quinta-feira, 14 de junho de 2012

ELOGIO FÚNEBRE

Pode um funeral converter-se num momento de music-hall? Pode. Nas mãos de um ator de génio (Alberto Sordi) e de um realizador que, em matéria de talento, não lhe fica atrás (Ettore Scola).

E outra pergunta. Poderia um argumentista alemão ter imaginado uma cena destas? Não. Nem por sombras. São, também, estas coisas que separam o norte do sul. Ainda bem que separam.

Os novos monstros (1977), de Ettore Scola, Dino Risi e Mario Monicelli é a minha escolha cinematográfica da semana.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A MALTA CURTE É ESSA CENA DA MATEMÁTICA...

Já estamos na cena marada do costume: se a Dinamarca isto e a Holanda aquilo passamos. Matematicamente tudo é possível.

Matemáticos? Bento de Jesus Caraça? Aureliano Mira Fernandes? António Gião? Sebastião e Silva? Todos alentejanos. E que tal um alentejano para selecionador nacional de futebol?

 


FRANKFURT - À TARDE

Não fazia frio nem chovia. Mas o céu estava cinzento e havia pouca luz. E nas ruas havia pouca gente ("estão todos a trabalhar", comentou uma amiga minha, dando, insconscientemente, razão ao velho mito trabalho a norte/lassidão a sul). Podia ter visto o Städel - Städelsches Kunstinstitut und Städtische Galerie é o nome oficial... - depois da conferência, mas optei por fazê-lo durante a tarde. Que estava, não sei se já o disse, sem chuva e sem frio, mas muito cinzenta e pouco luminosa.

O Städel é um dos grandes museus da Alemanha. Ou, mesmo, do mundo. O que ver? Ou o que reter? Fiel a um velho hábito centrei-me num tema. Neste caso nos expressionistas, por causa de Max Beckmann e, sobretudo, de Ernst Ludwig Kirchner. Que tem, no Städel, uma nutrida representação. Os nazis esfregaram as mãos de contentes. "Arte degenerada" era coisa que ali não faltava...

Velhos filmes, e nunca esquecidos, como O gabinete do Dr. Caligari (1920), de Robert Wiene, e Varieté (1925), de Ewald André Dupont, são evocados em cada perspetiva e em cada pincelada. Também a esses o nazismo não perdoou.
 
Max Beckmann: A sinagoga

Site do Städel: http://www.staedelmuseum.de/sm/

A PROPÓSITO DE SOFÁS - 5/7


terça-feira, 12 de junho de 2012

20 ANOS

Faz hoje 20 anos que tomei posse, na Câmara Municipal de Mértola, como Técnico Superior de 1ª Classe. Vivia em Mértola desde 1 de agosto de 1991 e consumava-se, assim, uma tormentosa transferência da autarquia da minha terra natal.

Em 20 anos muita coisa mudou. Deixei de ser funcionário do Estado para ter um "contrato de trabalho em funções públicas", deixei de ser Assessor Principal para ter um índice que é um número qualquer. Deixei de ter certezas em relação à carreira futura. A únicas coisas que não mudaram: nunca me arrependi de ter ido para Mértola; nunca deixei de ter orgulho em ser funcionário público.

A mudança para Mértola foi assim. Um amontado de malas. Só que sem tanto glamour...

A GARGALHADA DO DIA

Não resisto a a reproduzir um excerto do belo artigo de José Vítor Malheiros no Público de hoje, onde, a dada altura, se fala da amizade entre o ministro Miguel Relvas e a jornalista Raquel Alexandra, membro do Conselho Regulador da ERC (que se vai pronunciar sobre o episódio que opõe o ministro ao matutino lisboeta):

"não tenho nada contra o facto de alguém ser amigo de Relvas. Basta pensar que Relvas tem de passar todo o dia consigo mesmo para compreendermos que deve ter uma profunda necessidade do apoio de amigos".

A viagem até me pareceu mais curta, à conta disso...
 

QUEREM LÁ ELES SABER O QUE DIZ ANTÓNIO DA NÓVOA...

Da imprensa de hoje:

Apoios a doutoramentos no estrangeiro vão sofrer cortes de 60%. A isto chama-se ter vistas curtas. Fica-me, agora, a certeza que o Prof. Sampaio da Nóvoa sabia o que se estava a congeminar.

As unidades de investigação vão passar a ser vistas como projetos de ideias. A questão não está tanto aí, mas na certeza que cada vez que mexem neste tema é para lhe acrescentarem "procedimentos", relatórios, projetos infindáveis e cheios de labirintos. Vêm aí mais burocracia e mais estupidificantes regulamentos. Querem apostar?

Não precisamos de contabilistas, mas sim de visionários. Infelizmente, quem está a ganhar a partida são os contabilistas. 
 
 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

LANCES DE CAPOTE - 3: CHICUELINA

Lance inventado pelo toureiro sevilhano Manuel Jiménez Moreno Chicuelo (1902-1967). Diz-se que terá sido executado pela primeira vez em Valência, em abril de 1922.

Lance vistoso, é um dos mais praticados na atualidade. O touro é citado de frente. Quando passa perto do corpo do toureiro este gira, dando meia-volta em sentido contrário, pelo que fica envolto no capote. Quanto mais cingida é a chicuelina, mais espetacular se torna. Já vi El Juli e Castella fazerem chicuelinas verdadeiramente arrepiantes.

Sebastian Castella

ESTE SENHOR NÃO VOLTA A SER CONVIDADO...

Não era o que discurso que se esperava. Basta olhar para a cara do Primeiro-ministro e, sobretudo, para a da Presidente da Assembleia da República. E a mal disfarçada satisfação de António Costa. António Sampaio da Nóvoa não disse nada de extraordinariamente novo, é verdade. Mas o tom e o momento foram decisivos. Foi bom? Não foi bom, foi excecional. A blogosfera tem feito disso eco ao longo do dia.

Deve ter sido a última vez que o convidaram para uma coisa destas...

O melhor mesmo é ver e ouvir:

O GRITO


Munch já por aqui passou. Na altura não reproduzi O grito, mas faço-o agora. Porquê? Porque o quadro - uma das suas versões, melhor dizendo - integra agora a lista dos quadros mais caros do mundo. Ocupa, desde há cerca de um mês, o oitavo lugar do ranking. Foi vendido por um pouco mais de 119 milhões de dólares. Quem comprou? A família real do Qatar.

Este quadro de Edvard Munch tournou-se a sua obra mais conhecida e, sem que ele o pudesse sequer sonhar, haveria de se converter numa referência global da segunda metade do século XX.

Munch não leu Florbela Espanca. Nem é provável que a poetisa tivesse visto algum quadro dele. Às vezes, para se estar próximo basta a sintonia.

Noite Trágica 
O pavor e a angústia andam dançando...
Um sino grita endechas de poentes...
Na meia-noite d´hoje, soluçando,
Que presságios sinistros e dolentes!...

Tenho medo da noite!... Padre nosso
Que estais no céu... O que minh´alma teme!
Tenho medo da noite!... Que alvoroço
Anda nesta alma enquanto o sino geme!

Jesus! Jesus, que noite imensa e triste!
A quanta dor a nossa dor resiste
Em noite assim que a própria dor parece...

Ó noite imensa, ó noite do Calvário,
Leva contigo envolto no sudário
Da tua dor a dor que me não ´squece!

domingo, 10 de junho de 2012

ONZE CONTRA ONZE E NO FIM...

Soccer is a game for 22 people that run around, play the ball, and one referee who makes a slew of mistakes, and in the end Germany always wins.
Gary Lineker, antigo internacional inglês

 

O score da Alemanha é impressionante.

Nos Mundiais:
1º lugar - 3 vezes (1954, 1974, 1990)
2º lugar - 4 vezes (1966, 1982, 1986, 2002)
3º lugar - 3 vezes (1970, 2006, 2010)
4º lugar - 1 vez (1958)

Nos Europeus:
1º lugar - 3 vezes (1972, 1980, 1996)
2º lugar - 3 vezes (1976, 1992, 2008)
3º lugar - 1 vez (1988)

sábado, 9 de junho de 2012

CHE COSA È LA PIDE?

A cena passou-se dois ou três dias depois do 25 de abril de 1974. Estava o José plantado em frente ao Nicola, no Rossio, vendo a festa das manifestações espontâneas, quando alguém lhe toca no ombro e pergunta: "Mi scusi, che cosa è la PIDE?". Era um italiano, visivelmente impressionado com o espetáculo e com os gritos de "morte à PIDE" que se faziam ouvir. O José não fala italiano, mas entre duas ou três palavras de espanhol e a boa vontade meridional entenderam-se perfeitamente. O italiano estava crente que seria a direita moderada a tomar o poder, tal como tinha feito em Itália, depois da 2ª Guerra Mundial. E concluía "os democratas-cristãos agarraram-se ao governo e ninuguém os tira de lá". Enganou-se, mas isso é já outra parte da história.

Se fosse hoje a pergunta "che cosa è la PIDE?" poderia ter como resposta "domandate al professore Hermano Saraiva".
 
Símbolo da Polícia Internacional e de Defesa do Estado

sexta-feira, 8 de junho de 2012

DESVIOS DE DIREITA

Há tempos, um dos meus alunos entrou pela sala acenando com uma revista e anunciando "o professor está aqui". Era uma daquelas publicações sobre o poder local, com o nome e as funções de todos os autarcas do País. Ato contínuo, abriu a revista e leu "Santiago Macias: Urbanismo, Desenvolvimento Económico, Estudos e Projetos, Financiamentos Comunitários - PCP". E continuou, ante a minha surpresa, "PCP? Sempre pensei que o professor fosse do PS...". É evidente que as aulas não são propriamente um espaço de comício, mas que o moço pudesse pensar que a minha filiação partidária andava pelos tons rosa não deixou de me intrigar e não resisti a perguntar o que o levara a pensar tal coisa. A resposta foi ainda mais intrigante: "Pelo seu estilo". Não fiz mais perguntas, mas fiquei com dúvidas sobre esse tópico do meu estilo.


A propósito de desvios de direita, aqui vai uma imagem do álbum de recordações familiar. O autor do blogue é o rapazito, muito hirto e de ar pouco à-vontade, no lado direito da fotografia. A menina vestida de ceifeira, que cumprimenta Américo Tomás, é a minha amiga Maria José Araújo. O Presidente da República fora a Moura inaugurar o Palácio da Justiça. Faz hoje exatamente 43 anos.

À atenção da Dra. Manuela Ferreira Leite: isto já dá para uma condecoraçãozinha, não dá? Mesmo daquelas da 2ª divisão, uma medalhinha, uma coisinha qualquer...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

EL 10 DE JUNIO ES UNA TOMBOLA...

Acabo de ler que José Hermano Saraiva vai ser condecorado no próximo dia 10 de junho. Tendo em conta o nulo valor científico da sua produção historiográfica, só posso depreender que é por outras razões. Ora bem, quais?

Hermano Saraiva foi Ministro da Educação Nacional entre 1968 e 1970 e um dos protagonistas da crise coimbrã, que teve um dos momentos altos no dia 17 de abril de 1969. Ocupou, mais tarde, o lugar de embaixador de Portugal no Brasil. Lugar de onde foi sumariamente saneado em finais de abril de 1974 por um grupo de democratas onde pontificava o meu querido amigo Miguel Urbano Rodrigues.

Falando em História, seria interessante que a RTP/Memória mostrasse a gravação da intervenção televisiva de 30 de abril de 1969, na qual Hermano Saraiva fez graves acusações aos estudantes de Coimbra. Concluindo depois que a ordem seria reposta. Saraiva foi um ministro do regime fascista, um agente ativo da repressão e um inimigo dos estudantes. Será por isso que é agora condecorado? Ou as medalhas do 10 de junho saem numa tômbola? Tômbola por tômbola antes a da Marisol...

Somos, tragicamente, um país sem memória. E sem vergonha.

19.4.1969: Hermano Saraiva à direita (na foto) de Américo Tomás. A protegê-los estão agentes da PIDE, essa conhecida organização de beneficência.

EU, SELECIONADOR, ME CONFESSO

Começa amanhã o EURO da bola.

Há semanas resolvi responder a um inquérito do DN, no qual se pedia que selecionássemos os jogadores. Acertei em 2/3. O que faz de mim um selecionador a 66%. Ou seja, não sou nada de especial nisto de treinador de bancada.

O EURO começa amanhã. Mesmo que a seleção não vá longe - é possível que não vá - a Pátria não corre perigo por causa disso. Temo que muito boa gente se esqueça disso e enverede por discursos disparatados. Que serão piores se tivermos sucesso.

Oportunidade para recordar um texto publicado no Diário do Alentejo em 12 de setembro de 1997. A seleção nacional, treinada por Artur Jorge, empatara (1-1) dias antes, na Alemanha. Como mau treinador de bancada errei numa coisa: o nosso futebol era bom, precisava de uma chispa. Essa chispa chamou-se Scolari.


EU, SELECIONADOR ARTUR, EVIDENTEMENTE ME CONFESSO

Evidentemente não perdemos. Também não ganhámos, mas é quase certo que iremos a França em 1998. Como você imagina, há a matemática, aquela ciência exata que anda sempre de mão dada com o futebol português. E , obviamente, há a Nossa Senhora de Fátima, aquela outra ciência exata da nação portuguesa, à qual acenderei uma velinha.

Por esta altura, já os computadores nos dão razão: se Portugal ganhar à Irlanda do Norte, a Alemanha perder os dois jogos que lhe faltam e a Arménia ganhar à Ucrânia, seremos os vencedores do grupo. Matematicamente e evidentemente falando. As coisas ainda vão melhorar, claro. Como você sabe, ainda faltam muitos jogos (um, para ser mais preciso) e tudo está agora a nosso favor.

Em Berlim as coisas não correram completamente bem. Mas também não correram mal, obviamente. Tentámos ser fortes, tentámos fazer coisas boas, coisas bonitas. E fizemos, como você viu. Também fomos fortes, tirando aquela do Rui Costa esbagulhado em lágrimas, coisa pouco máscula para quem saiu do campo a cinco à hora, pensando que o árbitro era o Pratas ou o Guímaro, malta compreensiva e que respeita o cansaço dos atletas.

Nem sempré é fácil jogar bem e sermos positivos e nós fomos. Pediu-se aos jogadores que tivessem magia e poesia. Eu próprio me emocionei quando o Pedro Barbosa marcou o golo e cheguei, ali mesmo, a adaptar um poema em honra dele. Era assim: "Os remates do Pedro Barbosa e o binómio de Newton são tão belos como a Vénus de Milo./ O que há é pouca gente para dar por isso./ óóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóó (o vento lá fora)". Depois veio o Kirsten e, como você pode imaginar, a inspiração murchou evidentemente bastante.

De qualquer modo, o jogo teve estética e foi emocionante. A estética é sempre importante no futebol. E quem diz a estética diz, evidentemente, a música clássica. No entanto, é sempre arriscado dizer aos nossos dirigentes que o treino seja acompanhado pela divina Tebaldi, porque é quase certo que vão pensar que se está a querer contratar uma artista de striptease.

De qualquer maneira, e mesmo que não sejamos apurados para França - é matematicamente impossível que não sejamos apurados - há uma coisa que fica comprovada: para já, somos a melhor equipa da segunda divisão europeia. E, evidentemente, o bonito jogo com a Alemanha vai dar-nos a ilusão, durante algum tempo, que o nosso futebol é bom. Não é, mas as ilusões também são intensamente e evidentemente poéticas.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

ESTREIA

Dirijo a escavação arqueológica do castelo de Moura desde 1989; tenho publicado com regularidade nos domínios da História e da Arqueologia; tenho participado, enquanto vereador, nos programas de revitalização do património em curso na cidade (castelo, quartéis, antigo quartel dos bombeiros, antigo matadouro, igreja de S. Francisco etc). Chegou hoje a vez de falar, junto de uma turma do 10º ano da secundária de Moura, sobre o ofício do historiador e sobre o meu trabalho de campo em Moura. O convite partiu do meu colega Elói Ribeiro e de quatro jovens estudantes. Uma estreia absoluta, uma vez que nunca tinha estado, enquanto historiador, na Escola Secundária de Moura.


 


MÉRTOLA A DOBRAR

O desafio até parece simples: fazer histórias, construir livros. Mas claro está que estas coisas só são simples na aparência. E os bons resultados são fruto do trabalho, do esforço e da dedicação. Participaram neste projeto da Fundação Calouste Gulbenkian dezenas de turmas, com várias centenas de obras.

No 1º escalão (6 aos 8 anos) houve sete obras premiadas. Dessas sete, duas eram de Mértola.
ENA! Viva a Escola Básica de Mértola!

Excerto do site (informação completa aqui):

Obra “Mariel, a princesa feliz”
Alunos da turma C dos 2º e 3º anos da Escola Básica de Mértola (Beja)
Professor responsável: Ana Maria Cruz Martins

Obra “Bons Amigos”
Alunos da turma 2ºB da Escola Básica de Mértola (Beja)
Professor responsável: Rosa Maria Freitas Nogueira


Apreciação do júri:

Mariel, a princesa feliz
Tudo, neste livro, é tradicional: a história, as ilustrações, o próprio formato. Não obstante, há nele qualquer coisa que o torna diferente, levando o júri a querer destacá-lo, incluindo-o entre os finalistas. Sem dúvida porque denota o trabalho conjunto dos alunos e dos professores: os alunos contaram a história, os professores passaram-na a escrito; a ilustração (desenhos e colagens) foi feita pelos alunos e os professores incluíram-na nas páginas do livro de forma a que acompanhassem, a par e passo, o desenvolvimento da narrativa.
A história versa os amores de uma princesa por um cavaleiro que é raptado por piratas. O rei, vendo a tristeza da filha, faz tudo o que pode até encontrar e salvar o rapaz, que é feito príncipe por uma fada. E o final da história reza, como era de esperar: casaram e foram felizes para sempre!
Trabalho de equipa, exatamente o que os promotores tinham em mente quando lançaram este concurso. Parabéns!

Os Bons Amigos
“Os Bons Amigos” conta a história de um estojo falante que um dia é raptado por um dragão. Construído a partir de um livro de grande formato, com ilustrações de página dupla de grandes dimensões, este projeto destaca-se não apenas pela escala, mas também pelas ilustrações, aparentemente simples, mas de grande força gráfica e cromática. A composição das páginas é um dos aspetos que merece ser sublinhado: apesar de as páginas terem envolvido a participação de muitas crianças, o livro consegue ser coeso e coerente do ponto de vista pictórico, do princípio ao fim.
A página onde o dragão surge a espreitar por detrás dos prédios também merece um comentário: é simplesmente fantástica!

LANCES DE CAPOTE - 2: GAONERA


Lance que se executa segurando o capote, com ambas as mãos, por detrás do corpo. Ante a investida, um dos braços estica-se para dar passagem ao touro. É mais fácil de dizer que de fazer, seguramente. A gaonera vai buscar o nome ao seu criador, o matador mexicano Rodolfo Gaona (1888-1975).

Lance de grande espetáculo, executado por norma no centro do ruedo, tem no temerário José Tomás um dos seus mais notórios praticantes da atualidade.

terça-feira, 5 de junho de 2012

CAR WASH

É uma obra-prima? Não é, mas nem só de clássicos vive o Cinema. Vi-o no Lido, na Amadora, e depois no Pavilhão Mourense. 1977 ou 1978, por aí. Car Wash, de Michael Schultz, é um daqueles filmes do blaxploitation. Não tem assim grande história (o argumento é de Joel Schumacher!), mas tem funky do princípio ao fim.

Não consegui arranjar a cena do filme que me faz escangalhar a rir - aquela em que os empregados lavam um carro ao som de Mozart - mas esta, com Richard Pryor e as Pointers Sisters, tem o seu mérito. Atenção à legendagem.

LIKE / DON'T LIKE


Tenho facebook, tal como todos os jovens ou os que querem aparentar-se a jovens. Uso-o de forma parcimoniosa, lá colocando links para este blogue.

Há aquela coisa do gosto, ou do like, para ser mais abrangente. Textos sobre os temas de que gosto - sejam eles a fotografia, a pintura, as evocações deste ou daquele acontecimento, a poesia, a tauromaquia etc. - têm, por norma, dois ou três like. Nada de especial, nada de inesperado, também.

Inesperado foi o que aconteceu ontem. Ao colocar uma banalíssima fotografia num campo que estava em branco no meu perfil motivei um verdadeiro vendaval de like e de comentários. Um amontoado de dichotes e de provocações gentis.

Aqui fica ela, for the record: tirada pela Luísa Almeida, na manhã de 18 de agosto de 2011, enquanto atualizava o diário de escavação, no castelo de Moura.