Confunde-se, amiúde, a ideia de solidariedade com caridade. Uma e outra não são, sequer, as duas faces de uma moeda. A propósito do calor da solidariedade aqui fica um poema de Alexandre O'Neill (1924-1986). Foi escrito no ano quente de 1975.
A CAMA QUENTE
Homenagem aos mineiros do Chile
que dormem, singelo,
pelo sistema de "a cama quente"
Na mina trabalha-se por turnos.
Quando se volta, nem se tiram os coturnos.
Bebido o café negro e trincado o casqueiro,
joga-se o corpo ao sono, mas primeiro,
enxota-se o camarada da cama ainda quente,
que não há camas, no Chile, pra toda a gente.
Do calor que sobrou o nosso se acrescenta
pra dar calor ao próximo que entra.
Vós, que dormis em camas, como reis,
tantas horas por dia, não sabeis
como é bom dormir ao calor de um irmão
que saiu ao nitrato ou ao carvão
e despertar ao abanão (é o contrato!)
de um que chega do carvão ou do nitrato!
É este sistema, minha gente,
que se chama no Chile "a cama quente"...
A CAMA QUENTE
Homenagem aos mineiros do Chile
que dormem, singelo,
pelo sistema de "a cama quente"
Na mina trabalha-se por turnos.
Quando se volta, nem se tiram os coturnos.
Bebido o café negro e trincado o casqueiro,
joga-se o corpo ao sono, mas primeiro,
enxota-se o camarada da cama ainda quente,
que não há camas, no Chile, pra toda a gente.
Do calor que sobrou o nosso se acrescenta
pra dar calor ao próximo que entra.
Vós, que dormis em camas, como reis,
tantas horas por dia, não sabeis
como é bom dormir ao calor de um irmão
que saiu ao nitrato ou ao carvão
e despertar ao abanão (é o contrato!)
de um que chega do carvão ou do nitrato!
É este sistema, minha gente,
que se chama no Chile "a cama quente"...
A Serra Pelada, na objetiva de Sebastião Salgado
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