão, em Travassô, numa noite chuvosa de janeiro de 2019.

Este capítulo vai ficar fechado.

E agora? Bom, agora é altura para tentar concretizar um projeto com 15 anos. E que nesta altura ainda ganha mais sentido.



domingo, 4 de abril de 2021

STARDUST MEMORIES Nº. 50: JOSÉ RODRIGUES PERFEITO, O HOMEM DA ESCRITA IDEOGRÁFICA

Nasceu em 7 de janeiro de 1887 e morreu em 2 de agosto de 1975, aos 88 anos. Chamou-se José Rodrigues Perfeito e era o meu bisavô. Lembro-me muito bem dele, sentado na sua cadeira de braços, na cozinha da Avenida da Salúquia, nº. 34. Quase sempre sorridente, quase sempre silencioso.

Na sua cédula está identificada a profissão: jornaleiro. Foi trabalhador rural até poder trabalhar, numa idade já avançada. Um homem digno. A história da sua reforma é das mais humilhantes recordações de infância que conservo. Fica para um dia, mais tarde.

Na cédula diz, também, "não sabe assinar". Na Herdade da Defesa, onde trabalhava, mandavam-no a Moura fazer compras. Não podendo reter tudo de memória, e não sabendo escrever, "criou" uma escrita ideográfica em que determinadas símbolos identificavam produtos e outros as quantidades. Nunca soube como. Isto foi-me contado pelo meu pai, já o "avô Zé" tinha falecido há muito.



sábado, 3 de abril de 2021

MISSÃO IMPOSSÍVEL EM ISTAMBUL

Foi há muitos anos, num hotel na zona de Beyazit, em Istambul. O sítio era tranquilo e estava perto de tudo o que importava visitar. O preço era moderado e recordo que tinha uns soberbos pequenos-almoços. Servidos, infelizmente, num sala interior.

Mas a grande atração durante aquela semana e pouco em que por lá andámos foi a clientela russa, que tomou o hotel "de assalto". Sendo gentil, diria que não tinham assim muito bom ar. Pontificavam uns moços de casacos de cabedal compridos e de óculos escuros. A grande atração era uma flausina loirinha e espirra-canivetes, que de passeava pelo hotel, de ar dengoso, fazendo trejeitos e boquinhas. Devia ser a namorada de algum capo. Andava sempre a acompanhá-la, atrás ou ao lado dela, um gorila semelhante ao da fotografia. Ele de fato escuro, gravata preta e ar de pouquíssimos amigos.

À noite, no bar, viamos passar o grupo, com a loirinha (e o respetivo gorila) a pontificar, em direção à discoteca. Aí começava o barulho. Música que fazia tremer as paredes, até altas horas. A farra terminava às 4 da manhã, com o tema da Missão Impossível. Que, quase sempre, era servido em dose dupla. Ainda hoje me pergunto me pergunto "quem diabo seriam?".

Aqui fica o tema de Lalo Schifrin, em homenagem ao próprio e a uma jovem amiga, a quem há dias contei isto.






sexta-feira, 2 de abril de 2021

PAIXÃO POPULAR

Do Evangelho segundo São Marcos (15):

16Os soldados levaram-no para dentro do pátio, isto é, para o pretório, e convocaram toda a coorte. 17Revestiram-no de púrpura, puseram-lhe uma coroa de espinhos que tinham entrelaçado 18e começaram a saudá-lo: «Salve, ó rei dos judeus!». 19Batiam-lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-lhe e, pondo-se de joelhos, prostravam-se diante dele. 20Depois de terem escarnecido dele, despiram-lhe a púrpura e vestiram-lhe as suas vestes. E levaram-no para fora, para o crucificarem.

De todas as representações que vi a que mais me surpreendeu foi esta, em Nisa. Por adotar modelos clássicos da pintura, juntando-lhes uma expressão plástica mais que informal. E isto é um understatement.


Dia 30 de Março, às 13:12:



quinta-feira, 1 de abril de 2021

O ESTUÁRIO

A pé / combóio / metro / subir até Santa Clara. Com pequenas variações vai ser este o percurso. Desde 2005, quando tomei posse na Câmara de Moura, que não passava por uma tão radical mudança de vida profissional.

Visitei o Panteão, pela primeira vez, no verão de 1974. Com um amigo da família (José Bento) que me levou a passear por Lisboa. Estava muito longe de imaginar que, um dia, a minha vida profissional passaria por aquele local.

O que é o dia 1 num sítio assim, ainda quase sem funcionários, que a atividade a sério só arranca no dia 6? Tomar conhecimento dos dossiês, ler documentação, tirar apontamentos, rascunhar e voltar a rascunhar. Fazer telefonemas, um, dois, três, muitos. Marcar reuniões e falar com os interlocutores em volta.

Ao longe está o estuário. Os ventos que sopram sobre o Tejo limpam as poeiras. Ao longe, a 30 kms., está o Castelo de Palmela, que se vê com toda a nitidez. Um cenário incomum. Penso nos cruzados flamengos, em 1147, embevecidos ante a paisagem e a sua riqueza.

A meio da tarde, olhando em volta, vem-me à memória uma short story de Roald Dahl (1916-1990).

O dia das mentiras começa sob o signo da realidade. Às 6 da tarde desço a Calçada do Cascão e retomo o caminho de casa.





quarta-feira, 31 de março de 2021

MEU CARO ANDRÉ LINHAS ROXAS

Conheço a tua integridade e sei, que ao contrário de outros, cumprirás as promessas. Não dirás que vais abrir o futuro para depois o fechares a sete chaves. Lembro-me, muitas vezes, de um poema de Sophia que começa com esta frase: “o primeiro tema da reflexão grega é a justiça”. É esse sentido de justiça e de devolução da dignidade às coisas mais simples que de ti se espera. E que, com a simplicidade dos Homens Bons, irás cumprir.

 

Há uma velha “lei” que diz que as verdadeiras, talvez únicas, amizades são as dos tempos de infância ou de juventude. Que nessa altura somos amigos mesmo, porque a entrega é total e porque não há jogos na amizade. A outra face da lei diz que as amizades na idade adulta são sempre instrumentais. Que há sempre uma segunda intenção. Sabes que mais? Essa lei é uma perfeita nulidade. Várias vezes o tenho constatado.

 

Travámos conhecimento apenas em 2010. Foste para a Câmara de Moura, assumir uma chefia de divisão difícil. Rapidamente nos entendemos, porque os princípios de trabalho eram simples: cumprir o que se prometera, dar a cara, trabalhar para os munícipes, ir aos locais onde havia problemas, ter disponibilidade total para ir ao encontro das pessoas. Dar o peito às balas. Mais que conhecer leis de fio a pavio e desenhar fluxogramas e enunciar sonolentos termos de referência, estavas preocupado com as pessoas e em resolver os seus problemas. Com competência e com conhecimento, mas sem petulância. Sem truques nem jogadas. A matriz era excelente. Os nomes de Rodrigo e de Luís José, de Rosa, de Maria da Conceição e de Helena ressoavam. Eu só pensava “com aquele ADN, não pode falhar”.

 

Ficámos amigos. Uma relação de proximidade que o tempo fortaleceu. Depois de 2017, deixámos de privar tanto. Ficaste em Moura, eu rumei a Lisboa. Mas houve uma atitude decisiva, que revela o teu caráter. Nos momentos mais difíceis politicamente disseste “presente!”. Não te refugiaste em pretextos nem desapareceste detrás daquela desculpa clássica do “tenho muito que fazer”. A partir de certa altura, tornou-se-me claro “o André vai ser o próximo candidato da CDU e o próximo Presidente da Câmara”. Várias vezes to disse, no último ano, quando já toda a gente o tinha percebido.

 

E achei que isso seria excelente por dois motivos, relacionados entre si. Primeiro pela qualidade técnica e política essencial ao cargo. Coisa que não tem havido, nos últimos três anos. Depois, e talvez mais importante ainda, pela qualidade humana que é decisiva. No outro dia alguém me dizia, em tom meio crítico, que eras demasiado boa pessoa para aquele cargo. Perguntei, rindo, se era alguma piada que me estava a ser dirigida. E respondi depois que, pelo contrário, precisamos de quem tenha bom íntimo e seja boa pessoa, porque o exercício da política não é, não pode ser, velhacaria, promessas e “preocupação” com as pessoas apenas nas campanhas. Fazer política num concelho não é aparecer nas freguesias apenas nas campanhas eleitorais e bem sei como te mantiveste presente nestes quatro anos. E tu és a alternativa de que Moura precisa. Para não termos obras só em ano de eleições, para não termos chuvas de protocolos sem consequência, para não termos promessas só para o facebook. Tenho a certeza de que os teus compromissos para com os eleitores serão sagrados.

 

Esta carta é uma carta de apoio. Inequívoco, claro e total. Para ti e para a tua equipa. Aí estarei para dizer “presente!”. Aí estarei na tua tomada de posse como Presidente da Câmara. Talvez por isso, pela amizade e pela convicção, me tenha lembrado de O’Neill. Que te dedico: “Amigo” é uma grande tarefa, / Um trabalho sem fim, /Um espaço útil, um tempo fértil, «Amigo» vai ser, é já uma grande festa!”.


Crónica em "A Planície"












No Sobral, há algum tempo.

terça-feira, 30 de março de 2021

O POVO É SERENO?

Por absoluto e inadiável motivo de trabalho tive de cruzar o país quase de uma ponta à outra em cerca de 34 horas. Um percurso solitário, devidamente autorizado, contactando pessoas (quatro ou cinco) à distância e com todos os necessários preceitos. A(s) supresa(s)?

1. Havia muito trânsito, quase tanto como o normal.

2. Cruzei nove distritos (Lisboa, Santarém, Leiria, Coimbra, Viseu, Vila Real, Guarda, Castelo Branco e Portalegre) e não vi, ao longo de 1000 quilómetros, uma única brigada de trânsito. Uma só.



segunda-feira, 29 de março de 2021

LUSCO-FUSCO FUNDANENSE

Amadora-Vila Pouca de Aguiar de esticão. Depois Vila Real, depois novo tiro até ao Fundão. Já lá vão 650 quilómetros. O luso-fusco fundanense permite olhar para a(s) arquitetura(s). O Estado Novo de Raúl Cruz e Willy Braun mesmo no centro da cidade. Depois Chorão Ramalho, a fazer lembrar o início de The Magnificent Ambersons, de Welles: Against so homespun a background, the magnificence of the Ambersons was as conspicuous as a brass band at a funeral. Mas as luzes e sombras da fotografia não são de nenhum dos citados e sim da Câmara Municipal do Fundão.



domingo, 28 de março de 2021

O "TOLLAN" DO SUEZ

Andava eu no 11º. ano quando isto se deu. Um choque entre dois navios, mesmo em frente ao Jardim do Tabaco, causou quatro mortos e pôs um dos navios - o "Tollan" - virado ao contrário. Já a minha faculdade ia avançada quando o conseguiram colocar na posição original.

Durante quase 4 anos o "Tollan" fez parte do anedotário nacional. Sobretudo, por causas das sucessivas e falhadas tentativas para o desencravar do fundo do Tejo. Recordo que o radialista João Paulo Dinis começava o seu vibrante "Programa da Manhã" com várias saudações. Que incluíam sempre, com inconfundível voz nasalada, um "bom dia para as gaivotas do Tollan".

O comandante do "Evergreen" fez um um belo drift no meio do Suez. Claro que os interesses da economia mundial vão resolver rapidamente o problema. Mas que isto veio por a nu fragilidades, lá isso veio.



sábado, 27 de março de 2021

SILVERADO

Já há muito tempo que um "western" não passa por aqui. Gosto muito de Silverado (Lawrence Kasdan - 1985), embora não seja um "western" clássico. Também não sei bem o que é um "western" clássico, desde que Sergio Leone fez o que fez. E ainda bem que fez.

Silverado é um filme cool, divertido e bem feito. E gosto especialmente desta cena. Uma tradução em filme do nosso ditado "dois coelhos com uma cajadada".

Viva o Cinema! Viva o "western"!




PERCORRENDO A CERCA MOURA - 8.4.2021

Nunca gostei de desistir de projetos que valessem a pena.
A exposição "Lisboa Islâmica" é disso um claro exemplo. Durante o tempo em que estive na Câmara Municipal de Lisboa trabalhei num plano que a pandemia adiou. Está na altura de o retomar. Creio que vale a pena ser retomado e há, felizmente, muitos colegas e amigos que pensam o mesmo.
Uma das componentes desse projeto era um vídeo, que reconstituía o percurso da cerca moura a partir do ar. Com um drone "anda-se à volta" da antiga muralha de Lisboa. Um elemento chave no setor 2 (seriam/serão 5) da exposição.
No dia 8 esse trabalho vai ser mostrado. Um trabalho de extraordinária qualidade produzido pela Videoteca (obrigado, Carlos Miguel Amaral e Fernando Carrilho). Foi um verdadeiro prazer trabalhar com eles e com os os colegas do Dep. de Património Cultural e do Gabinete de Estudos Olisiponenses.
Na passada quinta-feira este tema foi objeto de uma conversa promovida pelo GEO e que contou com cerca de 100 (!) a assistir.




sexta-feira, 26 de março de 2021

BURRO VELHO APRENDENDO LÍNGUAS...

Aos 57 anos, 9 meses e 2 dias regressei à "escola primária". É num faculdade, mas o nível é o de arranque. Inscrevi-me numa turma de Língua Árabe. Nível básico. Na verdade, já tinha feito Árabe I e Árabe II, em tempos muito longínquos. Mas excetuando o reconhecimento do alifato e meia dúzia de palavras, tudo se esfumara.

Voltei ao início. Divertido por constatar que sou, de longe, o mais velho. Bem mais velho que o professor. E com idade para ser avô de alguns alunos.

Estou a fazer tudo disciplinadamente. Com toda a aplicação, que isto é para continuar. Burro velho não aprende línguas? Veremos.




quinta-feira, 25 de março de 2021

COVID, ÁGUA OXIGENADA E UMA GESTÃO FALHADA

Começo pela declaração de princípios: a culpa dos tempos que vivemos não é, obviamente, da Câmara Municipal. Seja ela qual for.

Mas há coisas de que precisamos, sem sombra de dúvidas: de seriedade, de franqueza, da capacidade de falar claro. De não promovermos procissões com os carros dos bombeiros, convencendo os cidadãos que "vai ficar tudo bem". Porque não ficou. Nem ficará. Há muita gente a penar e a luz ainda está longe. Precisamos que os testes em massa não se convertam em banais ações de propaganda.

Precisámos de liderança e tivemos publicidade.

Precisávamos de conhecimento e chegou-nos demagogia.

Folclore não é estratégia e gesticular não é comando.

Fazer política é falar claro e ser frontal. Doa a quem doer. A começar por nós.

Há um ano escrevi o que se segue. "Aqui d'el-rei", que regar ruas com água oxigenada é que era. Claro que não era. Não me enganei. Não era preciso ser bruxo para não me enganar.


QUARTA-FEIRA, 25 DE MARÇO DE 2020

A PROPÓSITO DO PERÓXIDO DE HIDROGÉNIO

Houve câmaras que resolveram "desinfetar" as ruas, outras que optaram por não o fazer. E umas vão atrás de outras. E quanto maior é a inexistência de ação, mais visibilidade se dá a estas iniciativas. Supostamente, espalhar uns milhares de litros de peróxido de hidrogénio (ou seja, de água oxigenada) minoraria os efeitos do vírus. Maus tempos estes, em que folclore equivale a estratégia... E em que gesticular dá a ilusão de comando.

Não há nada de mal em regar as ruas com água oxigenada - como me comentava um jovem amigo "só tem efeitos nos orçamentos camarários" - sendo que o perigo, real e bem concreto, é as pessoas acharem que já estão em segurança. Ou seja, que podem sair e andar na rua, porque os espaços públicos foram "desinfetados".

Diz a D.G.S. que estas operações não têm efeito na contenção do contágio de COVID-19. Não sendo eu especialista em temas variados - ao contrário do dr. Nuno Rogeiro e do dr. Paulo Portas - acato as opiniões das entidades oficiais. Recolhi a casa, não saio e confio nas autoridades. E preparo-me para os próximos tempos, que vão ser duros e de grande desafio. O bom, velho capitalismo vai querer tirar partido do que restar.

A Câmara de Mértola não borrifou ruas. Fez bem. Sem ponta de ironia.

OS ATOS DOS APÓSTOLOS E O TAL COMUNISMO REVOLUCIONÁRIO

ATOS DOS APÓSTOLOS

Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidade de cada um.

É este o texto da Bíblia. Numa edição de 1964, dos Missionários Capuchinhos, esta passagem vem devidamente explicada com uma nota de rodapé, que diz:

Esta comunhão de bens nada tem a ver com o comunismo revolucionário, do qual difere radicalmente por estas circunstâncias:

1. Era livre, não imposta e muito menos pela violência.

2. Não se fundava na negação do direito da propriedade, mas no livre uso dos bens legitimamente possuídos.

3. Nascia, não do excessivo apreço aos bens terrenos, mas do seu desprezo.

4. Não aspirava a participar dos bens alheios, mas a comunicar os próprios aos outros. Mesmo assim, este generoso ensaio não prosperou, ficou demonstrado depois da extrema pobreza a que chegaram os fiéis de Jerusalém. Só mais tarde, nas comunidades monásticas, esta aspiração cristã da comunidade dos bens pôde vingar.

Ou seja, e em tradução livre: ide, lede a Bíblia, mas não comeceis com ideias...



quarta-feira, 24 de março de 2021

VOANDO SOBRE OEIRAS

Tarde oeirense. Com a ajuda dos fantásticos Bombeiros de Oeiras (Vítor Pato, Mário Almeida e Jorge E. Santo) consegui fotografar a agência da Caixa Geral de Depósitos. Uma fachada "complicada", alta e com vários planos, a rua a descer, árvores pela frente, "isto só lá vai de grua". Sorte que os Bombeiros são mesmo ao lado. E foram super-prestáveis e de enorme eficácia e simpatia. A intermediação do gerente, Carlos Chaves, foi decisiva e ainda fez uma reportagem com o improvisado fotógrafo nas alturas.

Já só faltam quatro edifícios (Fundão, Torres Vedras, Vila Real e Vila Pouca de Aguiar). Fica assim terminada a tarefa.

Quem desenhou a agência de Oeiras? É projeto dos anos 80, de Jorge Kol de Carvalho e Vasco Massapina.